Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > FOLHA CONTESTADA

Duas cartas, nenhuma explicação

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

FOLHA CONTESTADA

Luiz Antonio Magalhães

A Folha de S. Paulo publicou em seu "Painel do Leitor" na semana que passou duas cartas de figuras ilustres da República (leia a íntegra das cartas na seção Entre Aspas desta edição).

O presidente nacional do PSDB, ex-senador José Serra, escreveu para contestar reportagem sobre um almoço que teve na companhia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo Serra, a única verdade na matéria é o fato de o almoço ter acontecido. O resto, diz o candidato derrotado por Lula na eleição presidencial de 2002, é pura fantasia. "Posso assegurar aos leitores que, em 20 anos de vida pública, li poucas reportagens tão fantasiosas a respeito de um encontro de que participei", escreveu o ex-ministro da Saúde.

A carta de José Serra foi publicada sem que o jornal se manifestasse ? para admitir o erro ou ratificar a informação ?, como é usual nesses casos.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) escreveu para demonstrar seu inconformismo com a edição de uma reportagem em que foi acusado de "torturar" um dos envolvidos no assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André à época do crime. De acordo com o deputado, o jornal descumpriu o seu próprio manual na realização da matéria. "A Folha nem sequer levou em consideração as informações que publicou na época dos fatos, as quais informam que o primeiro depoimento do preso foi feito à Polícia Federal, responsável pela prisão, e que ele guarda o mesmo conteúdo do depoimento do DHPP. Soma-se a isso o fato de a Folha ter sido o único veículo a divulgar a acusação leviana do preso, ainda que não tenha sido o único jornal a ter acesso às informações sigilosas do processo", escreveu Greenhalgh.

A carta do deputado petista também foi publicada sem que o jornal se manifestasse a respeito.

Nos dois casos, o leitor da Folha deve ter ficado perplexo. Se o jornal errou, deveria ter a humildade de reconhecer o erro e se explicar imediatamente. Se não errou e confia nas informações que publicou, no caso de Serra, e nos procedimentos adotados na realização da matéria comentada por Greenhalgh, no segundo episódio, então deveria ter ratificado com firmeza a sua posição, e também imediatamente.

Ao publicar as cartas sem qualquer resposta, a Folha parece ter colocado o rabo entre as pernas e aceitado envergonhadamente os dois pitos que tomou. Vexame.

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