Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > 2.

Duas respostas e ponto final

Por lgarcia em 25/12/2002 na edição 204

ORIENTE MÉDIO

José Arbex Jr. (*)

Contestação a dois artigos publicados na edição 203 deste OI [remissões abaixo]

1. Resposta ao sr. Milman:

a) Um milhão de obras de ficção sobre determinado tema não transformam o tema em mera ficção; o contrário costuma ser verdade, como sabemos com Júlio Verne, Aldous Huxley e George Orwell;

b) Novamente recorrendo à desonestidade intelectual, como parece ser o seu hábito, o sr. imputa-me o apoio a ditaduras e regimes feudais árabes. Fica o desafio: prove. Apresente uma única linha de minha autoria que sustente a afirmação. O contrário é verdadeiro: posso apresentar dezenas de páginas em que condeno veementemente tais governos;

c) Mas é significativo que o sr. tenha me acusado de apoiar regimes árabes. Para o sr., todos aqueles que são contra o governo de Israel, são automaticamente contra Israel e os judeus, e portanto favoráveis aos árabes. O sr. é incapaz de considerar que possam existir pessoas que sejam AO MESMO TEMPO contra o governo de Israel e os governos árabes (e os governos indochineses, paquistaneses, alemães, estadunidenses…), assim como são favoráveis AO MESMO TEMPO aos trabalhadores e oprimidos judeus e árabes (e indochineses, paquistaneses, alemães, estadunidenses…). A razão para o seu raciocínio é simples e primária: o sr. raciocina em temos raciais, étnicos e religiosos. O sr. é racista. No fundo, essa é a grande diferença entre nós. O sr. é racista, eu não.

2. Resposta ao sr. Moreno:

a) É típico dos regimes e mentalidades autoritárias fazerem uso caricatural e grotesco de conceitos da medicina para atacar e desqualificar adversários, reais ou imaginários. Como médico e historiador, o sr. deveria saber disso. O regime stalinista internava os seus desafetos em hospitais psiquiátricos. Recomendo-lhe assistir ao magnifíco “Arquitetura da destruição”, de Peter Cohen, para conhecer o uso que Hhitler fazia da medicina em seu regime;

b) O sr. adota o mesmo recurso para equiparar-me a ninguém menos que Eichmann. Utiliza os perigosíssimos conceitos de “patologia social” (como se certos “males sociais” pudessem ser cirurgicamente extirpados, como cânceres e tumores; resta saber quem seria o “cirurgião”, para fazer o “diagnóstico” e recomendar a “cura”) e, sem sequer me conhecer, afirma que padeço de “abulia afetiva”. reproduzo a pérola:


“Como patologia social, como todas as formas de preconceito e discriminação, certos portadores do anti-semitismo, ou sob sua nefasta influência, desenvolvem uma abulia afetiva no que diz respeito às suas posições e atos. Tal fato já foi apontado no caso Adolf Eichmann, quando ele realmente não entedia o que queriam dele.”


c) Ao proceder dessa forma, o sr. se desqualifica para o debate. O sr., lamento dizê-lo, não é sério, nem como médico nem como historiador.

(*) Jornalista, editor especial da Caros Amigos

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