Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNALEIROS

Duas visões da guerra

Por lgarcia em 20/05/1999 na edição 67

Isabela Nogueira

 

Depois de dois meses de briga, os jornaleiros paulistanos conseguiram sua primeira vitória. Eles assinaram com os grupos Folha e Estado um acordo que define novas comissões sobre os produtos agregados que acompanham o jornal (livros, fitas de vídeo, CDs e outros badulaques). Até então, nenhum acordo comercial entre os jornaleiros e as empresas proprietárias de jornais havia sido formalizado.

Por determinação dos grupos Folha e Estado, em 27/3/99 a comissão dos jornaleiros sobre os agregados – que desde 1957 era de 30% – passou para 20%. Os vendedores se uniram e optaram pela suspensão da venda desses produtos. Em retaliação, jornaleiros sofreram cortes no reparte de jornais que costumavam receber das empresas (ver remissões abaixo).

Depois de mais de 40 horas de reuniões, a categoria aprovou a proposta das empresas em 12/5/99. Os agregados que surgiram após 27/3/99 – data da decisão das empresas em reduzir a comissão – terão 25% de comissão. É o caso da coleção de fascículos Lição de Casa, do Estadão. De outra parte, a coleção Os Pensadores, da Folha de S.Paulo, terá 30% de comissão, já que foi lançada no início de março. A partir de 31 de março de 2000, a comissão dos jornaleiros sobre qualquer produto voltará a ser de 30%.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas de São Paulo, Francisco Ranieri Netto, as empresas não suportaram o prejuízo e partiram para a negociação. “Eles estavam com os galpões cheios de produtos promocionais. O choque que tomaram foi do tamanho de um elefante”, comparou. Ranieri afirmou que a negociação só foi possível porque os donos de bancas se uniram e deram ao movimento “ampla penetração”. “Os jornaleiros estão de parabéns”, elogia Ranieri.

Para o jornaleiro Eduardo dos Santos, com banca em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, a vitória foi apenas “parcial”. “Apesar desta ser a primeira vez que teremos um acordo assinado e registrado pelos órgãos de imprensa e pelo sindicato, tivemos que ceder um pouco”, diz Santos. A diferença de 5% que o jornaleiro perdeu sobre os agregados será amenizada pelos relançamentos. Os números atrasados, quando relançados, darão ao jornaleiro 40% de comissão.

O jornaleiro Jefferson Repetto Lavor, dono da banca Jardim América, na capital paulista, concorda que os jornaleiros tiveram de ceder mas está otimista. “Mostramos que temos força. Isso impedirá que as revistas, por exemplo, tentem fazer os mesmos cortes que os jornais tentaram.”

 

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