Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

PRIMEIRAS EDIçõES > VINGANÇA DO CHACRINHA

Duda se comunica e se trumbica

Por lgarcia em 28/10/2003 na edição 248

VINGANÇA DO CHACRINHA

Alberto Dines

Inevitável: sabia-se que depois do ligeiro desgaste do presidente Lula nas pesquisas, seguir-se-ia algum truque de marketing. Ninguém poderia imaginar que no lugar dos coelhinhos saindo da cartola apareceria um mago em pessoa: o Dr. Gogó.

Deitou falação o José Eduardo Mendonça, vulgo Duda. Primeiro em Salvador (sexta, 24/10), quando ensinou a 800 magistrados brasileiros lá reunidos em congresso como resolver os problemas do Judiciário. Nada de controle externo, inspeção internacional, reforma do sistema, menos nepotismo, mais preparo ou coisas parecidas, todas rigorosamente deletérias.

Juízes precisam comunicar-se, esquecer as reservas, mostrar-se no rádio e na TV. Os magistrados ? prosseguiu, sábio ? precisam aprender com o Executivo e o Legislativo a "profissionalizar-se": aparecer. Sacaram, meritíssimos ?

"Vocês precisam de uma boa assessoria de imprensa" (o excelente repórter da Folha que cobriu o evento para a edição de sábado, 25/10, não registrou se naquela hora as recepcionistas começaram a distribuir seus cartões de visita).

Dia seguinte, domingo, eis o Dr. Gogó aninhado nas "amarelas" de Veja dizendo justamente o contrário: "Tudo o que você tem de explicar muito não vale a pena. Gosto de criar e, não, de ficar dando explicações à imprensa todos os dias…"

Na véspera, dizia que a magistratura errara na discussão sobre a reforma da Previdência, produzindo uma imagem distorcida junto à opinião pública. No domingo, no Vejão (edição n? 1.826, págs. 11-15) confessa que não tem saco para dar explicações à imprensa.

Compreende-se, o homem não está acostumado à superexposição. É apenas um publicitário, não é analista político ou sequer político. Esse negócio de expressar idéias não é com ele ? que entende de comunicação, de índices de aprovação e rejeição, de charmosas covinhas no rosto dos clientes.

Dessas aparições de Duda diante dos holofotes fica a convicção de que é dele ? e não do staff político do Planalto ? a tática do patati-patatá. Para ele, como para o Chacrinha, comunicar-se é falar.

Leia também

Entre
Aspas
? "Defender o Judiciário
é difícil, diz Duda"; Luiz Francisco, Folha de S.Paulo,
25/10/03; "Superexposto, Duda não renovará com PT" ?
Fernando Rodrigues, FSP, 25/10/03; "Se sou problema, adeus",
entrevista de Duda Mendonça a Lauro Jardim, Veja n? 1.826

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