Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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PRIMEIRAS EDIçõES >   MUDANÇAS EM ÉPOCA

E.R.

Por lgarcia em 03/10/2001 na edição 141

DIÁRIO DE S. PAULO

"Diário de S. Paulo começa nova trajetória na imprensa paulista", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com .br), 30/09/01

"A campanha milionária patrocinada pelas Organizações Globo para reposicionar o agora (sem trocadilho) Diário de S. Paulo no mercado paulista não passou em branco junto à concorrência. O Agora São Paulo não perdeu a oportunidade de cutucar o concorrente, saudando sua chegada com o chamado anúncio de oportunidade, em que procura mostrar que o Diário ficou com vergonha do popular e por isso trocou de nome.

A reação do Agora é natural e inteligente, já que reforça a marca e o produto junto ao seu público-alvo, além de tentar desestabilizar parte da tiragem do Diário. Mas não deve estar preocupando tanto o staff da Globo, já que a empresa, ainda que dissimuladamente, tem dado claros sinais de que quer abandonar a faixa popular para chegar cada vez com mais força na classe média. A estratégia é crescer tanto em tiragem (banca e assinatura) quanto em publicidade (principal razão da mudança de nome, com o objetivo de ampliar o leque de anunciantes).

O ?enterro? do Diário Popular, na madrugada de sexta-feira (21/9) foi dos mais emocionantes. Houve até quem se lembrasse de levar para a redação champanhe em homenagem ao centenário título que naquele momento estava desaparecendo do mercado. Não faltou também choro. O que não deu foi para ficar muito tempo curtindo a meia fossa pelo seu desaparecimento, pois após fechar a edição de sábado todos os jornalistas do jornal iniciaram imediatamente o fechamento da primeira edição do Diário de S. Paulo, que chegaria às bancas no domingo (23/9). E foi puxado. As pessoas começaram a voltar para casa com o sol já no horizonte, após as 6h da matina.

E teve expediente normal, para todos, tanto no sábado quanto no domingo, também com fechamentos madrugada adentro, conseqüência das mudanças implantadas e que ainda dependem de vários ajustes. Mesmo sem os números de fechamento de venda das primeiras edições, havia na equipe o sentimento de missão cumprida. No entanto, estão todos absolutamente no limite da resistência física e psicológica, fruto do esforço em colocar o novo projeto no mercado, com mudança de tecnologia, de orientação, de horários, sem parar de fazer o outro jornal (o Diário Popular).

Passada a lua de mel, há agora a insegurança natural de quem não sabe se fará efetivamente parte do time titular no novo campeonato. O cenário é de dúvida e de muito cansaço. E os sinais captados pela redação são de que não há dinheiro novo para investir na equipe. Se isso for verdade, não deverá haver grandes novidades no jornal nos próximos meses. Resta saber se o início de casamento mostrará afinidade entre os dois lados (a empresa satisfeita com o desempenho da equipe no novo projeto; e a equipe satisfeita com os novos gestores, tanto pelo aspecto profissional quanto no relacionamento pessoal). O estresse e o mercado é que vão, de certo modo, dar as cartas daqui para a frente."

 

LANCE & GLOBO

"Organizações Globo decidem livrar-se do Lance", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 1/10/01

"Embora até o momento a notícia não tenha sido confirmada por nenhum dos dois lados, fontes confiáveis disseram a Comunique-se que as Organizações Globo vão deixar de ser acionistas do jornal Lance. ?Ninguém mais na Globo estava aturando a falta de diálogo com Walter de Mattos Jr?. Walter é presidente e executivo-chefe do diário esportivo.

A insatisfação teria aumentado após a mudança de comando, o aporte de capital e as melhorias técnicas no Jornal dos Sports. A direção do Lance não teria dado importância a esse possível incremento da concorrência e, anteriormente, já teria se recusado a fazer uma parceria com o Globo na internet para redução de custos.

Luiz Eduardo Vasconcelos, principal executivo da Infoglobo, e Merval Pereira, responsável pela Mira (mídia impressa e rádios) não quiseram falar a Comunique-se sobre esse assunto. Luiz Eduardo e Walter Mattos são amigos desde a infância e esse fato foi muito importante para que a Globopar se dispusesse a ser sócia minoritária no Lance (coisa nunca antes ocorrida na área de mídia) com uma participação de 18% a 25% no capital inicial de US$ 30 milhões.

Além disso, a presença das Organizações Globo foi fundamental para que o Banco Bozano Simonsen, o Banco Icatu e um grupo argentino também aceitassem entrar no negócio.

O jornal não cumpriu as metas orçamentárias. Seus contínuos prejuízos obrigaram os acionistas a fazer sucessivos novos aportes de caixa e a insatisfação com o estilo administrativo de Walter Mattos Jr. foi aumentando no Conselho de Administração, especialmente da parte das Organizações Globo, que, há algum tempo, teriam chegado a dar um ultimatum: ou saía Walter da Presidência ou a Globopar sairia da sociedade. Os bancos formaram a turma do deixa-disso e conseguiram uma trégua.

Agora a hora é de parodiar Bush: quem não está comigo está contra mim. E, a qualquer momento, deve ser anunciado o fim da guerra."

 

MUDANÇAS EM ÉPOCA

"Época, mais agressiva e nervosa", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com .br), 26/09/01

"A partir deste final de semana (29 e 30/9), os olhos profissionais de quem atua no mercado editorial vão debruçar-se sobre ?a nova revista Época?. Será a primeira edição sob a batuta de Paulo Moreira Leite, o ex-redator-chefe de Veja e ex-correspondente em Washington da Gazeta Mercantil, que chega para mexer com a publicação e com a concorrência. Que ela será mais agressiva e nervosa, já não há dúvidas.

O primeiro reforço fechado por ele, dá bem o tom do perfil de profissional que quer ter ao lado: Expedito Filho, chamado para dirigir a mais importante sucursal da revista – a de Brasília -, e que é hoje um dos mais importantes profissionais do País, com tradição no chamado jornalismo investigativo. Quem também pode estar chegando é Angélica Santa Cruz, outra profissional de talento e da mesma linha, que hoje comanda a redação do NO., em São Paulo. Para quem não sabe, Angélica foi a repórter que obteve para Veja o furo com o maníaco do Parque, tempos atrás, logo após sua prisão. A lista de reforços não é longa, mas há nomes desse quilate nela e esse é um dos assuntos que ficou reservado para uma discussão mais detalhada com Merval Pereira – o poderoso diretor da Infoglobo, núcleo que comanda a mídia impressa e rádio das Organizações Globo -, nesta 4?.feira (26/9), em São Paulo.

Além de reforçar a edição e reportagem, com profissionais que apostam no furo, nas matérias exclusivas, no jornalismo investigativo, Paulo Moreira Leite quer também reforçar o time de executivos que estará a seu lado nesta empreitada. Terá no mínimo três profissionais de primeira linha nessa função, o primeiro deles já escolhido: Delmo Moreira, ex-editor-chefe da Gazeta Mercantil, que começou na revista há alguns dias. Delmo era o chefe imediato de Paulo e agora chega como seu subordinado. Coisas do jornalismo e, obviamente, de quem não está preocupado com posição, mas sim com a profissão. E sobre este assunto, o novo diretor de Redação de Época é taxativo: ?nossa profissão é repórter; o resto é apenas cargo?. Delmo será certamente um braço forte de Paulo no comando da revista e ambos tiveram uma convivência de quase dois anos, na Gazeta Mercantil.

Como nem tudo são flores, há também baixas pelo caminho. As três primeiras atingiram a chefe da sucursal Brasília, Sílvia Faria – contratada não havia muito tempo por Augusto Nunes, que a foi buscar na sucursal do Estadão -, o secretário de Redação, Ariovaldo Bonas, e a editora de Brasil, Ana Maria Tahan.

Um outro editor (que por enquanto prefiro não revelar) pode deixar a revista ainda esta semana e já teria demonstrado esta intenção ao novo diretor. Caso isso efetivamente se confirme, são grandes as chances de que vá para o Jornal do Brasil, pois além da amizade pessoal que tem com Augusto Nunes, há entre eles grande afinidade profissional. Aliás, se depender exclusivamente da vontade de Nunes, também Bonas e Ana Maria tem lugar garantido no JB. A questão é que ?pássaro na muda não canta?, e como o JB está numa fase de enxugamento e de contenção de custos, não seria sequer político anunciar demissões de um lado e, de outro, contratações (ver outras informações na matéria sobre o Jornal do Brasil)."

    
    
                     
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