Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > COBERTURA ELEITORAL

Ecos do vexame

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

MONITOR DA IMPRENSA

COBERTURA ELEITORAL

Presidentes de emissoras de TV agendaram audiência no Congresso na próxima semana para falar da cobertura da noite eleitoral. O deputado Billy Tauzin, republicano de Louisiana, disse no dia 8 de fevereiro que mudanças são necessárias porque emissoras basearam suas transmissões em modelos claramente defeituosos. Segundo Tauzin, mesmo sem intenção de ser parcial, o modelo acabou favorecendo democratas.

De acordo com Katharine Q. Seelye [The New York Times, 9/2/01], Tauzin afirmou esperar que o Congresso estabeleça um prazo para o fechamento das urnas em todo o país. Ari Fleischer, porta-voz de Bush, disse que o presidente eleito quer que o Congresso examine e reforme quatro áreas das eleições – “conserto de máquinas para que todos votem, proteção do sistema contra criminosos que votam, proteção militar de homens e mulheres para evitar violação do direito de voto”. A última: “avaliar se as projeções da TV antes do fechamento das urnas podem causar efeito prejudicial na votação”.

Entre os convocados para se apresentar à audiência de Tauzin estão David Westin, presidente da ABC News, Andrew Lack, presidente da NBC News, Tom Johnson, diretor da CNN, Andrew Heyward, presidente da CBS News, Roger Ailes, diretor da Fox News, e Ted Savaglio, diretor do Voter News Service.

Executivos das emissoras disseram estar preocupados com a possibilidade de a audiência significar o início de um processo legal de regulação da mídia.

 

COBERTURA ELEITORAL

“CNN passará a questionar projeções de pesquisas”, copyright Folha de S. Paulo, 11/02/01

“A rede de televisão norte-americana CNN anunciou na última sexta-feira uma nova política para a sua cobertura jornalística nas próximas eleições.

O objetivo é evitar a repetição do fiasco ocorrido em novembro no ano passado quando a rede apontou ora o candidato democrata Al Gore, ora o republicano George W.Bush como vencedores no Estado da Flórida, num prazo menor do que oito horas.

Na noite de 7 de novembro, as alterações foram acompanhadas madrugada adentro, ao vivo, por uma população estimada em mais de 10 milhões de pessoas, segundo a rede CBS.

Os âncoras da CNN anunciaram com toda a segurança que o democrata Al Gore havia vencido na Flórida -e passaram a tratar de forma desdenhosa as poucas chances do republicano George W. Bush. Sem ter todos os votos contados e com a mudança do quadro, algumas horas depois, o atual presidente Bush dizia não reconhecer a vitória de Gore na Flórida.

Durante a madrugada, tanto a CNN quanto as outras grandes redes, que apresentaram a mesma projeção de vitória para Gore na Flórida, baseada em pesquisa conjunta de boca-de-urna, adotaram um discurso mais cauteloso em relação a Bush. Mais alguns minutos e veio o vexame.

Um dos dois âncoras da CNN, Bernard Shaw, disse: ‘Espere, espere. A CNN está mudando nosso anúncio anterior da Flórida, que volta à lista dos Estados indefinidos’.

Investigação

Uma investigação independente, autorizada pela própria empresa, decidiu examinar o que havia ocorrido na noite da eleição e determinar as possíveis falhas.

A partir dessa investigação, foi produzido um relatório elaborado por um comitê, do qual fizeram parte James Risser, jornalista duplamente premiado com o Pulitzer e ex-diretor da Universidade de Stanford, Joan Konner, ex-reitor da Columbia School of Journalism, e Ben Wattenberg, membro do American Enterprise Institute.

O comitê analisou não só a cobertura da CNN, como também o acompanhamento feito pelo Voter News Service (VNS), uma organização que forneceu as pesquisas e os dados da votação para outras emissoras e para a agência noticiosa ‘Associated Press’.

O relatório criticou a VNS por não ter sido ‘suficientemente sofisticada’ e contundentemente dirigiu palavras ásperas à rede CNN por não ter sabido utilizar melhor as ferramentas que lhe davam condições de avaliar os dados fornecidos pela VNS.

‘Nós concluímos que a CNN falhou na sua tarefa no dia da eleição de informar precisamente o público em relação ao resultado da eleição’, disse o relatório.

Futuro

A CNN afirma que nas próximas disputas eleitorais mais acirradas não confiará nas projeções das pesquisas.

Uma das medidas será a instalação de um circuito de checagem e cruzamento de dados. A rede afirma também que não anunciará o resultado antecipadamente nos Estados em que as urnas não estiverem completamente fechadas. E, por precaução, mesmo se for anunciado que todas as urnas foram contadas e houver uma margem menor do que 1% de diferença, a CNN não deverá noticiar o resultado.

‘A nova política está desenhada para corrigir os erros que aconteceram no dia das eleições e para transmitir uma cobertura justa, correta e responsável, seguindo os padrões da rede’, diz a emissora.

Segundo a CNN, a falta de precisão pode ter sido ofuscada pela pressa. A falta de precisão e a sequência de informações desencontradas, para a rede, aconteceram porque as emissoras competem ferozmente para informar em primeira mão o resultado.

Para certo alívio da CNN, o relatório produzido pelo comitê afirmou que a empresa foi uma vítima do sistema, considerando-se que as pesquisas são cálculos estatísticos e não fatos reais.”

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