Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > AOLA

Edson Porto

Por lgarcia em 21/02/2001 na edição 109

E-NOTÍCIAS

MERCADO

"Internet rápida acelera crescimento de fornecedor", copyright Valor Econômico, 12/02/01

"Muito antes do mercado de acesso por banda larga se consolidar no Brasil, os fornecedores do setor estão experimentando grande crescimento e são, por enquanto, os maiores beneficiários do acesso rápido à internet.

Estima-se que o ano passado terminou com algo entre 180 mil e 200 mil consumidores (pessoas físicas e jurídicas) acessando a rede velozmente – divididos entre os serviços por cabo e os que turbinam as linhas telefônicas.

São números pequenos quando se olha para o volume de dinheiro que está sendo investido na criação de uma infra-estrutura para acesso rápido. O Yankee Group avalia que os investimentos nos próximos dois anos podem atingir US$ 10 bilhões.

É uma fábula de dinheiro com destino certo: poucas dezenas de empresas que produzem equipamentos para banda larga. Essas companhias, aliás, já fizeram muito dinheiro em 2000. Elas experimentaram crescimentos que variaram de 50% a 9000%. ‘O ano de 2000 foi um marco para o país na construção dessa infra-estrutura’, afirma Marcelo Abreu, diretor-geral da Tellabs, que vende equipamentos para cabo.

Grosso modo, essas companhias dividem seu mundo em dois blocos. O primeiro é ligado à infra-estrutura de transmissão, composto pelas grandes redes de operadoras telefônicas ou de comunicação responsáveis pelo tráfego de dados e de voz. O segundo bloco é o do acesso. Ou seja: a estrutura que leva toda essa capacidade para os usuários finais.

No Brasil, os dois blocos estão sendo construídos paralelamente, mas o que andou mais rápido e consumiu mais recursos é o da infra-estrutura de base. ‘Os investimentos em transmissão andaram mais principalmente porque são a base para o tráfego’, explica Foad Shaikhzadeh, diretor executivo da Furukawa, que vende cabos óticos.

Os dados da própria Furukawa mostram como se deu essa expansão. O segmento de banda larga representava, em 1999, 25% de um faturamento de R$ 350 milhões. Em 2000, já respondia por 40% dos R$ 620 milhões. Para 2001, a fábrica de cabos óticos da companhia no país está com toda a sua produção comprometida. ‘Quem fizer um pedido novo tem que espera 52 semanas’, diz Shaikhzadeh. E essa é a média dos fornecedores.

Na concorrente Alcatel, a explosão dos investimentos na transmissão fizeram o número de engernheirosengenheiros da área saltar de 60 para 130 em 2000. ‘A demanda foi forte’, afirma Albino Lopez, diretor de Tecnologia de Produtos de Transmissão.

Com uma boa base de vendas nos equipamentos de transmissão e infra-estrutura pesada, a Nortel, outra gigante do setor, viu seu faturamento com a banda larga crescer 140% no ano passado. Globalmente, o negócio de acesso rápido já representa 33% da receita total. ‘Isso dá US$ 10 bilhões por ano’, diz Celso de Oliveira, diretor de Internet Ótica da Nortel.

Se na área de transmissão a banda larga caminhou muito, o mesmo não ocorreu no acesso. Os investimentos também foram feitos, como atestam os fabricantes, mas boa parte dessa infra-estrutura ainda não chegou ao consumidor.

Há várias formas de se aumentar a velocidade de conexão dos computadores à internet. As duas que mais evoluíram no ano passado foram as que melhoram o desempenho dos fios de telefone comum e as que potencializam os cabos de TV paga.

Para as telefônicas, a grande coqueluche do ano passado – e a grande promessa deste -, foi a tecnologia xDSL, que transforma uma linha comum numa de banda larga. ‘Em 1999, esse mercado era de 2 mil linhas; em 2000, foi de 100 mil’, afirma Celso Caldas, diretor de Engenharia da Alcatel.

Muito disso, porém, não está à disposição do usuário final. ‘Vários motivos atrapalham’, diz

Milton Winckler, vice-presidente da Parks. ‘Algumas vezes a qualidade do fio telefônico é muito ruim, em outras a distância de uma central torna o uso da máquina inviável’, completa ele.

Mesmo assim, Winckler garante que as encomendas dos produtos foram altas. A Parks trabalha basicamente com equipamentos para acesso na área de banda larga e cresceu 142% no ano passado. Esses produtos já representam 54% dos faturamento da empresa, que ficou em R$ 66 milhões no ano passado.

Mas nem só de linhas telefônicas vive o acesso rápido. Existem tecnologias que exploram os cabos de TV, rádios e até satélites. A empresa de origem israelense Gilat, por exemplo, já vende às empresas do país conexão por satélite. ‘Nossa intenção para este ano é crescer não só no mercado corporativo, mas também levar o satélite para o residencial’, afirma Paulo Ricardo Pinto, presidente da Gilat. A companhia dobrou seu faturamento em 2000 para US$ 25 milhões e espera repetir um crescimento de 100% neste ano.

Para 2001, a maioria dos fornecedores de equipamentos de banda larga na área de transmissão esperam um ano igual ou melhor do que o passado. ‘Acredito que nosso crescimento ficará em dois dígitos’, avalia Celso de Oliveira, da Nortel.

A maior expectativa, porém, é na melhora do acesso. ‘Nós já estamos falando de contratos de 100 mil linhas de ADSL para 2001’, diz Caldas, da Alcatel, para quem o mercado chegará a 600 mil acessos.

Expectativa semelhante tem Guilherme Mendonça, da Siemens: ‘Esperamos crescer 100% neste ano e vender pelo menos 80 mil acessos.’

Apesar de todo esse ânimo, o ano ainda pode reservar surpresas. Da falta de dinheiro do consumidor até problemas na economia americana são apontados como fatores que podem derrubar parte dos investimentos. Por enquanto, porém, os fornecedores não estão pensando no assunto."

"AL terá serviços mais nobres e preços maiores", copyright O Estado de S. Paulo, 13/02/01

"O número de usuários da Internet chegará a 450 milhões no mundo em 2003 e 10% desse total residirá na América Latina. A região deverá apresentar um crescimento, nos próximos três anos, de 44% frente aos 20% do mundo todo.

Essas informações fazem parte de um denso e rigoroso estudo da Accenture – o novo nome da Andersen Consulting desde 1º de janeiro – a pedido e com as contribuições do Banco Santander Central Hispano (BSCH), controlador do Banespa e do portal financeiro Patagon voltado para a América Latina, e que acaba de sair do forno.

O crescimento acelerado da região, ressalva o estudo, tem a ver também com o atraso na informatização em países como o Brasil, enquanto na Europa e nos Estados Unidos as taxas de crescimento tendem, naturalmente, a ser bem menores.

A Internet gratuita, aqueles provedores como o iG, que ainda oferecem acesso aos usuários sem cobrar mensalidade, embora tenham contribuído para difundir a Web, estão com os dias contados, segundo o estudo. E a tarifa mais baixa hoje cobrada por provedores, de R$ 19,90, ou o equivalente a US$ 10, deverá dobrar de preço, aproximando-se dos US$ 20 hoje cobrados na Europa e nos Estados Unidos, além de países vizinhos. Isso só não ocorrerá se for possível aos provedores receber das operadoras um porcentual sobre o aumento de fluxo de ligações telefônicas resultantes do uso da Internet, a exemplo do inglês FreeServe.

Publicidade – Para os empresários do setor de Internet uma boa notícia: a receita de publicidade deverá aumentar na América Latina e, em particular no Brasil, onde deverá passar de 1,1% de um total de US$ 6,4 bilhões de tudo o que se investiu no segmento em 2000 para 2,8% este ano, de um bolo de US$ 6,8 bilhões, que deverá chegar a uma fatia maior, de 5,7%, em 2003, quando serão investidos US$ 7,8 bilhões.

A intenção do BSCH Investment foi a de mapear o futuro do segmento empresarial, incluindo telecomunicações, na região em que tem apostado expressivas cifras, após as derrapadas nada suaves da Nasdaq, a bolsa eletrônica de Nova York que negoccia as ações das empresas de alta tecnologia.

Para o sócio-diretor da Accenture no Brasil Silvio Genesini, uma das mais importantes conclusões da pesquisa revela que terá mais futuro portais e provedores que ofertam conteúdo, mais do que acesso à Web. Dentro dessa mesma leitura, o futuro parece também promissor para aqueles ligados à empresas de telecomunicações, mídia, bancos e transportes, com destaque para os aéreos. ‘São setores que têm muita versatilidade e necessidade de levar informações ao público com velocidade e crediblidade’, explica. ‘Além disso, esse setores têm se preparado para oferecer operações seguras, especialmente na comercialização de produtos financeiros e passagens aéreas.’

O engenheiro Genesini, formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e apontado pela revista Exame em 1999 e no ano passado como uma das 100 pessoas mais influentes no País no mundo da alta tecnologia, vê com otimismo os dados dessa pesquisa que ajudou a costurar e à qual o Estado teve acesso.

‘O mercado já está ciente do processo apontado, mas agora, quantificado com dados de que os provedores gratuitos não têm muito futuro, e estão lançando, a exemplo do iG, serviços pagos para garantir o maior equilíbrio entre receita e despesa.’ Ele ressalva, porém, que com o aumento da receita de publicidade, esses provedores, importantes para diversificar o uso da Internet, embora limitado ainda às classes A, B e C, teriam condições de garantir a sobrevivência. ‘A pergunta é até que ponto os investidores estão dispostos, hoje, a esperar pelo aumento dessa receita e se será real, sem ser fomentada por permutas.’ Também, observa ele, esses provedores e inúmeros portais foram vítimas da queda da Nasdaq, que forçou a realização de break evens – o chamado ponto de equilíbrio entre receita e despesa – mais rapidamente, porque os investidores queriam ter certeza de que o negócio seria sólido, sem se desmanchar no ar.

Genesini também chama a atenção para o fato de que muitos empresários de Internet sequer perceberam que são vistos, por investidores americanos, sobretudo os da Nasdaq, como parte da América Latina e, embora o Brasil seja o principal mercado da região, eles não têm essa visão. Com isso, prossegue ele, a empresa que se aventura a fazer um IPO – o primeiro passo para oferecer suas ações no mercado – sem mostrar que atua regionalmente, está fadada ao fracasso.

Comércio – No que se refere ao comércio eletrônico nas telas da rede mundial de computadores, o chamado e-commerce, a pesquisa mostra que a penetração atual dessas operações na região é de apenas 3% do total das vendas do setor de distribuição, sendo que o Brasil respondeu por 53% de todas as operações. De uma população estimada em 514 milhões na América Latina em 2003, a expectativa é que 44 milhões sejam usuários da Internet e 5,2 milhões consumidores, com gasto anual per capita de US$ 1,5 mil, o que representaria gastos da ordem de US$ 8 bilhões ou um crescimento de 73% em relação a 2002, quando estão previstos gastos em torno de US$ 4,6 bilhões. Em 2000, o total de 1,6 milhão de consumidores da região realizou compras anuais per capita de US$ 646, perfazendo US$ 1 bilhão. É esse potencial que atraiu a atenção dos olhares espanhóis do Santander para a região."

AOLA

"America Online recebe um aporte de US$ 150 milhões", copyright O Estado de S. Paulo, 15/02/01

"O presidente e principal executivo da America Online Latino America (AOLA), Charles Herington, anunciou ontem que o provedor de Internet recebeu um aporte de capital de US$ 150 milhões. Desse total, explicou ele, os grupos AOL Inc., subsidiária da AOL Time Warner, e Cisneros, que têm 39% de participação no negócio, entrarão com US$ 130 milhões, na forma de ações preferenciais, e o Itaú, com os restantes US$ 20 milhões, na forma de ações ordinárias (com direito a voto), perfazendo 12% do negócio.

Para Herington, esse aporte é a uma prova da confiança dos investidores no provedor, que também fechou ontem os resultados do último trimestre do ano passado. As receitas atingiram US$ 7, 9 milhões, crescendo quase 74% sobre o valor de US$ 4,6 milhões do trimestre anterior, o que não foi suficiente para garantir lucro para operação. O prejuízo líquido antes dos dividendos em ações preferenciais foi de US$ 101,8 milhões, ou US$ 0,35 por ação. ‘O prejuízo foi muito menor do que previam analistas de Wall Street, de até US$ 0,45’, desabafou ao telefone, de Nova York, onde estava ontem. Em 2000, a receita da AOLA foi de US$ 19 milhões para gastos acima de US$ 120 milhões.

Herington também se mostrou satisfeito com o aumento de assinantes na região, especialmente Brasil, Argentina e México e Porto Rico seus principais mercados. ‘Fechamos o ano passado, com 449 mil assinantes, que usam em média 30 minutos de Internet por dia, e chegamos a 550 mil de janeiro até agora, com usuários que têm o mesmo perfil’, diz.

Para o executivo, esse crescimento tem a ver com acordo do provedor com o Banco Itáu, atraindo seus clientes, e o patrocínio do Rock in Rio 3."

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