Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > ***

Eduardo Nunomura

Por lgarcia em 19/02/2003 na edição 212

BAIXARIA NA TV

“Publicitários, ONGs e produtores concordam: debate será polêmico”, copyright O Estado de S. Paulo, 13/02/03

“O que é baixaria na TV? A discussão proposta pelo Conselho de Acompanhamento da Mídia promete capítulos promissores para a campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania, iniciada em novembro. Para publicitários, baixaria é tudo aquilo que falseia a realidade, mente ou engana o telespectador. Para representantes de ONGs que lutam pela qualidade da televisão brasileira, são os diversos programas que apelam para a pornografia ou a exploração humana. Para produtores de alguns programas, o que os concorrentes exibem.

?Estamos invertendo as bolas, rotulando o que vem a ser baixaria. Não faz sentido num País livre como o Brasil?, questiona o presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade e também da Ogilvy & Mather, Sérgio Amado. Segundo o publicitário, a discussão sobre o que é ou não de qualidade na TV tem de ser feita pela sociedade, por parlamentares e donos de emissoras. ?Fazer uma campanha contra os anunciantes desses programas vai ter resultado? Temos de tomar cuidado para não caminharmos para a censura.?

Para a psicóloga Oriana White, da ONG Mídia da Paz, a melhoria da qualidade da televisão brasileira passa pela educação dos telespectadores e pelos formadores de opinião. ?Esse caminho (de rotular a baixaria na TV) é um atalho e pode levar a resultados rápidos, mas não consistentes.? Para a psicóloga, conscientizar os anunciantes de que não vale a pena associar um produto a um programa apelativo tem mais efeito.

O vice-presidente da ONG TVer-MG, Paulo Roberto Ceccarelli, acredita que a população pode, num primeiro momento, confundir baixaria com moralismo, denunciando programas não necessariamente de baixa qualidade. Mas isso tem seu lado salutar. ?Pode ser uma posição radical, mas mobiliza uma discussão e põe na mesa algo que não está sendo dito claramente?, afirma. ?Muitos programas fazem a reciclagem da miséria e a exploram só para conquistar audiência.?

Respostas – A coordenadora de produção do programa Eu Vi na TV, Sônia Aires, discorda do levantamento feito pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. ?Onde há exploração humana e pornografia no programa do João Kleber? Não há.? Exibido pela RedeTV às segundas-feiras, ao vivo, e aos sábados, em reprise, o programa foi o campeão desse levantamento. ?O nosso público curte, as crianças e os adultos mandam cartas pedindo mais pegadinhas. Todas as pessoas que vão ao ar deram autorização para isso?, diz.

Em segundo lugar no levantamento, o Programa do Ratinho, do SBT, tem uma média de audiência de 18 pontos. Ao saber que ficou para trás no ranking, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, ironizou: ?Que pena, perdemos o posto do primeiro lugar?? Segundo ele, a enquete não serve para desqualificar o seu programa. ?O deputado (Orlando Fantazzini) se embasou num universo muito pequeno, o da internet. Não são dados que espelham os milhões de telespectadores da TV?, rebate.”

“Gugu e Faustão também entram na mira da campanha contra a baixaria”, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 12/02/03

“Domingo Legal, que Gugu Liberato comanda no SBT, e Domingão do Faustão, da Globo, também estão entre os piores programas da TV brasileira, de acordo com os telespectadores que enviaram críticas à campanha ?Quem financia a baixaria é contra a cidadania?, lançada em novembro pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. As atrações só perderam para os programas de Sérgio Mallandro, João Kleber e Ratinho, os campeões da baixaria, segundo as reclamações recebidas via internet, 0800 e pela central de atendimento ao cidadão da Câmara.

Eu vi na TV, atração cheia de pegadinhas que João Kleber apresenta na Rede TV, foi o mais apedrejado por apresentar exploração humana e pornografia. Ratinho vem em seguida, com a maior variedade de críticas. Seu programa é acusado de exploração humana, de conflitos pessoais e de orientação sexual. Sérgio Mallandro é acusado ?apenas? de discriminação por orientação sexual. Num geral, as críticas se dirigem contra os palavrões proferidos pelos apresentadores, pelo erotismo barato na TV e pela exploração da miséria humana.

Na lista de denúncias aparecem ainda Raul Gil e Xuxa, cujas críticas não foram discriminadas. Entre os e-mails e telefonemas recebidos pela campanha, neste primeiro momento, foram elencados, no total, 28 programas.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Acompanhamento da Mídia fez sua primeira reunião. Os pareceres elaborados por cinco conselheiros identificaram nos programas a exploração sexual, o constrangimento moral, a exploração por orientação sexual, a discriminação, o estímulo à violência, entre várias formas de violação aos direitos humanos.

O Conselho de Acompanhamento da Mídia está discutindo a formação de um grupo, dentro do Conselho, para estudar a criação de uma Organização Não-Governamental que implementaria ações contra a baixaria na TV. Esta ONG precisa ser criada para receber suporte financeiro da Unesco, uma vez que a Comissão não pode receber dinheiro.”

***

“Sérgio Mallandro, João Kléber e Ratinho são os piores da TV”, copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 11/02/03

“O Programa Sérgio Mallandro e Eu vi na TV, de João Kleber, ambos da Rede TV, e o Programa do Ratinho, do SBT, foram eleitos os piores da televisão brasileira. As atrações foram as que mais renderam reclamações à central de atendimento da campanha ?Quem financia a baixaria é contra a cidadania?, lançada pela Comissão de Direitos Humanos em novembro do ano passado. Desde então, a comissão vem recebendo críticas e denúncias via internet, 0800 ou pelo atendimento ao cidadão da Câmara.

A Comissão de Direitos Humanos, que integra a campanha, faz nesta quarta-feira a primeira reunião do Conselho de Acompanhamento da Mídia para dar parecer sobre programas de TV aberta do país considerados de má qualidade e ofensivos à cidadania e aos direitos humanos.

Eles devem ser os primeiros a receber parecer dos conselheiros. O deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos, afirma que a campanha vai divulgar os nomes dos programas considerados como ?baixaria? e estimular as pessoas a não comprarem os produtos dos patrocinadores de tais programas.

O Conselho de Acompanhamento da Mídia, diz o deputado, também pretende conversar com os produtores e patrocinadores dos programas, mostrando onde há desrespeito aos direitos humanos. Caso não haja mudança, deverá ser feita uma ampla campanha para que as pessoas deixem de assistir aos programas.

Nos Estados Unidos, são as organizações não-governamentais, como as de consumidores, de usuários de TV, de pais e mães de famílias, que exercem pressões contra os patrocinadores de programas de televisão de baixo nível. E o argumento que usam é muito simples: dar dinheiro para um programa de baixo nível na televisão é associar um produto ou serviço com a baixaria. Já houve campanhas de boicote a produtos de empresas patrocinadoras de programas indecentes, que os tiraram do ar em pouco tempo.

Também a partir desta quarta, estará disponível aos cidadãos o site da campanha, que será o www.eticanatv.org.br. Será um espaço para sugestões, críticas e denúncias. O internauta também poderá conhecer as leis nacionais e internacionais que regulam o setor, ler artigos de opinião e pesquisas e acessar outros sites relacionados a direitos humanos, ética, cidadania e mídia. (Com Agência Câmara)”

“Ranking desmoraliza campanha contra baixaria”, copyright Folha de S. Paulo, 13/02/03

“Talvez a melhor iniciativa contra o baixo nível de parte da programação da TV brasileira, a campanha Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania, da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados, está sendo desmoralizada pelas emissoras por causa de um ranking no mínimo equivocado.

O ranking, divulgado anteontem em Brasília, reúne apenas 62 reclamações coletadas pela campanha em dois meses e coloca no mesmo balaio programas como os de João Kléber (Rede TV!), Ratinho e Gugu Liberato (SBT) com os de Xuxa, Serginho Groisman e Ana Maria Braga (Globo) e Adriane Galisteu e Raul Gil (Record). Confunde baixaria (desrespeito aos direitos humanos, segundo cartilha da própria campanha) com qualidade questionável.

De acordo com o ranking, o infantil ?Xuxa no Mundo da Imaginação? é mais nocivo do que o ?Hora da Verdade?, de Márcia Goldschmidt (Band). O programa de Xuxa aparece em quinto lugar no ranking, com quatro manifestações. O da Band, com duas denúncias, vem em oitavo.

As manifestações contra Xuxa foram provocadas por causa de uma personagem, a bruxa Keka, que dá maus exemplos. Mas ela sempre se dá mal no final.

Serginho Groisman entrou no ranking porque um telespectador escreveu que seu ?Altas Horas? é ?voltado para o besteirol?.

João Kléber lidera o ranking, com 11 reclamações, seguido por Ratinho (oito) e Sérgio Mallandro (Rede TV!) e Gugu Liberato (cinco cada). Raul Gil e ?Domingão do Faustão? tiveram três. Os demais, dois ou uma reclamação.

?Além da pouca expressividade do resultado desse movimento, o que se verifica são manifestações preconceituosas e elitistas, mais parecendo de pessoas que simplesmente não gostam de televisão?, diz Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.

?Lamento ter perdido prestígio. Sempre fui o primeiro?, ironiza Carlos Massa, o Ratinho. Record, Rede TV! e Band não quiseram se manifestar. O deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), presidente da CDH, defende o ranking. ?Estamos sendo fiéis àquilo que os telespectadores relataram?, diz.”

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