Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Eduardo Ribeiro

Por lgarcia em 10/07/2002 na edição 180

IMPRENSA EM CRISE

"Safra de notícias ruins inferniza nossas vidas", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 3/7/02

"Parece Jason, personagem do filme Sexta-feira 13, que sempre ressuscita. Assim tem sido o nosso mercado nos últimos meses. Quando parece que a safra de más notícias se encerrou definitivamente, elas ressurgem, com vigor que assusta e desespera.

A Editora Globo voltou a cortar e no mercado só se fala que também tevê e jornal farão ajustes. Daniel Castro, da Folha de S. Paulo, na sua coluna Outro Canal, bancou uma informação que fala em 20% de corte no orçamento da tevê. A emissora desmentiu a notícia, mas implicitamente deixa claro que está em curso um processo de ajuste.

O Valor Econômico, conforme corre em várias redações de São Paulo, e mesmo ali no prédio do Jaguaré, estaria preparando-se para anunciar um corte de 10% na folha de pagamento. Corte que seria inicialmente de 15%, mas que depois de intensas negociações entre direção e acionistas teria sido reduzido para o novo patamar. O jornal, no entanto, ainda não se pronunciou oficialmente a respeito, e é grande a expectativa em torno do assunto.

Na Forbes Brasil, publicação que ao ser adquirida por Nélson Tanure sofreu um forte ajuste, houve novo corte, na última semana. Quatro colegas deixaram a redação, entre eles o diretor Ricardo Galuppo.

A situação é tão desconfortável e os colegas andam tão desconfiados e desacoroçoados que hoje, dentro das redações, começa a valer a máxima ?no news, good news?, numa clara alusão de que a ausência de notícias é já em si uma boa notícia.

Imaginemos, então, o que poderia acontecer com esse segmento num quadro de recessão, coisa que, efetivamente, está longe de acontecer no País, ao menos nesse momento."

***

"Nichos de mercado podem ser saída para novos negócios", copyright Comunique-se, 4/7/02

"Em 1979, logo após a histórica greve dos jornalistas de São Paulo, a maior parte das empresas jornalísticas promoveu uma das mais violentas perseguições já registradas na área, colocando na rua centenas de profissionais, independente de sexo, credo, cor, idade ou estado civil. Foram democráticos e generosos na distribuição de cartas e telegramas de demissão, numa inequívoca demonstração de imaturidade empresarial (o mesmo valendo para os grevistas).

Sem empregos ou marcados pelos patrões, muitos desses colegas se viram na contingência de abdicar de seu trabalho em redação (ao menos na chamada grande imprensa), partindo para o outro lado do balcão, seja nas nascentes assessorias de imprensa e mesmo nas áreas de comunicação das médias e grandes corporações.

O talento que a imprensa perdeu, o segmento da comunicação corporativa ganhou, permitindo que uma série de novos negócios surgisse, particularmente para suprir as companhias de serviços terceirizados, entre eles assessoria de imprensa, clipping, publicações corporativas, consultorias etc.

De um certo modo, estamos vendo esse filme novamente, agora numa crise sem precedentes em nosso mercado – sobretudo se considerarmos a mídia impressa (nos meios rádio e tevê, a situação não se mostrou tão grave) – provocada não por uma greve mas sim pela abrupta queda de receita dos veículos de comunicação.

Diante da inexistência de vagas e do encolhimento das redações, muitos colegas têm procurado uma espécie de terceira via para a sobrevivência, iniciando empreendimentos dentro e mesmo fora da área de comunicação.

Um desses exemplos vem do perseverante Wilson Marini, colega que atuou por muitos anos no Estadão e que, depois, especializou-se na chamada imprensa regional, atuando como editor-chefe primeiro do Correio Popular (Campinas) e em seguida do Diário da Região (São José do Rio Preto). Entre esses dois empregos, numa primeira tentativa, três ou quatro anos atrás, ele lançou o Fax Regional, informativo semanal com notícias da mídia regional, que circulava por assinatura paga. Desistiu do produto, mas não da idéia de ter seu próprio negócio e, recentemente, através da sua Marini – Jornalismo Regional (fone (18) 3608-1644; e-mail wsmarini@terra.com.br), lançou um clipping eletrônico diário, de abrangência nacional, voltado para o segmento empresarial. Com parceiros em várias localidades, ele produz diariamente um clipping dos principais jornais, revistas e sites do País para estar disponível nos computadores dos clientes até às 9h da manhã.

Outra colega que também decidiu empreender é Paula Quental, repórter experiente com passagens por Estadão, IstoÉ Gente, Jornal do Brasil, que acaba de anunciar a abertura da Meios Agência de Comunicação, ou simplemesmente Agência Meios (fone (11) 3812-3134; e-mail meios@uol.com.br), para atuar como provedora de conteúdo para jornais, revistas e internet. A empresa nasce tendo entre os seus clientes o portal do ABN Amro Real e o site do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – IEDI.

Domingos Fraga, ex-diretor de Redação da Quem e ex-redator chefe da IstoÉ, também jogou a toalha e empenha-se, agora, em viabilizar sua própria editora, tendo já anunciado que pretende lançar, nos próximos meses, quatro revistas, cada uma delas num diferente nicho de mercado.

Antonio Ximenes (ex-chefe de Redação da sucursal do JORNAL DO BRASIL, em SP), de volta à capital paulista há dois meses, está anunciando a criação da Xis Comunicações, agência de textos, reportagens e consultoria em comunicação. Nesses mais de dois anos longe, ele esteve na Europa (estudando o Mercado Comum Europeu) e em Brasília (coordenando a comunicação da antiga Sasse, seguradora da Caixa Econômica Federal, que foi comprada pela seguradora francesa CNP Assurances). Seus telefones são (11) 3064-8301 e 9632-6562 e o e-mail antonio.ximenes@terra.com.br.

Na última semana foi a vez de Ricardo Galuppo, diretor de Redação da Forbes Brasil (e também ex-Veja e ex-Exame), anunciar publicamente (e o fez no editorial da última edição da Forbes que dirigiu) sua adesão ao mundo dos negócios, no segmento editorial. Apenas não revelou detalhes, mas certamente será um a menos para concorrer às escassas vagas existentes (sobretudo em cargos de direção) e possivelmente um a mais a gerar empregos.

Sinais dos tempos, reflexos da crise."

 

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

"ANJ debate acesso à informação pública", copyright O Estado de S. Paulo, 6/7/02

"Para discutir o direito à informação pública, o Comitê de Liberdade de Expressão da Associação Nacional de Jornais (ANJ) realiza na segunda-feira, em São Paulo, o seminário Direito de Acesso a Informações Públicas. Serão quatro palestras que ocorrerão no auditório da Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F), no centro, a partir das 9 horas.

O evento é direcionado a diretores, repórteres, chefes de redação e editores de jornais de todo País associados à ANJ, além de advogados dos departamentos jurídicos das empresas. ?A discussão desse tema é importante para o Brasil, pois o direito à informação pública não é somente para uso do jornal, é do povo, que deve saber o que está ocorrendo nas administrações públicas?, diz o vice-presidente da ANJ, Mário Gusmão, responsável pelo comitê.

Segundo o diretor do comitê e diretor da Sucursal do Rio da Folha de S.Paulo, Marcelo Beraba, apesar de a Constituição garantir esse direito, os jornais, na prática, sempre sofrem para conseguir todas as informações. Para ele, o assunto é pouco tratado nas redações e considerado normal pelos jornalistas, que se habituam com as dificuldades. ?A transparência de documentos como orçamentos e estatísticas é a única forma de controle das administrações públicas. É evidente que vivemos em uma democracia parcial.?

O primeiro tema – o direito à informação pública – será conduzido pelo secretário-geral da organização não-governamental Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo. O seminário também vai falar da legislação brasileira e internacional. O palestrante será o jornalista e professor de Jornalismo da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, Rosental Calmon Alves, e o diretor de Relações Institucionais da RBS e coordenador de Relações Governamentais do Comitê de Assuntos Jurídicos da ANJ, Paulo Tonet Camargo.

Eles mostrarão como repórteres de vários países conseguem informações de órgãos públicos. Nos Estados Unidos, por exemplo, há leis do âmbito federal ao municipal que asseguram esse direito.

A terceira palestra, Como enfrentar os casos de ocultação e manipulação de informações, será comandada pelo repórter especial da Folha de S. Paulo Fernando Rodrigues e pela editora da IstoÉ em Brasília Sônia Filgueiras.

No encerramento do evento serão apresentadas conclusões e propostas pelo relator Roberto Gazzi, editor-executivo de O Estado de S. Paulo. Informações e inscrições no site www.anj.org.br."

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