Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > SOB NOVA DIREÇÃO

Eduardo Ribeiro

Por lgarcia em 14/05/2003 na edição 224

ÉPOCA SOB NOVA DIREÇÃO

“O futuro de Época”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 9/05/03

“A revista Época vai ter, a partir desta segunda-feira, seu quarto diretor de Redação, em quatro anos de vida. Sai Paulo Moreira Leite, após um ano e meio no cargo, e entra, em substituição a ele, Aluizio Falcão Filho, atual publisher da Forbes Brasil, e principal articulador da ressurreição do título, quando os antigos investidores do Banco Opportunity dele se desinteressaram. São dois perfis profissionais muito diferentes, mas nem por isso opostos, sobretudo no que diz respeito à concepção do que seja um bom jornalismo e do que seja um produto jornalístico de respeito. Os dois, aliás, têm na própria carreira o principal aval para os vôos que iniciarão nessa próxima temporada.

Paulo é o que se poderia chamar de um puro-sangue, um profissional inquieto, que vive e respira o furo, a edição, a notícia, a guerrilha jornalística, e o faz com raro talento, tendo ainda a seu favor o carisma e uma boa mão para armar equipes. Conhecedora de todas essas qualidades (os defeitos deixamos para seus desafetos apontarem), as Organizações Globo, que de bobas não têm nada, trataram de mantê-lo consigo, evitando uma eventual migração para a concorrência. De quebra, ficam com um dos profissionais que mais conhecem a alma do PT e do atual poder no País e um dos únicos com acesso direto e permanente, por exemplo, ao presidente Lula.

Aluizio, após importantes experiências na mídia (Exame e tevê Globo, entre elas) e na comunicação corporativa (como diretor de Comunicação do HSBC, na equipe de Tom Camargo, logo que o banco se implantou no País), chegou à Editora Camelot, a convite de Antonio Machado de Barros, para ser diretor editorial e publisher da empresa, vindo a assumir, por força das circunstâncias do negócio, responsabilidades que foram muito além, incluindo a difícil negociação com a Multimídia, de Nelson Tanure, para salvar o título e, por conseqüência, mais de uma dezena de empregos. E o fez com muita habilidade. Arrisco dizer que ele é hoje um dos poucos nomes no Brasil a exercer com maestria a função de publisher, seguindo a escola de Thomaz Souto Correia, o grande mestre e maior nome do País no segmento de revistas.

Claro que sobre o futuro de Época só mesmo a família Marinho pode falar, do mesmo modo que sobre a Editora Globo, como um todo, que vem há tempos passando por sacrifícios acima do suportável. Mas vemos, nessa mudança, algumas pistas. Uma delas é de que a empresa quer efetivamente fortalecer o negócio, como um todo, aproveitando a fase de consolidação da revista para, agora, incrementar de forma vigorosa novos projetos e negócios. Trazendo alguém com o perfil do Aluizio pode, tranqüilamente, buscar esse caminho, sem sacrificar ou mutilar o editorial, o que nem seria estratégico ou inteligente, uma vez que a revista vem de forma crescente ganhando prestígio e espaço.

Aluizio terá de administrar, no caso específico de Época, também a série de boatos que tem tomado conta do mercado, em função da delicada saúde financeira das Organizações Globo. Um deles é o de que a Editora estaria reduzindo ao mínimo sua operação, para ganhar tempo e esperar possíveis compradores, valendo também isso para Época.

Claro que ele tem plena consciência de que não vai encontrar um mar de rosas, mas uma oportunidade como essa, de dirigir a segunda maior revista semanal do País, não surge na vida de um profissional a todo o momento. Aluizio, que é jovem mas não inexperiente, sabe que um convite como esse coroa a carreira de qualquer profissional, mesmo que o caminho seja de espinhos e de ossos difíceis de roer.

Encontrará uma equipe de qualidade, afinada, mas abalada pelos últimos acontecimentos internos, da empresa. Terá de enfrentar isso com urgência, sobretudo para ganhar a confiança da redação e, ao mesmo tempo, se impor.

Mudanças? &EacuEacute; até natural que ocorram, mas a revista, caso queira manter a posição estratégica que conseguiu atingir no mercado, terá de continuar apostando em qualidade e numa equipe de alto nível. Se tiver de sacrificar muito a folha de pagamento (um dos temores de quem lá trabalha), terá de apostar em cortes e aí a coisa pode se complicar no médio e longo prazo, uma vez que as concorrentes diretas – Veja e IstoÉ – não vão perder a chance de, na medida do possível, ganhar espaço sobre ou se distanciar dela.

De outro lado, o novo diretor encontrará uma equipe formada por Paulo Moreira Leite e que, literalmente, vestia a sua camisa e o seu jeito de ver e fazer uma revista semanal como Época. Se vão aceitar Aluízio, com naturalidade, e vice-versa, saberemos em poucas semanas. Mas Aluízio não é de fazer desmanche e deu provas suficientes disso na Forbes, conseguindo, mesmo nos momentos mais graves da crise, manter quase intacta a equipe que para lá levou. Como sai, em tese, de bem com o grupo JB, e, ainda em tese, deixa uma revista da qual é pai e fiador, é de se supor que não fará parte de seu script tirar de lá colegas para levar para Época.

Além disso, ele sabe que encontrará uma revista muito forte em política e economia e que também em momento algum se descuidou da área de geral-comportamento e cultura, o que se vê pelo número de matérias e reportagens de alto calibre e repercussão que foram capa, como Igreja Renascer, Harry Poter, solidão, depressão, entre outras. Se essa análise estiver correta, o que acabará ocorrendo são pequenos ajustes e não um desmonte da atual equipe. A grande incógnita será realmente o staff, o time de confiança, que envolve sobretudo os editores-executivos. Aluízio dependerá demais de seus executivos, sobretudo se assumir efetivamente o perfil de publisher, como se espera, e aí a confiança e a afinidade, mais do que nunca, serão decisivas para a empreitada. Se vão ou não se entender, começaremos a ver já a partir desta segunda-feira.”

“?Época tornou-se a melhor semanal?”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 6/05/03

“?Época entrou no jogo, tornou-se leitura obrigatória e referência na vida de leitores comuns e também de personalidades influentes. Temos credibilidade e prestígio?. Este é o balanço de Paulo Moreira Leite, que durante um ano e meio esteve à frente da revista Época. Ele deixará em breve a direção de redação da publicação para se tornar correspondente de O Globo em Nova York.

Moreira Leite afirma que, durante o tempo que exerceu o cargo de diretor de redação, ?Época ganhou leitores, como se comprova pelos números da Marplan sobre 2002, Veja perdeu leitores, ISTOÉ ficou parada no mesmo lugar?. Segundo o jornalista, Época cresceu dois por cento, ?porcentagem respeitável quando se recorda das incertezas que acompanharam o país no ano passado. Nosso índice de renovação de assinaturas cresceu mais de 100%. Mas a principal vitória envolve o posicionamento da revista?.

Ele explicou que sua preocupação sempre foi prestar atenção nos assuntos que atingem diretamente a classe média, como violência e drogas. ?Não temos receio de fazer reportagens em profundidade sobre o tema. Época é uma revista que tem opinião mas se orgulha de ser isenta e respeitar a inteligência do leitor. Isso ficou claro na cobertura da campanha presidencial. As revistas semanais publicaram três reportagens que ajudaram a fazer a história da eleição: as investigações sobre Roseana Sarney, as denúncias contra o tesoureiro tucano Ricardo Sérgio e a entrevista com o candidato Ciro Gomes. Dessas três reporgagens decisivas, duas saíram em Época. Ao mesmo tempo, nossa cobertura foi considerada a mais isenta entre os órgãos de imprensa escrita?.

?Época tornou-se a melhor revista semanal porque costuma sair na frente em assuntos importantes. Foi assim na campanha presidencial, mas também no debate sobre cotas na universidade e sobre pedofilia, para citar dois exemplos de memória?, completa.

Quanto a voltar a fazer reportagens, ele está animadíssimo. Essa não é a primeira vez que Paulo Moreira Leite será correspondente internacional. Nos anos 80, ele escrevia, de Paris, para Veja. Entre 2000 e 2001, foi correspondente em Washington da Gazeta Mercantil.”

“Aluizio Falcão Filho na Época”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 8/05/03

“Aluizio Falcão Filho vai deixar a Forbes Brasil, onde ocupa o cargo de publisher, para assumir a direção de redação de Época, no lugar de Paulo Moreira Leite. O anúncio, segundo fontes, será feito às 18h desta quinta-feira (08/05).

O jornalista foi um dos primeiros nomes da extinta Editora Camelot, chamado por Antonio Machado de Barros para compor a equipe da empresa. Falcão Filho enfrentou a crise da revista depois da decisão do Grupo Patrimônio de abandonar o negócio no meio do contrato com a Forbes americana. Foi ele quem encabeçou as negociações com os diversos grupos interessados na publicação. A Multimídia, controladora do Jornal do Brasil, passou a ser a detentora dos direitos de publicação da Forbes Brasil.

Falcão Filho, que deve assumir a direção de Época na próxima segunda-feira (12/05), também foi diretor de Comunicação do HSBC e passou pela Exame, entre outros veículos.”

 

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