Domingo, 22 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Eduardo Ribeiro

Por lgarcia em 05/12/2001 na edição 150

CRISE E CAPITAL ESTRANGEIRO

"Cortes ainda não chegaram ao final", copyright Comunique-se, 29/11/01

"Ainda não será no começo de dezembro que a vida nas redações chegará ao normal. Teremos na próxima semana mais demissões. Infelizmente. Há ainda empresas que não fizeram ajustes e que deverão fazê-lo provavelmente em breve.

Jornalistas&Cia apurou que uma das mais importantes emissoras de rádio de São Paulo, por exemplo, já está discutindo a questão e deverá anunciar no início da semana alguns cortes. O mesmo se comenta em relação a um dos diários paulistas, que teria adiado o corte para a primeira semana de dezembro, conforme informado para a própria equipe. Não é a Folha de S. Paulo, empresa que tem conseguido dissipar os rumores de corte com naturalidade, permitindo duas interpretações: 1. não vai mesmo haver enxugamento no jornal (na verdade a empresa já havia feito um ajuste no primeiro semestre); 2. é muito competente na arte de dissimular.

Tudo faz crer que a primeira assertiva seja a verdadeira.

Falou-se e fala-se muito também em cortes na Rede Globo, mas a empresa não demonstra nenhum nervosismo que pudesse levar o mercado ou seus funcionários a pensar na chegada do passaralho. Pode até ser, mas não se pode esquecer que teremos pelo menos dois grandes eventos jornalísticos pela frente, em 2002: Copa do Mundo e Eleições, ambos extremamente dependentes da mão de obra jornalística.

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"Revistas da Editora Globo também demitem", copyright Comunique-se, 29/11/01

"Realmente é de impressionar. O efeito cascata das demissões no mercado editorial é dramático. Colegas com 60, 65 anos dizem nunca ter visto nada igual em todos esses anos. O passaralho tem visitado redação por redação, cumprindo um ritual perverso e cadenciado (com o perdão da palavra) de causar arrepio no mais alheio e frio cidadão.

E tudo começou lá atrás com a implosão de dezenas de sites e portais, passando pelo quase fechamento da sucursal de O Globo, em São Paulo, semanas atrás, e pelo brutal corte efutado pelo Estadão, dispensando quase 60 profissionais. Desde então, as empresas jornalísticas plugaram-se nesse ambiente e, seja por necessidade real, seja por osmose, fizeram também seus ajustes. O número mágico é 15% da folha da pagamento, não em vagas, mas sim em valor. Certamente há, nesse bolo, empresas que nem precisariam fazer tal ajuste, e só o fizeram porque a concorrência fez, aproveitando o momento para economizar um dinheirinho.

Seria leviano afirmar que foi isso que aconteceu na Editora Globo, mas ela também decidiu fazer seu ajuste, exigindo que praticamente todas as redações da casa dessem sua cota de sacrifício. Incólumes apenas Época (que vive um bom momento) e Marie Claire. Quanto as demais…

Num levantamento preliminar e incompleto feito por Jornalistas&Cia em algumas das principais publicações da empresa, contabilizamos pelo menos 17 baixas (incluindo duas vagas congeladas e a demissão da jornalista que cuidava da assessoria de imprensa e comunicação da empresa, Lúcia Faria).

Esse número é maior e pode chegar a 30 demissões, conforme se divulgou no final da última semana. Redação por redação, as baixas foram as seguintes:

Quem e Globo Rural perderam, por enquanto, uma vaga cada, que estavam abertas e foram congeladas (com isso não precisaram demitir).

Na Pequenas Empresas Grande Negócios foram três cortes – o editor Ricardo Osman e os repórteres Eliete Albuquerque e Cátia Rodrigues -, mesmo número

da Galileu, que perdeu os editores Dante Grecco e Gabriela Scheinberg e Vera G. Lerner, da arte.

Na Casa & Jardim, saíram as produtoras Bia Barros e Elisa Soveral. Também a Crescer entrou com sua cota de sacrifício, com a saída do secretário de Redação Marco Antonio dos Santos e das trainées Solange Bassaneze e Regina Valente Bueno.

Criativa trocou o comando: saiu Ivan Miziara e em seu lugar entrou Cecília Marra (ex-diretora de Arte de Época).

Na Autoesporte, saíram Gilberto Dionísio e Augusto Botelho."

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"Demitidos desautorizam acordo do Sindicato com a Mercantil", copyright Comunique-se, 29/11/01

"Está longe ainda de um final menos infeliz o caso Gazeta Mercantil, sobretudo no que diz respeito à situação dos demitidos. E em relação aos que estão trabalhando, a situação não é tão mais confortável, já que terão de contentar-se nos próximos meses com 50% do salário, apostando, conforme promessa da empresa, em que o acerto final venha em março.

Sobre os demitidos, fonte ouvida nesta quarta-feira (28/11) por Jornalistas&Cia diz que alguns dos demitidos desautorizaram o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo a assinar qualquer acordo com a empresa, entendendo que as propostas (encerrado oficialmente o movimento coletivo) deverão ser negociadas individualmente.

Esta fonte diz que ninguém assinará um cheque em branco para a empresa, até porque até aqui ela não se mostrou confiável. ‘Um acordo que preveja o pagamento aos demitidos em dez parcelas, a partir de março, como se aventa, é impensável, pois há hoje entre nós gente que já vendeu carro, imóvel e outros bens para sobreviver’, diz essa fonte. Acrescenta que ‘assinar um acordo nesses termos, seria uma rendição, uma humilhação, e por esta razão orientamos o Fred Ghedini (presidente do sindicato) a ouvir tudo o que a empresa tem a dizer e a oferecer, sem assumir qualquer compromisso em nosso nome. Vamos, individualmente, avaliar o que fazer’.

Por conta das circunstâncias, vários dos colegas afastados do jornal passaram a estudar e a conhecer minuciosamente a legislação trabalhista e os desdobramentos possíveis deste episódio. A empresa, segundo avaliam, quer o acordo pois com isso ganharia tempo e ficaria mais despreocupada em relação às reclamações (uma vez feito o acordo, qualquer nova demanda será em cima do que ficou acordado e não mais sobre os direitos totais, inclusive multas trabalhistas). Além disso, pouparia para ela alguns milhares de reais, tanto pela negociação em si, quanto pelas custas processuais.

Como daqui para a frente os processos são individuais e como a empresa já informou que vai recorrer até a última instância (o que significa pelo menos seis anos de briga), terá de pagar para cada instância a qual recorrer (e deverão ser duas para cada processo) o valor de R$ 3 mil. Como poderá ter pela frente pelo menos 80 processos, se for recorrer duas vezes de cada um (R$ 6 mil) terá de desembolsar perto de R$ 500 mil.

Os colegas demitidos, pelo que padeceram até aqui, dizem que qualquer acordo passará necessariamente pela garantia formal de pagamento, ainda que com bens pessoais do presidente Luiz Fernando Levy. Sem isso e sem muito mais a perder preferem o desgaste de uma ação, mesmo correndo o risco de um final infeliz, do que continuar fazendo o jogo da empresa. Consideram que as demissões por justa causa, por exemplo, foi um jogo sujo, feito para desestabilizar o movimento. Conseguiram, mas esse aparente sucesso, no entanto – dizem – não retirou de grande parte dos profissionais a dignidade e a determinação de fazer valer os seus direitos. ‘Temos remotas esperanças de que a empresa faça uma proposta aceitável e dê garantias de que vá cumpri-la. Mas não aceitaremos ser humilhados e exigimos, após tantos anos de colaboração, um tratamento altivo e descente’, finaliza."

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"Na Abril, vida vai voltando ao normal", copyright Comunique-se, 29/11/01

Ouvido por Jornalistas&Cia, um alto executivo do Grupo Abril disse que as coisas por lá, passado o furacão das demissões, estão mais calmas e a vida vai voltando ao normal. Com um detalhe (o qual não deixa de ser um alento): a empresa já voltou a pensar em novos projetos (incluindo o lançamentos de revistas).

Isso não vai, obviamente, trazer os 400 empregos de volta no curto prazo, mas ao menos nos dá a quase certeza de que os cortes cessaram e, em havendo investimentos em novas publicações, devem retomar proximamente as contratações.

Pelo que Jornalistas&Cia pôde inferir das várias conversas com colegas da empresa, houve um grande movimento entre as redações no sentido de ‘minimizar as perdas’. Pegue-se, por exemplo, o caso do núcleo de Guias, que já havia feito uma reestruturação semanas atrás, quando Caco de Paula (ex-Veja São Paulo) chegou para dirigi-lo.

Com uma vaga em aberto e a impossibilidade de abrir mão dela, o núcleo absorveu um dos repórteres da Vejinha que estavam na lista de dispensa da empresa.

No Grupo Exame deu-xe o mesmo. A revista Exame, maior núcleo do grupo, viu-se obrigada a cortar duas vagas de editores – um deles saiu espontaneamente para outro emprego – mas em compensação absorveu os sete colegas da Negócios Exame, descontinuada. Hélio Gurovitz, diretor daquele núcleo, passou a editor executivo da revista, cargo que acumulará com o de diretor do portal de Exame.

O Grupo Casa Cláudia pôde diminuir o impacto dos cortes ao incluir nas contas a transferência que fez do título Manequim para a Diretoria Multitemática, que abriga as femininas da Abril (Manequim, aliás, historicamente sempre pertenceu a esse grupo de revistas). Houve, com a decisão, um enxugamento natural de custos, sobretudo na área comercial, poupando ‘algumas vidas’. Ainda assim, teve de cortar na carne cinco vagas, corte que foi distribuído pelas publicações do Grupo (Casa Cláudia, Bons Fluidos, Arquitetura & Construção).

Na revista Veja, que pela primeira vez na história da Abril entrou de forma tão intensa num corte, o ambiente também serenou. Nunca antes, a publicação semanal mais importante do País demitiu um número tão grande de profissionais – 28 no total, considerando as várias editorias e sucursais.

Placar, publicação que historicamente sempre viveu na corda bamba, garantiu-se para a próxima temporada. Com louvor, diga-se de passagem. Tem, obviamente, que torcer para que vingue um projeto ambicioso e inédito que a Abril acaba de formatar: o Pacote Copa do Mundo, que poderá render-lhe a bagatela de R$ 25 milhões, caso venda as cinco cotas que vai colocar no mercado publicitário. Por esse pacote, o selo Placar dará suporte a uma série de publicações e iniciativas com vistas à Copa do Mundo de 2002, programada para Japão e Coréia.

O núcleo produzirá guias turísticos, encartes sobre a Mulher na Copa etc, produtos que poderão ser concebidos e produzidos sob medida tanto do ponto de vista dos eventuais patrocinadores, quanto do perfil das diferentes publicações. Diz um alto executivo da empresa que cada produto criado ‘terá a pegada e o jeito da publicação que o abrigar’."

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