Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES >   PRÊMIO CNT

Eduardo Ribeiro

Por lgarcia em 16/12/2003 na edição 255

MÍDIA & MERCADO

“As boas notícias estão de volta”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 10/12/03

“Em que pese termos ainda algumas notícias tristes (fechamento da Nova Beleza, da Abril, cortes recentes na Reuters e AOL, TST julgando contra os trabalhadores da Gazeta Mercantil, entre outras), a temporada de boas notícias parece estar de volta. Pode ser apenas um espasmo, mas vale conferir.

Vou começar pelo recorde de Época. Em conversa que tive na tarde desta terça-feira com o diretor de Redação da revista, Aluízio Falcão Filho, soube, por ele, que a edição que está nas bancas, com matéria de capa dedicada aos hipocondríacos (Você toma muitos remédios?) é a mais fornida de anúncios da história da revista, tendo circulado com 80 páginas de publicidade paga – um feito, sem dúvida, sobretudo em tempos tão bicudos como os que estamos vivendo. O melhor é que vem aí nova edição também bem turbinada e que ganha um reforço extra com a especial Época São Paulo. Fala-se até que este pode ser o ano da virada da Editora Globo, revertendo uma tendência histórica de prejuízos para, pela primeira vez, entrar no azul.

Quem assina ou compra Veja e IstoÉ também percebeu como ambas de umas semanas para cá ganharam ?peso?. Veja São Paulo desta semana, por exemplo, edição especial de Natal, circulou com nada menos do que 250 páginas e anúncios saindo pelo ladrão, sem contar a própria Veja, com nada modestas 162 páginas (Época, para uma comparação, mesmo atingindo seu recorde, foi produzida com 154 páginas). IstoÉ, também reforçada pela publicidade, circulou com 122 páginas, e prepara para este final de semana mais uma edição de IstoÉ São Paulo (novamente em parceria com a Trip, que dará o tom da linha editorial e do projeto gráfico), além da edição tríplice na última semana útil do ano, junto com a Dinheiro e Gente (em geral também edições campeãs). Vários outros jornais e revistas relembraram os tempos de vacas gordas, graças à temporada de engorda ocorrida nas últimas semanas. A explicação pode ser o Natal. Ok, até pode ser, mas esses não são os únicos sintomas de transformações que temos no cenário.

Tomo aqui a liberdade de citar uma declaração do presidente do Grupo Meio & Mensagem, José Carlos de Salles Gomes Neto, que afirmou: ?O mercado publicitário brasileiro em 2003 registrará um crescimento nominal entre 5% e 7%, portanto abaixo da inflação estimada para o período. É o terceiro ano consecutivo de perdas para o setor?. Para 2004, no entanto, ele acredita numa melhora: ?Percebemos que os empresários, pela primeira vez nos últimos tempos, entram em um novo ano com perspectivas positivas. Psicologicamente isso é muito bom?. O otimismo se deve, no seu entender, à previsão de crescimento do PIB em 2004 e ao aumento do poder de consumo dos trabalhadores, fazendo com que as empresas invistam mais em comunicação para conquistar maior espaço no mercado. E não podemos esquecer que o jornal Meio & Mensagem é um importante termômetro do mercado publicitário e editorial.

Na semana passada já demos boas novas com várias iniciativas que estavam sendo implementadas no Interior de São Paulo (ver artigo A força do interior), mas outras estão por aí, surgindo, também em outras regiões. Na capital paulista, por exemplo, há duas novas revistas sendo lançadas, uma mensal, na área de economia, e outra semanal, de informações gerais.

A semanal é a Vidas em revista, da Editora Símbolo, abrigada no núcleo de Revistas Semanais dirigido por Décio Piccinini (sim, aquele mesmo que foi jurado por muitos anos do programa Sílvio Santos), com tiragem estimada em 100 mil exemplares. Ela foi lançada na quarta-feira da semana passada (3/12) e esta semana sai a edição número 2, tendo como chamada de capa Dívidas – Como sair do sufoco. É uma revista de circulação nacional que tem na equipe três colegas que eram da Chiques & Famosos (o editor-chefe João Jacques, e as editoras Yara Achoa e Andrezza Capanema) e outro vindo de fora (Cláudio Marques, ex-Jornal da Tarde). Todos obviamente torcem para o sucesso da revista, embora muitos vejam nela alguma semelhança com a Tudo, da Abril, que nasceu e morreu em menos de um ano, por não ter conseguido empolgar o mercado.

A mensal é a Foco, publicação que marca a entrada de Sérgio Thompson-Flores (ex-Gazeta Mercantil, Forbes Brasil e Jornal do Brasil) no mercado editorial brasileiro, agora na condição de titular do negócio. O número zero já está pronto e vai circular como encarte na edição desta segunda-feira do jornal Meio & Mensagem para ser apresentada ao mercado publicitário. Na terceira semana de janeiro, salvo mudanças nos planos originais, chega às bancas com a edição n? 1. Inspirada na The Economist, a nova publicação será mais analítica, com textos mais densos e participação de colaboradores de renome na área de economia e política. E vai tentar traduzir para seu público-alvo (formadores de opinião e tomadores de decisão) o que o horizonte econômico est&aaacute; reservando para os negócios e para as empresas, ?sempre olhando muito mais a floresta do que as árvores?. Na vice-presidência do empreendimento estará Roberto Baiense. O comando editorial será de José Paulo Kupfer e o da redação de Cristiane Barbieri, repetindo dobradinha que ambos fizeram no período final da Forbes Brasil, quando o próprio Thompson-Flores comandava o núcleo, na condição de vice-presidente do JB. O projeto abrirá caminho para o nascimento de uma nova editora de revistas no País, que tem também a pretensão de atuar no segmento de publicações customizadas. A tiragem declarada é de 25 mil exemplares, com distribuição dirigida a um mailing vip, que inclui dirigentes do setor empresarial, de instituições públicas e privadas, sistema financeiro, universidades, organizações não governamentais, poder executivo, legislativo e judiciário etc.

Como se sabe, quando estourou a crise entre a Forbes americana e Nelson Tanure, que não vinha cumprindo com algumas das obrigações contratuais, sobretudo pagamento de royalties, também houve um racha entre Thompson-Flores e Tanure e a equipe optou por ficar com o primeiro, demitindo-se coletivamente da Forbes. Na briga pelo título, Tanure levou a melhor, fato que levou Thompson-Flores e equipe a partir para esse novo projeto.

Outra notícia que demonstra que os ventos podem estar mudando, dessa vez a nosso favor, são os bons resultados que começam a ser colhidos no campo da gestão empresarial. Um dos exemplos é o Grupo Estado, que, a partir da reestruturação em andamento, dentro do projeto Orçamento base zero, obteve resultados que superaram, segundo se falou numa reunião entre a direção da empresa e os gestores (nesta terça-feira), as mais otimistas expectativas. Não que isso seja o fim da tempestade e o início da bonança, mas traz uma clara sinalização de que o setor tem saída, ainda que a partir de duros sacrifícios. Todo esse esforço do Grupo Estado deve lhe favorecer sobretudo na renegociação das dívidas com os credores, inclusive com a possibilidade de resgatar antecipadamente parte da dívida.

No Rio, ao JB decidiu lançar (e o fará neste sábado, 13/12) um novo suplemento. Trata-se da revista semanal Vida (não confundir com o Vidas em revista, da Símbolo), voltada para o público feminino, sob o comando de Márcia Peltier. A editora é Danielle Nogueira e a equipe conta com as repórteres Cíntia Parcias, Clarisse Meireles, Fernanda Marques, Ana Clara Peltier, Maria Vianna e Aline Almeida. Na pauta, saúde e bem-estar, qualidade de vida, entre outros assuntos.

Publicidade reagindo, gestão empresarial melhorando, veículos de um certo peso sendo lançados, há, como se vê, várias amostras de um cenário em transformação, o que nos dá a certeza de que há algo mais entre o céu e a terra, do que simples aviões de carreira. Vamos acompanhar de perto e voltar ao assunto mais à frente, torcendo para que efetivamente tenhamos um bom final de 2003 e um 2004 de retomada do crescimento.”

 

VIOLÊNCIA & MÍDIA

“Ex-PM é condenado por morte de dono de jornal”, copyright Folha de S. Paulo, 13/12/03

“O ex-cabo da Polícia Militar Hércules Araújo Agostinho, 34, foi condenado ontem em Cuiabá a 18 anos de prisão pelo assassinato do empresário Domingos Sávio Brandão de Lima Júnior.

O crime ocorreu em 30 de setembro de 2002. Brandão era dono do jornal ?Folha do Estado?. Nos meses que antecederam sua morte, o jornal publicou reportagens contra o crime organizado, o que motivou o assassinato.

Hércules confessou, durante o julgamento, ter matado Sávio Brandão. Afirmou ainda que o assassinato foi encomendado por R$ 85 mil pelo ex-policial civil João Arcanjo Ribeiro, 52.

Preso desde abril em Montevidéu (Uruguai), por uso de documentos falsos, Arcanjo, o ?comendador?, é acusado de liderar o crime organizado em MT.

Segundo Hércules, o ex-soldado da Polícia Militar Célio Alves de Souza, 38, disse que o crime foi encomendado por Arcanjo. Souza está preso em Cuiabá. Ele teria vigiado Sávio Brandão durante seis meses para preparar o crime.

?O Célio [Alves de Souza] me procurou e disse que Arcanjo tinha dado sinal verde?, afirmou Hércules. O advogado de Souza, Valmir Cavalheri, disse que ele nega ter participado da morte.

Um dia após o assassinato de Sávio Brandão, Hércules foi preso. Fugiu no dia 1? de maio deste ano e foi recapturado em setembro. Ele disse que ficaria com R$ 30 mil dos R$ 85 mil pagos por Arcanjo, mas afirma não ter recebido o dinheiro.

O Ministério Público Estadual denunciou Arcanjo como o mandante da morte. Ainda não há data para o julgamento, que depende da extradição dele. Procurado pela reportagem, o advogado João Santos Gomes Filho, mas ele não telefonou de volta. Anteriormente, ele havia afirmado que Arcanjo não ordenara o assassinato.

A defesa disse que recorrerá da decisão. A família de Brandão deve entrar com recurso para aumentar a pena.”

 

PRÊMIO CNT

“Jornalistas da Folha recebem prêmio CNT”, copyright Folha de S. Paulo, 13/12/03

“A série de reportagens sobre a máfia dos transportes na cidade de São Paulo, dos repórteres Chico de Gois e Alencar Izidoro, publicada na Folha, ganhou o Prêmio CNT de Jornalismo na categoria mídia impressa deste ano.

No total, 195 trabalhos concorreram à décima edição do prêmio da Confederação Nacional do Transporte.

O Grande Prêmio foi para o jornalista Carlos Etchichury, pela série Viagem aos Confins do Brasil, publicado no ?Zero Hora?, do Rio Grande do Sul.

Edimilson Ávila e sua equipe, da Rede Globo, com Rio Engarrafado, foram os vencedores da categoria telejornalismo. Em radiojornalismo, os ganhadores foram Leandro Staudt e Cid Martins, da Rádio Gaúcha, com Carga Roubada.

A cerimônia de premiação será no dia 18, às 20h30, no teatro do Hotel Blue Tree Park, em Brasília.”

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