Sábado, 19 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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Eduardo Ribeiro

Por lgarcia em 16/01/2002 na edição 155

MÍDIA EM CRISE

"Forbes Brasil na linha de tiro", copyright Comunique-se, 9/1/02

"Pode estar chegando ao fim, de forma traumática, a edição brasileira da Forbes, apenas um ano e meio após seu lançamento. Sem conseguir negociar o título com outras organizações e desinteressado do negócio, o Grupo Patrimônio informou estar retirando-se da operação. Embora houvesse no ar uma certa preocupação quanto ao futuro da revista, visto que ela ficou de fora das negociações com a Editora Peixes, ninguém esperava por este desfecho, até porque o Patrimônio já pôs um bom dinheiro na operação e desde o início da Camelot tinha plena consciência de que no segmento editorial os resultados positivos só viriam a partir do segundo ou terceiro ano de existência.

Cada empresa sabe o tamanho de sua encrenca financeira e a dor que sente no bolso quando os resultados não aparecem, mas abortar uma operação como a Forbes, com compromissos internacionais assumidos, beira ao que um dos editores da publicação chama de irresponsabilidade. Pior é fazer isso com uma das mais tradicionais marcas do mercado editorial mundial, comprometendo não só a imagem do Grupo como a do próprio País.

Além disso, o Grupo Patrimônio terá agora que desembolsar um caminhão de dinheiro com indenizações, multas contratuais, devolução de dinheiro para assinantes etc. etc., num gasto muito superior ao que teria se mantivesse a operação por mais um ano, apostando numa melhora do mercado publicitário e no próprio fortalecimento do título, que, em situação melhor, poderia muito mais facilmente encontrar um interessado.

E nem se pode falar em problemas de qualidade. Embora tenha perdido vinte profissionais desde que foi lançada (começou com uma redação de 50 colegas e tem atualmente 30), a Forbes Brasil sempre contou com uma equipe de primeira, com alguns dos mais consagrados profissionais da imprensa econômica. O publisher, Aluizio Falcão Filho (fundador da Camelot ao lado de Antonio Machado de Barros) foi da Exame, da Brasil Online, da Globo e, antes da Camelot, atuou ao lado de Tom Camargo no Marketing e Comunicação Corporativa do HSBC. O diretor de Redação, Ricardo Galuppo, construiu sua trajetória na revista Veja, onde esteve por mais de uma década, em diferentes funções, tendo saído a convite da Camelot especialmente para integrar o staff da Forbes. Nélson Letaif, seu adjunto, também tem uma carreira das mais dignas, atuando por vários anos ao lado de Mino Carta, boa parte na Carta Capital, de onde havia saído para lançar, ao lado de José Roberto Nassar e José Maria dos Santos, a revista Época. Luís Colombini, outro integrante do staff editorial, é também nome que pode figurar no expediente de qualquer publicação de primeira linha do País, tendo, antes da Forbes, passado por Playboy, Você S/A e UOL (equipe do Paulo Henrique Amorim). O time de editores tem ainda os experientes Manuel Fernandes, Silvana Assumpção e Cristiane Barbieri, entre outros valorosos e competentes colegas. Além disso, por lá também passaram nomes como Nirlando Beirão, Humberto Werneck, Geraldo Magella, Guilherme Barros, Andrea Assef, Mário Watanabe, Maria Alice Rosa, Miriam Kênia etc, etc.

O futuro é incerto, até porque embora a direção do Patrimônio tenha garantido que assume os prejuízos, honra seus compromissos e libera a operação para outro interessado, apenas na hora em que (e se) ocorrer é que se saberá se esse desprendimento será prá valer, ou se os investidores vão querer algo em troca.

A tendência, de qualquer modo, é que na melhor das hipóteses a revista seja descontinuada apenas em janeiro e fevereiro, já que mesmo fechando algum acordo será mais prudente pular meses tão fracos publicitariamente.

O mais incrível, nesta triste decisão do Patrimônio, foi abortar o projeto num momento em que cada vez mais ele se aproximava do ponto de equilíbrio e em meio a suculentas negociações publicitárias. No dia da decisão, prá se ter idéia, a área comercial da revista estava fechando pacotes de capas e contracapas para o ano todo. Agora é esperar, batalhar e torcer."

 

"Revista Forbes expira nas bancas brasileiras", copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 10/1/02

"Chegou ao fim a vida de 1 ano e 3 meses da Forbes Brasil. Único título remanescente da Camelot, editora que era controlada pelo Banco Patrimônio e foi absorvida pela Peixes após a fusão operacional entre as duas empresas, a franquia da revista americana perdeu esta semana seu principal investidor, o próprio Patrimônio. Que anunciou nesta quinta o fim da publicação.

?Não houve como manter o projeto quando a Forbes ficou de fora do catálogo da nova Peixes?, diz a assessora do banco, Anésia Novak. A edição de dezembro da revista, que chegou às bancas esta semana, é a última com dinheiro do Patrimônio, afirma Anésia. O fundo de private equity investiu cerca de R$ 4 milhões no título desde o seu lançamento no país. E até hoje não havia obtido lucro.

Segundo a assessora, o banco Patrimônio chegou a procurar editoras para passar adiante o título, mas, pelo curto espaço de tempo que os interlocutores tiveram para responder, nenhum fechou negócio.

Quem tinha pressa em definir o futuro da revista era, na verdade, o fundo. Em situação financeira apertada, o Patrimônio já tinha se decidido quanto ao destino dos quase 30 funcionários remanescentes da Camelot ? cerca de 70 profissionais foram aproveitados pela Peixes na fusão, junto com os títulos incorporados por Ângelo Rossi.

Até 30 de janeiro, no máximo, eles deixariam o imóvel que a Camelot ocupava desde a sua criação, no início de 2000. O ?despejo?, porém, foi antecipado: a equipe da Forbes ganhou a rua nesta quinta, com aviso prévio e tudo, deixando o vazio no escritório.

A Camelot, cujo portfólio foi completamente absorvido pela Peixes, exceto a Forbes, por não se enquadrar no perfil da editora, recebeu em seus incompletos dois anos de vida investimentos de R$ 35 milhões do banco Patrimônio.

A procura por outra editora tinha o objetivo de manter viva a Forbes Brasil, e não de ?salvar a pele? do fundo, garante Anésia. De acordo com a assessora, o acordo de licenciamento acertado com a matriz americana não inclui multa em caso de rescisão de contrato. ?O Patrimônio não precisará pagar nada?, conta."

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