Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

PRIMEIRAS EDIçõES > PESQUISAS NA RBS

Eleição em tubo de ensaio

Por lgarcia em 30/10/2002 na edição 196

PESQUISAS NA RBS

Tiago Vale (*)

Embora a questão seja local, a divulgação da pesquisa Ibope sobre as intenções de voto para o governo do Rio Grande do Sul serviu de exemplo para todos os pleitos que estavam em andamento no segundo turno. O levantamento, encomendado pela RBS, filiada gaúcha à Rede Globo, foi divulgado no sábado (20/10) e apresentou números que já haviam sido mostrados 10 dias antes.

Como se não bastasse ter "saído" nos veículos da RBS, a informação foi apresentada em horário nobre pelo Jornal Nacional e também utilizada no programa político de Germano Rigotto, de sábado e domingo. Ou seja, houve um grande "ensaio? para a publicação deste panorama.

Porém, o ambiente eleitoral gaúcho era bem diferente do que foi mostrado. Conforme outros dois institutos de pesquisa, havia uma visível queda de Rigotto e conseqüente transferência de votos para Tarso, que pegava carona nos altos índices de Lula. Segundo levantamento do Centro de Pesquisa do jornal Correio do Povo e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a vantagem pró-Rigotto era menor.

Posições notórias

A manchete do jornal Zero Hora de domingo (20) dizia: "Ibope mostra quadro estável no RS." Mais escandaloso ainda é o texto de Rosane de Oliveira, editora de Política do jornal. Sabendo que a pesquisa divulgada pelo veículo em que trabalha não aborda a verdade, adverte já nas primeiras linhas. "A prudência recomenda que não se confie cegamente nas pesquisas de opinião." Ora, parece que Rosane previa que o resultado das urnas seria bastante diferente do que apontava Ibope. É como se a pesquisa quisesse mostrar o que seria ideal, embora não se garantisse que se confirmaria.

No início do terceiro parágrafo, Rosane disparou: "A ampla margem obtida por Rigotto no Ibope não é garantia de que a eleição está decidida." Novamente deixou transparecer que a pesquisa não demonstrava algo próximo do real. "A campanha de Tarso ganhou fôlego na sexta-feira, com a visita de Lula ao Rio Grande do Sul, mas por qualquer das pesquisas que se avalie a situação o favorito ainda é Rigotto." Vale repetição da oração acima. "(…) mas por qualquer das pesquisas que se avalie (…), o favorito é Rigotto." É como se a jornalista torcesse pelo deputado peemedebista. Ela e a empresa em que trabalha ignoraram outras duas pesquisas, que apontavam subida de Tarso Genro. Além disso, a edição de domingo de ZH não destacava a pesquisa. Publicou-a de forma quase escondida, como se não fosse bom escancarar a farsa.

Clara atitude de desespero de um veículo de comunicação com posições políticas definidas e notórias contra este ou aquele partido político. Só restou a manipulação das pesquisas, mas parece que nem isso deu resultado.

(*) Tradutor, Porto Alegre (RS)

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