Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Elena Corrêa

Por lgarcia em 18/04/2001 na edição 117

QUALIDADE NA TV

TELENOVELAS

"Interatividade em novelas gera discussão", copyright O Globo, 12/4/01

"Na noite de 7 de janeiro de 1989, milhares de brasileiros aguardavam ansiosamente uma revelação que, com certeza, não mudaria suas vidas, mas havia se incorporado de tal forma às suas rotinas que seria quase impossível ir dormir sem saber… ?Quem matou Odete Roithman??. Doze anos depois, a internet entra em cena e, hoje, a vilã assassinada da novela ?Vale tudo? teria seu próprio site e internautas apontariam quem deveria ser o assassino da megera que apareceria na cena final da história de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. É a interatividade batendo às portas dos autores de folhetins. Mas será que todos deixariam esta visita entrar?

Autor de ?Vidas cruzadas?, da Rede Record, Marcos Lazarini tinha como objetivo fazer a primeira novela interativa da televisão brasileira. O projeto não vingou, mas ele entregou aos internautas a palavra final na hora de resolver o principal triângulo amoroso da trama que termina amanhã. Pela internet, o público decidirá se Letícia (Patrícia de Sabrit) deve ficar com Aquiles (Alexandre Barillari) ou com Lucas (Dalton Vigh).

– No meu projeto constava um núcleo de rádio através do qual eu poderia contar com a participação direta do público. Quando abordei o tema da virgindade, por exemplo, as pessoas poderiam mandar seus depoimentos para a emissora. Os melhores seriam gravados e utilizados no ar – explica Lazarini. – Também propus a criação de um site através do qual, dentro de um certo horário, as pessoas poderiam acompanhar as gravações. E semanalmente poderíamos ter sessões de bate-papo pela internet, entre atores, autores e o público. Mas, disso tudo, ficou só a enquete final.

Autor de ?Vale tudo?, Gilberto Braga aplaude a iniciativa de Lazarini:

– Eu não gostaria que internautas nem qualquer outra pessoa dessem o desfecho de alguma história criada por mim e meu grupo de escritores. Mas digamos que fizéssemos alguns finais e que o público escolhesse… Isso me parece um jogo divertido, sim.

A questão de autoria não abala Lazarini, já que foi ele quem escreveu as duas opções de final. Parceiro de Aguinaldo Silva na autoria de ?Porto dos Milagres?, Ricardo Linhares acha que a interferência via internet limita o número de participantes:

– O universo dos internautas não representa o povo brasileiro. Qual é o percentual de pessoas com acesso à internet no Brasil? Mínimo. Acho que fica entre 3% e 5% e a maioria nas classes A/B1. O grosso do público é das classes B2/C. Não é justo que meia dúzia de pessoas que tenham acesso à internet decidam o que a maioria deve ver. O ?Você decide?, que era feito por telefone, era mais democrático. A decisão via internet é elitista demais.

Alcides Nogueira também se pergunta se uma novela interativa, hoje, não acabaria alijando parte do público. Mas o autor acha que seria interessante que situações-limites pudessem receber a adesão imediata das pessoas.

– Não seria somente nos finais, mas nas tramas que, durante o longo tempo em que a história fica no ar, provocam impacto. Pegando um exemplo recente: em ?Laços de família?, teria sido muito interessante aferir como a questão do transplante de medula estava interferindo na vida das pessoas que acompanhavam a novela – destaca ele.

Já Antonio Calmon, autor de ?Um anjo caiu do céu?, afirma que já existe uma enorme interatividade dos autores com sua audiência através de periódicos grupos de discussões e do estudo da média de audiência. Segundo ele, o autor se tornará uma figura meio desnecessária se todo mundo botar o dedo na trama:

– Novela de televisão já é um filho bastardo de gêneros artísticos mais nobres. Achar que se pode transformar uma novela num longo ?Você decide? é tirar dela qualquer qualidade artística e autoral e transformá-la num programa meramente jornalístico. O que se procura? Uma novela sem qualquer originalidade, resultado da média das opiniões das pessoas? Pensar isso é desconhecer completamente a novela e sua função social. Tudo é possível, até que se caminhe para isso. Mas talvez seja bom achar outro nome para esse Frankenstein.

A opinião de Calmon é compartilhada por Ana Maria Moretzsohn, autora de ?Estrela-Guia?:

– Interatividade em novela, com depoimentos de vida real no meio da fantasia? Sou contra, acho uma grande bobagem. Vai deixar de ser novela para ser coisa alguma. Imagine alguém escrevendo um livro e pedindo para o público ler e só depois ir escrevendo e publicando o final…

Outra que não entregaria a ninguém a escolha do desfecho de uma história sua é Maria Adelaide Amaral.

– O melhor termômetro para o autor ainda é o ibope. E a cabeça do autor é soberana – destaca, acrescentando, porém, acreditar que no futuro será viável criar folhetins interativos. – A prova é a novela do Lazarini. O meu colaborador Vincent Villari tem pronta uma novela para a internet, mas só para a internet.

Walcyr Carrasco, por sua vez, encontra um terceiro personagem para a discussão. Segundo ele, quem define seu fim é o próprio personagem.

– Quando ele é forte e bem estruturado, tem uma ação própria que muitas vezes espanta o escritor. Acredito que se tudo começar a ser decidido pelo público podemos perder a originalidade, optando sempre por soluções do consenso. Escrever também é saber surpreender, oferecendo muitas vezes uma solução que ninguém havia pensado.

E será que algum internauta teria pensado em entregar à personagem Leila (Cássia Kiss) o papel de assassina de Odete Roithman?

"SBT e Televisa fazem acordo de US$ 200 mi, copyright Folha de S. Paulo, 11/4/01

"O SBT deve anunciar hoje a assinatura de contrato de co-produção de novelas com a TV mexicana Televisa, maior realizadora e exportadora de telenovelas do mundo (a segunda é a Globo).

O acordo prevê o desembolso, pelo SBT, de US$ 200 milhões em cinco anos. O contrato foi assinado por Silvio Santos e pelos mexicanos na semana passada.

Se for mantido até o final, será o maior negócio em volume de dinheiro já feito pela televisão brasileira. É a mesma cifra dos US$ 200 milhões da parceria SBT-Disney-Warner-Televisa, anunciada no início do ano passado. Mas esse acordo foi revisto. Com a renegociação com a Televisa, a parceria com a Disney e Warner ficou inferior a US$ 150 milhões.

Pelo acerto, o SBT terá exclusividade no Brasil de todas as novelas da Televisa. SBT e Televisa também irão gravar no Brasil textos mexicanos. Neste ano, as duas redes irão produzir no país apenas uma telenovela.

No ano que vem, poderão ir ao ar simultaneamente até duas novelas feitas no Brasil -o acordo prevê a exibição de cinco telenovelas ao mesmo tempo, a maioria delas produzida no México. Mais de 150 profissionais, incluindo atores, serão contratados.

TELEJORNAL

"Jornal ?Hoje? terá mudanças em seu formato", copyright O Globo, 12/4/01

"?Jornal Hoje? comemora 30 anos de existência no próximo dia 21 com uma série de cinco reportagens especiais que mostrarão as transformações políticas, sociais e de comportamento no Brasil e no mundo durante as últimas três décadas. Apresentado por Carlos Nascimento, o ?Jornal Hoje? exibirá as reportagens a partir do dia 16. Segundo Nascimento, o jornal passará por reformulação no formato a partir de agosto. O projeto de mudanças, ainda em desenvolvimento, inclui novo cenário. A tendência é que o telejornal sisudo seja substituído pelo formato dinâmico.

– O estúdio tem que ser um lugar efervescente, onde o repórter pode ir para complementar sua reportagem – afirma Nascimento.

O apresentador diz que está sendo estudada a volta do quadro de entrevistas, aos sábados, que marcou os 13 anos de Leda Nagle como apresentadora do ?Jornal Hoje?. Segundo ele, ainda não foi decidido quem fará as entrevistas.

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