Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Eliakim Araújo

Por lgarcia em 15/07/2003 na edição 233

GOVERNO LULA

“Média com a mídia”, copyright Direto da Redação (diretodaredacao.com), 9/7/03

“O caderno Ilustrada da FSP do último domingo publica matéria com o título ?Quanto vale o show??, onde informa que o presidente Lula da Silva vai convocar uma reunião-almoço com os apresentadores dos chamados programas populares da TV e pedir-lhes a colaboração na divulgação dos projetos de reforma do governo. Esses apresentadores, com enorme poder de penetração, atingiriam um público de 50 milhões de pessoas.

A idéia de reunir os apresentadores em volta da mesa para um almoço no Palácio da Alvorada pode ser uma faca de dois gumes. Uma relação tão próxima entre os principais comunicadores da TV e o presidente da república é perigosa e tem forte cheiro de armação. Lula é experiente e aprendeu a lidar com os artistas, uma classe potencialmente vaidosa e que vive da publicidade em torno de seus nomes. Imagine o que renderia para eles um almoço com o presidente em Brasília? Certamente primeira página em todos os jornais, em vez das desacreditadas colunas de fofocas televisivas, onde se plantando tudo dá. Entenderam?

Alguns pontos que precisam ser esclarecidos: estariam tais apresentadores preparados para entender e discutir assuntos de relevância como as reformas previdenciária e tributária? Ou será que vão simplesmente repetir argumentos de interesse do governo? O espaço nos programas seria ocupado apenas pelo presidente e seus ministros ou seriam ouvidos também aqueles que discordam dos projetos e têm críticas e sugestões aos projetos, como manda a boa e velha tradição democrática?

A questão é delicada. Esses encontros certamente vão gerar uma relação íntima entre o Governo (poder concedente dos canais) e as empresas de TV. É bem verdade que as TVs, de maneira sútil, tentam disfarçar a relação entre os programas populares e o jornalismo factual. Aqueles são considerados mais próximos da linha de shows, enquanto estes representariam a linha editorial da emissora. Mesmo assim, o risco de se perder a visão crítica das atitudes do governo é enorme e deveria ser evitado, em nome da ética jornalística.

Para as empresas, nada mais interessante do que a presença do presidente em seus programas. No momento em que a maioria delas está com o pires na mão, essa intimidade com o chefe de governo pode garantir um aporte de capital mais adiante, quem sabe? A Globo, por exemplo, endividada até a alma, já conta com a colaboração efetiva do BNDES. As outras já gritaram: – ôpa, também quero. Alguém mais engraçadinho já falou até em PROER da mídia. Essa não!

Lula tem indiscutivelmente enorme carisma pessoal. Só isso explica porque ele está ganhando a guerra da popularidade, apesar do imobilismo do governo nesses seis primeiros meses. Claro, concordo que ainda é cedo para se cobrar resultados milagrosos, mas o Lulinha Paz e Amor da campanha parece que ainda não desceu do palanque e mantém a mística de fazer discursos arrebatadores usando a linguagem que o povo gosta de ouvir. Numa comparação com os profissionais da TV, poder-se-ia afirmar que o estilo Lula de discursar está muito mais para o Datena, por exemplo, do que para o Jô.

O carisma do presidente, entretanto, não justifica essa ?intimidade? com a mídia televisiva. Que ele queira arregimentar soldados para a sua cruzada em favor das reformas, tudo bem. Mas a promiscuidade de um relacionamento entre o poder e a mídia não é aconselhável sob nenhum aspecto. Envolve perigosos interesses, embora se apregoe que não haverá pagamento de merchandising. Mas verbas publicitárias do governo estão na mesa. São polpudas e estão quase intactas nesse início de governo. Além das agências de publicidade, a mídia está doidinha prá botar a mão numa fatia desse bolo.”

 

GOVERNOS REQUIÃO E CASSOL

“Imprensa e governo: relação muitas vezes instável”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 10/7/03

“Muitas vezes a relação entre imprensa e governo é conturbada. Na última segunda-feira (07/07), o colunista Diego Casagrande, que tem um site informativo com o seu nome, passou por uma situação constrangedora ao entrevistar o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). Já o jornalista Everaldo Fogaça, editor do jornal O Observador, de Rondônia, tem enfrentado problemas com o governador daquele Estado, Ivo Cassol (PSDB).

Questionado por Casagrande se havia dado ou não apoio à depredação dos pedágios nas rodovias paranaenses, Requião respondeu: ?Isso é absolutamente ridículo, e a sua pergunta, com a franqueza que você merece, é uma pergunta idiota que não se faz a um governador. E como eu vim aqui ao Rio Grande não para brincar com programas ridículos, eu encerro aqui a minha entrevista?.

Benedito Pires, assessor de Requião, declarou que o governador apenas se irritou com uma pergunta agressiva. ?Ele (Casagrande) questionou acusando Requião de conluio com a depredação de praças e pedágios?. Pires enfatizou que, por Requião ser jornalista, ele entende a imprensa e tem uma boa relação com os colegas.

Sobre a relação entre Cassol e Fogaça, o último atrito aconteceu há duas semanas, quando o jornalista participava de um debate na Rádio FM Rolim, em Rolim de Moura. Ele e os colegas Mário Moraes e Gessy Taborda falavam sobre a política no Estado. Segundo Fogaça, o governador pediu para entrar no ar e disse que iria responder um a um.

?Esse jornalista (Fogaça) é um picareta. Desde o primeiro dia do governo ele tenta me desqualificar e denegrir a minha imagem e a de minha família?, acusa Cassol. O político afirma também que o jornal de Fogaça, O Observador, é financiado por políticos corruptos. ?Tenho provas disso?, assegura. ?O governador deve estar equivocado. Ele deveria cuidar do Estado em vez de ficar perseguindo jornalistas?, rebateu Fogaça.

Cassol também diz que tem 20 processos contra Fogaça por danos morais. O jornalista rebate mais uma vez, afirmando que existem três ações contra ele – Comunique-se pesquisou no site do Tribunal de Justiça de Rondônia e verificou três processos: por queixa crime, indenização e medida cautelar inominada.

O governador de Rondônia diz que é a favor de uma imprensa livre, mas é contra quem publica mentira a seu respeito, referindo-se ao jornal O Observador. ?Quero uma imprensa livre e construtiva. Se há irregularidades no meu governo, os jornalistas têm mais é que publicar?.”

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