Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Elisabete Vilar

Por lgarcia em 31/10/2001 na edição 145

PÚBLICO

"Jornalistas entendem que provedor garante ‘transparência’", copyright Público, 21/10/01

"Joaquim Fidalgo, último provedor do leitor do Público, apurou que os repórteres consideram a instituição útil e eficaz, mesmo quando discordam das suas críticas


A maioria dos jornalistas em cujo jornal existe a figura do provedor do leitor considera que a instituição é útil ou mesmo muito útil. E acredita que essa utilidade é particularmente relevante para os leitores, mais do que para os jornalistas, porque representa maior abertura e transparência face a quem lê o jornal.

Pelo menos é neste sentido que apontam as respostas obtidas pelo último provedor do Público, Joaquim Fidalgo, no âmbito de um inquérito àquela classe profissional, cujos resultados parciais divulgou na semana passada no Congresso da Sopcom – Associação Portuguesa das Ciências da Comunicação, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A quase totalidade dos 250 jornalistas do ‘Jornal de Notícias’, ‘Diário de Notícias’ e Público que responderam ao inquérito (98 por cento) concordam com a existência de um provedor. Mas, quando convidados a hierarquizar a entidade que mais ganha com essa existência, mais de metade dos respondentes indicaram em primeiro lugar os leitores. Os jornalistas foram os mais referidos em segundo lugar, com 42 por cento das respostas – embora tenha havido uma percentagem significativa (mais de 20 por cento) a colocá-los em primeiro lugar. A utilidade do provedor para a imagem da empresa foi colocada maioritariamente em terceiro lugar.

Fidalgo quis ainda saber em que se traduzia concretamente a eficácia do provedor, já que 59 por cento dos inquiridos consideravam o seu trabalho eficaz e seis por cento até o classificaram de muito eficaz. ‘Maior abertura e transparência face aos leitores’ foi a resposta por que optaram 77 por cento dos jornalistas que, logo depois, indicaram uma ‘maior atenção dos jornalistas nas suas rotinas diárias’ como um dos pontos de eficácia do provedor. Perto de metade dos inquiridos referiu ainda um ‘maior estímulo ao debate público sobre questões do jornalismo’.

Dos 34 por cento que responderam considerar o trabalho do provedor pouco ou nada eficaz, a crítica mais apontada dizia respeito à sua falta de ‘poderes reais para provocar mudanças’, logo seguida do facto de ‘as rotinas instaladas no jornal serem muito fortes’.

Todavia, só cinco dos jornalistas que responderam discordam da existência de uma coluna do provedor nos órgãos de informação onde trabalham. Contra 82 por cento de respondentes que defendem a publicação das suas reflexões e análises.

Foi ainda solicitado aos inquiridos ? de um total de 457 questionários enviados a todos os jornalistas do quadro dos três diários que, à época, tinham provedor, apenas 250 responderam ? que indicassem os maiores elogios e críticas que lhes merecia a instituição.

No que toca a elogios, as respostas repartiram-se equilibradamente entre os itens propostos. Ainda assim, os aspectos tidos como mais positivos foram o facto de o provedor ser ‘uma porta aberta dos jornais aos leitores’ e ‘recordar princípios éticos frequentemente esquecidos’. Das opções de crítica, muitos inquiridos preferiram não escolher nenhuma. Contudo, as mais referidas apontavam os provedores como sendo ‘muito moralistas nas apreciações’ e demasiado preocupados ‘com questões técnicas’, como lapsos, má gramática ou palavras trocadas.

Joaquim Fidalgo sublinha, porém, que o estudo ? integrado na tese de mestrado que tem em preparação na Universidade do Minho ? está ainda em curso e estes dados serão complementados com informações a recolher em entrevistas."

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"Nova geração concorda pouco com provedor", copyright Público, 21/10/01

"Embora sem representar uma diferença abrupta, Joaquim Fidalgo descobriu, no inquérito proposto às redacções sobre o papel do provedor do leitor, que são quase sempre os jornalistas mais jovens e com menos anos de profissão que menos lêem a coluna do provedor e que mais frequentemente discordam das suas opiniões e recomendações.

Assim, se 76 por cento do total de 250 jornalistas inquiridos afirma ler regularmente os textos do provedor do leitor, essa percentagem baixa para 68 por cento se consideradas apenas as respostas dos repórteres com menos de 25 anos. Um número que volta a baixar, para 64 por cento, na faixa etária dos 25 aos 30 anos. Em contrapartida, dos profissionais com idades entre os 36 e os 55 são 80 por cento os que lêem normalmente o provedor, número que atinge os 90 por cento para jornalistas com mais de 55 anos.

Tendência semelhante foi observada nas respostas sobre a concordância com os seus conselhos e críticas. Na globalidade, foram 60 por cento os que indicaram concordar ‘normalmente’ ou ‘muitas vezes’. Mas para os redactores com menos de 25 anos esse número baixa para 55 por cento, enquanto só metade dos jornalistas entre os 26 e os 45 anos costuma partilhar dos seus pontos de vista. A resposta preferida dos dois escalões etários mais baixos foi um ‘nim’: ‘Umas vezes concordo, outras vezes não concordo.’

O autor do estudo, que espera aprofundar esta e outras questões numa segunda fase do trabalho, não quer tirar sobre isso conclusões definitivas – tanto mais que isto contradiz a sua própria experiência no Público, onde, diz, os jornalistas jovens não lhe pareciam distantes. Mas adianta algumas hipóteses explicativas para este menor acompanhamento e maior distância crítica face às colunas dos provedores do leitor.

‘O facto de os provedores serem, normalmente, pessoas de uma geração mais velha, se calhar habituada – ou viciada – a uma certa linguagem, pode ‘dizer menos’ aos profissionais mais jovens. Seria sobretudo uma questão de estilo, um ‘tom moralista’ que muitos criticam, mais até do que de substância’, adiantou como uma das explicações possíveis. Mas admite que ‘pode dar-se o caso de os profissionais irem tendo cada vez mais dúvidas à medida que vão acumulando experiência na profissão, estando mais receptivos à reflexão sobre o seu papel’. Por vezes, acrescentou, quem está a começar ‘vê estas coisas de modo mais ‘ou é preto, ou é branco’ do que quem anda nisto há mais tempo. E as colunas dos provedores apontam muito para os imensos ‘tons de cinzento’ que há entre o preto e o branco’. Por outro lado, os princípios para que os provedores chamam a atenção não são muito populares, ‘face aos ‘ingredientes de sucesso rápido’ que tanta comunicação social entre nós vai cultivando. Nesse sentido, as preocupações dos provedores podem parecer meio desactualizadas, meio desfasadas da realidade concreta em que hoje se vive e trabalha – e se tenta fazer uma carreira’."

    
    
                     

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