Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES >   SUPLEMENTOS INFANTIS

Elizabete Antunes

Por lgarcia em 26/06/2002 na edição 178

REDE BANDEIRANTES

"Band admite que errou a mão com Mion", copyright O Globo, 23/6/02

"A bandana é a mesma, o apresentador também, mas a mudança no nome do programa faz a diferença. Desde a semana passada o ?Descontrole? comandado por Marcos Mion na Band passou a se chamar ?Sob controle?. O que já dá uma idéia da mexida no conteúdo do programa, que antes sempre apelava para cenas escatológicas. Agora o ?Sob controle? é um game que marca pontos para entidades carentes. Rogério Gallo, diretor de programação e produção da emissora, diz que a atração precisou sofrer alterações porque ?errou a mão?:

– É preciso manter a irreverência, mas perdemos a mão. Por isso, estamos tirando os excessos, o que não foi bem recebido pelo público, o que estava agressivo. É hora de acertar. Vamos valorizar o lado positivo do programa com as ações de cidadania e disputas cujo objetivo é ajudar pessoas carentes.

Gallo afirma que todo o replanejamento do programa foi feito de comum acordo com o apresentador, que sonhava vomitar na televisão:

– Ele entendeu as mudanças e está satisfeito com elas. Saber fazer uma autocrítica é algo fundamental para qualquer carreira. Ele não foi enquadrado como espalharam por aí, por maldade.

O diretor de programação da Band garante também que o jeito irreverente de Mion não será tolhido.

– O programa não será descaracterizado. Ele mesmo apresentou o primeiro ?Sob controle? fazendo uma brincadeira, aparecendo de terno, dizendo que ficaria sério. Logo depois arrancou o terno e apareceu como ele é – defende. – O que vamos fazer agora é atingir o maior número possível de pessoas e, para isso, tivemos que pôr um limite. Não adianta falar para um segmento só. Estamos fazendo TV aberta.

E Gallo tem mais projetos na manga. Além de ter gravado recentemente pilotos de novos quadros para o programa de Márcia Goldschmidt, em agosto ele lançará a atração de Gilberto Barros, ex-Record. A princípio será um mix de jornalismo com game para ser exibido aos sábados. Mas ele não descarta a idéia de um programa de auditório com calouros.

– Estamos estudando vários produtos para o Gilberto, mas uma coisa é certa: vamos investir nos fins de semana. Inclusive, teremos uma nova sessão de filmes.

Gallo ainda estuda a possibilidade de lançar um reality show até o fim do ano.

– Mas não seria cópia. Quero algo inédito – avisa.

A possibilidade de a Band exibir novelas também faz parte dos planos de Gallo. Mas seriam importadas:

– Ou uma sitcom ( comédia de situação ). Mas compraríamos de fora. Produzir seria inviável financeiramente no momento. Infelizmente a idéia de fazer um humorístico com o pessoal da ?Escolinha do Barulho? também ficaria cara demais."

 

RADIOBRÁS

"Radiobrás já tem seu ombudsman", copyright O Estado de S. Paulo, 23/06/02

"A sugestão do secretário nacional de Justiça, João Benedicto de Azevedo Marques, rapidamente aceita pelo ministro Miguel Reale Júnior e pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), acaba de ser colocada em prática pela Radiobrás. Desde 5 de junho, a emissora de rádio e televisão do Governo Federal – que engloba duas TVs, cinco rádios e uma agência de notícias – conta com um ?ombudsman?.

?A TV é um prolongamento da escola dentro de casa e nos preocupamos com as cenas de violência e de pornografia que são exibidas, o que contribui para deformar e não informar o cidadão. Hoje em dia, a criança passa mais tempo em frente à televisão do que dentro da sala de aula?, explica o secretário, que também é membro da Associação Nacional de Ombudsman. ?Isso não significa uma forma de imposição às empresas televisivas sobre a programação, mas sim a chance de a população opinar sobre o que assiste em casa.?

O cargo na Radiobrás foi ocupado pela jornalista Maria das Graças Cruvinel, funcionária da estatal há 8 anos. Para ela, que em menos de uma semana no posto havia recebido cerca de 70 e-mails, a idéia é estimular as demais emissoras a criarem o cargo dentro de suas estruturas. ?Já chegou de tudo um pouco. Desde reclamações sobre Fundo de Garantia, até constestações de propagandas feitas pelo Ministério da Saúde.?

O diretor da Central Globo de Comunicação, Luís Erlanger, é um dos primeiros a aplaudir a iniciativa da Radiobrás, lembrando que há vários anos a Globo já desenvolve um sistema de auto-avaliação. ?Achamos que o nome ?ombudsman? não resolve necessariamente o problema, porque em muitos casos essa função passa a ser mais figurativa do que atuante. Para isso, temos a Central Globo de Qualidade (CGQ), sob responsabilidade do Mário Lúcio Vaz, que examina todo o conteúdo da nossa programação?, explica.

Segundo Erlanger, todos os comentários são recebidos por uma central de telefonia, que os encaminha à CGQ. ?Em várias ocasiões a CGQ interferiu na programação e acabou modificando atrações, como ocorreu com o quadro do Pit Bicha (com Tom Cavalcante), que nasceu no domingo à tarde e acabou indo para o Zorra Total, na noite de sábado. A Central Globo de Qualidade julgou que o personagem seria mais adequado no horário noturno?, diz o diretor.

A escolha de um ombudsman para o controle da programação está em estudo nos demais canais abertos."

 

SUPLEMENTOS INFANTIS

"Diretrizes conscientes para o jornalismo voltado para o público infantil", copyright Comunique-se, 20/6/02

"Encerrado o primeiro encontro Suplementos Infantis ?Jornalismo e Educação, realizado em São Paulo nesta segunda e terça-feira (17 e 18/06), um dos participantes, o jornalista Osni Gomes, editor de O Estadinho, caderno infantil do jornal O Estado do Paraná, avalia como ?extremamente positivo? o resultado do evento.

Realizado pela Andi – Agência de Notícias dos Direitos da Infância – e Ministério da Educação, com apoio da Unicef e Instituto Ayrton Senna, o encontro reuniu editores de 36 cadernos voltados ao público infantil em todo o país. Fugindo do formato tradicional – palestras seguidas de debates – a organização do evento colocou os jornalistas, literalmente, para trabalhar.

Divididos em grupos, os editores se reuniam em mesas de trabalho. As conclusões serão reunidas em publicação da Andi, a ser enviada a todos os participantes e membros da diretoria dos jornais. ?Será uma espécie de cartilha, com orientações para o nosso trabalho. As conclusões foram tiradas de comum acordo entre os jornalistas que estiveram no encontro?, salienta Osni.

Ele mesmo já deu início a algumas diretrizes tiradas do encontro. Começou a formular convites para a formação de um Conselho Editorial, formado por crianças e especialistas na área de formação infantil, como psicólogos.

?A troca de experiências foi produtiva e serviu para jogar luz em aspectos que estavam sendo tratados individualmente?, esclarece o editor do Estadinho. ?Estamos agora bem cientes que nosso papel é de jornalistas – fornecer informação clara, consciente e direcionada – e não de educadores?.

No caso do Estadinho, Osni ainda pretende implementar outras modificações. ?Percebi que nosso caderno precisa de uma diagramação diferente: abordar mais temas voltados à família e a questão da educação sexual?, enumera.

Como diferenciais do suplemento semanal, que foram citados como exemplares no encontro, está o fato de o Estadinho ter desenvolvido personagens próprios – muitos cadernos infantis usam personagens como Turma da Mônica ou da Disney – e também a intensa troca de informações com os leitores mirins. ?Recebemos uma média de sessenta cartas por semana das crianças, e valorizamos muito esse intercâmbio. É a partir daí que nos pautamos?, afirma Osni.

Para ele, este primeiro encontro representa um novo momento no trabalho do jornalismo voltado ao público infantil. ?É hora de tratarmos o assunto com mais consciência. O evento em São Paulo nos permitiu criar uma unidade de pensamento, o que é extremamente positivo. Continuaremos todos trocando idéias, experiências e conteúdo?."

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