Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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PRIMEIRAS EDIçõES > INTERNET E DEMOCRACIA

Em debate, a virada cibernética

Por lgarcia em 22/07/2003 na edição 234

INTERNET E DEMOCRACIA


Revolução tecnológica, internet e socialismo, Editora Fundação Perseu Abramo, 2003, São Paulo, 96 pp. Preço: R$ 10. Fundação Perseu Abramo <http://www.fpabramo.org.br>.


[do release da editora]

A tecnologia da informação, desde a biologia genética até a usual internet, é um instrumento da democracia ou mais uma ferramenta para a exclusão social? Como a esquerda brasileira vê os avanços tecnológicos? No livro Revolução tecnológica, internet e socialismo, mais recente lançamento da Editora Fundação Perseu Abramo, estas e outras questões são analisadas por especialistas como o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, da Unicamp, a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl, o deputado federal Walter Pinheiro (PT-BA), técnico em telecomunicações e integrante da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, e o jornalista e professor de Comunicação Bernardo Kucinski, da USP.

O livro é resultado da série de seminários "Socialismo e democracia", realizada pela Fundação Perseu Abramo, pela Secretaria de Formação Política do PT e pelo Instituto Cidadania, sob coordenação de Antonio Candido, Paul Singer e Francisco de Oliveira. O projeto contou com três ciclos de seminários que resultaram, por enquanto, em dez publicações, abordando temas como globalização, economia, cooperativismo e instituições políticas, sempre sob a ótica do pensamento socialista. Revolução tecnológica, internet e socialismo, lançado agora, encerra as publicações do segundo ciclo. A terceira fase dos seminários começará a ser publicada em 2004.

O livro

A "virada cibernética", para o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, doutor em Ciências da Informação, constitui o processo pelo qual a informação é transformada em mercadoria, conferindo "à tecnociência a função de motor de uma acumulação que vai tomar todo o mundo existente como matéria-prima à disposição do trabalho tecnocientífico". Para ele, muito além de benefícios à humanidade, a "virada cibernética deu novo fôlego ao capital e fragilizou sobremaneira os trabalhadores, os pobres e os excluídos de todo o mundo". O sociólogo analisa com profundidade o processo acelerado de desenvolvimento tecnológico e a conseqüente marginalização de grande parte da população mundial a esses avanços.

Garcia dos Santos trata o tema "informação" como um conjunto de dados que refletem não só a informação distribuída pela internet, como os avanços que permitem o desenvolvimento de ciências como biologia, física e medicina. É neste contexto que o sociólogo levanta questões como a exclusão digital e dos processos de informação, e põe em xeque a tecnologia como ferramenta da democracia. Citando diversos autores e estudos científicos, Garcia dos Santos encerra sua exposição com um alerta: "Dentro da esquerda, precisamos deixar de lado a ingenuidade quanto ao papel progressista da tecnociência no capitalismo contemporâneo".

Para a psicanalista Maria Rita Kehl, "a sociedade da informação produz um acúmulo de bites indiferenciados de conhecimento e, ao mesmo tempo, produz enormes vazios de discurso". Segundo ela, esses vazios de informação, que poderiam compor o "saber" nos tornam "presas fáceis do fascínio dessa lógica do capital, porque não temos o que contrapor a ela".

Em seus comentários, o deputado Walter Pinheiro discute a chamada universalização da tecnologia. "Não dá para negar que 123 mil novos usuários entram na internet a cada 24 horas. Isso é revolucionário? Eu diria que é diferente do processo revolucionário; isso é acelerado." O deputado defende que a informação seja pública, e não um produto comercializado, que acaba por excluir populações inteiras.

Já o jornalista e professor Bernardo Kucinski aponta para a vitória sobre a censura através da tecnologia da informação. &quoquot;Internet, fax e telefone celular tornam a censura impossível: a produção jornalística, intelectual e acadêmica não pode ser cerceada por nenhum instrumento do Estado; só se cortarem todas as linhas telefônicas", afirma Kucinski, que destaca ainda a força da interatividade e da propagação da informação por meio da internet.

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