Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL DO BRASIL

Em estado terminal

Por lgarcia em 27/05/2003 na edição 226

JORNAL DO BRASIL

Chico Bruno (*)

Na última edição do Observatório da Imprensa foram muitas as cartas de leitores sobre os novos rumos do Jornal do Brasil. A maioria condena a decisão dos editores de enveredar por mares nunca antes navegados pelo jornal, em detrimento da qualidade editorial. Estes leitores deixam transparecer uma ponta de saudável saudosismo.

Vale lembrar que o Jornal do Brasil nasceu numa época em que o Rio de Janeiro era a capital da República. No Palácio do Catete tomavam-se todas decisões que o resto do país seguiria. Dos imponentes Monroe e Tiradentes se legislava para todo o Brasil. A Esplanada do Castelo, com seus belos prédios, abrigava os principais ministérios da República, um deles o da Educação, o mais vistoso de todos ? projetado por Corbusier, arquiteto francês com muitos discípulos brasileiros que, tempos depois, criariam Brasília.

O Rio de Janeiro era cantado em verso e prosa por todo o país. Ao contrário do que acontece hoje em Brasília, os legisladores legislavam de segunda a sexta-feira e permaneciam na cidade nos fins de semana e feriados prolongados. Naquele tempo, pouco se ouvia falar dessa história de prestigiar as bases eleitorais no Sul, no Nordeste, no Norte ou no Centro-Oeste; isso nasceu com Brasília, que por não ter os atrativos cariocas empurrou de volta aos estados de origem os legisladores nos fins de semana.

O Rio hoje se assemelha a qualquer capital brasileira, perdido o charme de capital do país, apesar de continuar lindo.

Adoráveis saudosistas

É importante ressaltar que o JB resistiu aos trancos e barrancos enquanto pôde. Finalmente caiu em mãos de um empresário conhecido e reconhecido pela habilidade de ressuscitar empresas falidas, mas que, utilizando os mesmos métodos de sempre para recuperar empresas, levará o JB ao fundo do poço. A imprensa é um setor que se diferencia de qualquer outro negócio empresarial pelas suas particularidades. O JB caminha para um nicho de mercado já ocupado por O Dia, Extra e outros menos votados.

Os atuais editores enveredaram pelo caminho errado: estão perdendo os leitores tradicionais e deixando de ganhar novos, já contemplados por outros jornais populares. Talvez, a única saída para o soerguimento do JB fosse investir na qualidade, que sempre foi sua marca registrada. Por total desconhecimento do mercado editorial, o tal empresário não consegue enxergar outra alternativa senão o embate direto com o Dia e o Extra.

O que os leitores que se pronunciaram no Observatório demonstram é que nem tudo está perdido no Rio de Janeiro, porque existe um bocado de cariocas cinqüentões que separam o joio do trigo. São os adoráveis saudosistas cariocas, que ainda veneram o Rio Antigo, entre os quais me incluo.

(*) Jornalista

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