Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > EDUCAÇÃO & NEGÓCIOS

Ensino privado vai com sede ao pote – II

Por lgarcia em 12/12/2001 na edição 151

EDUCAÇÃO & NEGÓCIOS

Victor Gentilli

A greve de mais de 100 dias que os professores de universidades federais encerraram na semana passada mostrou claramente que o atual modelo de financiamento das instituições públicas é anacrônico e insustentável. O debate sobre autonomia esteve bem nos primeiros anos de atuação do ministro Paulo Renato. O fato é que o debate morreu num momento em que é decisivo. É insustentável manter o atual modelo público.

Os responsáveis pelo ensino superior no Brasil sabem que o país não pode continuar sendo o lanterninha da América Latina, com apenas 16% dos jovens com idade entre 18 e 25 anos freqüentando ensino superior. Nos demais países da América Latina o índice é 30% ? e chega a 80% nos países desenvolvidos.

É certo que o setor público cresceu sua oferta de vagas em 18% nos últimos dois anos, apesar de todos os problemas.

Mas o grande crescimento de fato se deu nos grandes conglomerados e na criação de novos cursos em faculdades isoladas, estimuladas basicamente pela forte demanda vinda da grande ampliação do número de alunos oriundos do ensino médio e que demandavam ensino superior.

Todos estes fatos poderiam ser fatores estimuladores de pautas criativas e matérias capazes de fornecer ao leitor/cidadão um quadro claro da realidade do ensino no Brasil.

Hoje sabemos que os quatro grandes conglomerados são, pela ordem, Unip, USP, Estácio de Sá e Ulbra. Com exceção da USP, que era a maior universidade do Brasil e agora deixou de ser, todos os demais cresceram espantosamente nos últimos anos, especialmente em 1999 e em 2000.

Nem bem metabolizamos estes novos dados, chega a informação de que os estudantes brasileiros são os piores do mundo. Aprenderam a ler, é certo; mas não compreendem o que lêem. Em verdade, continuam analfabetos.

Tudo indica que essa realidade ? evidente que com nuances ? se mantém no ensino médio e no ensino superior. Aliás, é até provável que já tenha contaminado parte considerável da pós-graduação.

Na edição passada, lembramos que valia a pena checar as instituições de ensino filantrópicas e sem fins lucrativos. Vale também checar se os estudantes universitários ? assim como aqueles do ensino fundamental ? lêem mas não compreendem.

Os resultados do provão estão aí.

Será que jornais saberão compreender (e não apenas ler) os dados do ensino superior?

Se os jornais compreenderem, é recomendável que expliquem aos seus leitores.

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? Victor Gentilli

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