Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > MICHAEL JACKSON

Entrevista da CBS coloca ética em xeque

Por lgarcia em 13/01/2004 na edição 259

MICHAEL JACKSON

Dois gigantes da mídia americana ? a rede CBS e o jornal The New York Times ? trocaram farpas por causa de matéria publicada pelo diário em que a repórter Sharon Waxman cita fonte anônima que acusa a emissora de ter oferecido US$ 1 milhão ao cantor Michael Jackson por entrevista levada ao ar no dia 28/12/03 no renomado programa jornalístico 60 Minutes. O produtor executivo do programa, Don Hewitt escreveu carta, publicada parcialmente pelo USA Today [6/1/04], afirmando que a reportagem do Times era uma "mentira colossal". Sharon, no entanto, sustenta-a como verdadeira.

A CBS teria acrescentado US$ 1 milhão a um contrato de US$ 5 milhões para um especial que seria exibido em novembro, mas foi postergado porque justamente nessa época o artista se tornou centro de novo escândalo por ter supostamente molestado um garoto. Caso se confirme, a história se tornaria um grave problema ético para a CBS, que teria deixado cair a barreira que existe entre suas áreas de entretenimento e jornalismo. O mesmo apresentador que conseguiu fazer a entrevista com Jackson em dezembro, o veterano Ed Bradley, teria falhado em fazê-la em fevereiro, por não ter havido o acordo financeiro supostamente acertado na segunda oportunidade, de acordo com o diário nova-iorquino.

Falando ao New York Observer [12/1/04], Michael Radutzky, produtor do 60 Minutes que marcou a entrevista com o advogado de Jackson, Mark Geragos, afirmou que, pelo que sabe, não houve essa adição de US$ 1 milhão ao contrato. O próprio presidente da CBS, Leslie Moonves, desmentiu o pagamento a Hewitt, o que lhe deu segurança para escrever a carta ao Times. Radutzky disse, no entanto, que "acredita" que Jack Sussman, executivo da divisão de entretenimento da corporação, estava presente na gravação com Bradley. Chris Ender, porta-voz da emissora, já havia dito a Sharon, na matéria que originou toda a confusão, que a CBS vinculara a exibição do documentário a uma entrevista em que falaria sobre as acusações de pedofilia, depois que o assunto veio novamente à tona. Consultado posteriormente pelo Observer, o representante confirmou a presença de Susmann no set, dizendo que ele "estava ali como um representante da CBS que tem antiga relação com Michael Jackson e representantes".

A repórter do Times disse que, quando estava apurando para sua matéria, ninguém do 60 Minutes se dispôs a falar. "Sinto-me muito segura com relação a essa história. Tudo que tenho investigado desde sua publicação tem reforçado o que reportei originalmente", conclui. A CBS alega que não obteve a entrevista com oferta de dinheiro, mas também não explica como a conseguiu. A verdade só será descoberta se o contrato do especial for tornado público.

Mídia na justiça

Como o caso Michael Jackson é uma bomba para emissoras de notícias e publicações de fofocas, já há dois aspectos relativos a ele e envolvendo a mídia sendo discutidos na justiça americana. A promotoria que tenta condenar o cantor conseguiu que as pessoas envolvidas no processo fossem proibidas de falar à imprensa. Além disso, como reporta a AP [8/1/04], seis grandes veículos (NBC, CBS, CNN, ABC, Fox News e The New York Times) entraram com pedido para que os documentos relativos à busca policial feita na mansão californiana do artista fossem tornados públicos. Eles estão sob sigilo por decisão tomada pelas autoridades um dia antes da revista.

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