Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > Nos finais de semana, onde se lê hoje entenda-se que a matéria foi escrita anteontem

Epa, está chovendo (mas não está na pauta)

Por lgarcia em 16/05/2001 na edição 121

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VERDADES NO ESCURO- II

A.D.

O governo descobriu que está à beira do abismo no meio da semana passada. Na quinta-feira (10/5) criou um grupo para administrar a crise energética e os jornais do dia seguinte já estavam em clima de pânico. Mas, nesse mesmo dia, início da tarde, depois de longa estiagem, choveu razoavelmente nas duas principais cidades, Rio e São Paulo, onde editam-se os seis jornalões nacionais.

Não é necessário diploma de meteorologista ou de técnico em pluviometria para saber que aquela chuva, embora inesperada, era insuficiente para recompor o nível dos reservatórios. Mas, com uma carga mínima de curiosidade jornalística (ou responsabilidade de informar), os jornais de sábado deveriam indicar quanto choveu, onde choveu ou se esta chuva, num outono habitualmente seco, pode indicar uma reversão nas tendências climáticas. Nada no sábado (a não ser os quadros meteorólogicos que nem os pauteiros lêem). E embora tenha chovido também na noite de sexta e no sábado, o fato não chamou a atenção dos editores das maçarocas domingueiras.

Compreende-se: no Brasil os diários saem todos os dias mas só se trabalha em dia útil. Nos finais de semana, onde se lê hoje entenda-se que a matéria foi escrita anteontem. A benevolência de São Pedro só foi registrada nas edições de segunda-feira (14/3) quando a frente fria presenteada pela Argentina já estava no sul da Bahia.

A súbita precipitação certamente não alterará o dramático quadro. Para compensar o atual déficit hídrico serão necessárias muitas surpresas iguais. Mas a insensibilidade para o que acontece na rua indica um comportamento profissional preocupante. A maior parte dos jornalistas só age induzida pela pauta e a pauta é produzida por seres superiores, encaixotados no Olimpo. Em qualquer parte do mundo o jornalista é aquele cidadão em estado de alerta permanente, sensível ao que observa e vive. Dentro e fora das redações, dentro e fora do expediente. Aqui é diferente.

No escurinho dos apagões convém pensar que na sociedade informada e informatizada ou o jornalismo assume sua função preventiva ? de sentinela ?, tornando-se essencial, ou resigna-se ao papel de acessório.

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