Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > MUDANÇAS NA FOLHA

ER

Por lgarcia em 19/02/2003 na edição 212

MUDANÇAS NA FOLHA

“Folha vai preparar novo projeto editorial”, copyright Jornalistas & Cia, 12 a 18/02/03

“A Folha de S. Paulo vai mudar. Um novo projeto editorial será desenvolvido ao longo de 2003 por uma Comissão integrada pelo staff principal do jornal, sob o comando direto do diretor de Redação Otávio Frias Filho. A empresa entende que o mercado está passando por mudanças substanciais e por esta razão precisa adequar o jornal ao novo momento, como o fez em 1997 (ano da última mudança) sob a forte influência da chegada da internet – influência que ganhou contornos muito diferentes do que aqueles que se imaginavam, como todos temos acompanhado.

A Folha vai, além disso, realizar durante o ano nova pesquisa sobre o perfil dos leitores, sempre de olho nessa interação com o público (essa pesquisa vem sendo feita a cada três anos e é uma importante ferramenta na tomada de decisões da empresa). E em termos editoriais, as prioridades serão: o Governo Lula, a crise econômica no Brasil e no mundo e a cobertura de Cidades.

Essas foram algumas das revelações feitas pelo diretor de Redação, Otávio Frias Filho, em reunião realizada com os jornalistas da Folha, na última 4?.feira (5/2), com direito a gente sentada no chão, num auditório lotado. Foram duas horas (das 11h30 às 13h30) de conversa e uma audiência de aproximadamente 140 pessoas. No encontro, Otávio também falou do panorama econômico e das dificuldades que atingem toda a mídia brasileira e que o cenário, em 2003, não se mostra diferente. Entre os ingredientes da crise, segundo apontou, estão a queda de receita (sobretudo diminuição de publicidade), a alta do dólar (com sua influência direta nos custos de produção, particularmente de matérias-primas, como papel) e os investimentos realizados, muitos deles em início de amortização. A própria Folha, diante do quadro adverso, trabalha com a perspectiva de uma redução de espaço editorial de 14% em relação ao ano passado. O consolo ficou para a afirmação de que os cortes de pessoal cessaram.

A empresa não pretende aumentar seu quadro de colaboradores, mas também não projeta novas demissões. Os ajustes que precisavam ser feitos já o foram.”

“Jornal traz novos colunistas para a Ilustrada e o TV Folha”, copyright Folha de S. Paulo, 15/02/03

“Três novidades marcam a equipe de colunistas dos cadernos Ilustrada e TV Folha a partir desta semana. As mudanças começam na edição de hoje. Deste sábado em diante, a coluna ?Rodapé?, que sai semanalmente na página 2 da Ilustrada, passa a ser assinada pelo jornalista e ensaísta Manuel da Costa Pinto.

O ocupante anterior da seção, o ensaísta, poeta e tradutor Nelson Ascher estréia, depois de amanhã, coluna que sairá às segundas na contracapa da Ilustrada.

A terceira modificação será no TV Folha, publicado aos domingos. A partir do dia 23 de fevereiro a coluna ?Crítica?, na página 2 do suplemento semanal de TV da Folha, será ocupada pela jornalista Bia Abramo .

Experiência em crítica cultural é elemento comum aos novos titulares desses espaços opinativos dos dois cadernos culturais. E todos já demonstram isso na Folha.

Ascher, 44, colabora com o jornal desde o início da década de 80.

Além de ter editado na Folha o suplemento literário Folhetim e a seção Livros do caderno Ilustrada, ele vem publicando regularmente no jornal ensaios, artigos e poemas, seus ou traduzidos.

É sobre esses mesmos eixos que se constrói sua bibliografia. Publicou livros de poemas, como ?Algo de Sol? (editora 34), mais de uma dezena de traduções de prosa e verso e coletâneas de ensaios, a exemplo de ?O Pomo da Discórdia?. É em torno de certo ?pomo da discórdia?, aliás, que ele pretende manter seu novo espaço.

?Alguns pontos que coloco são um pouco polêmicos?, diz Ascher. Entre os temas que pretende discutir estão desde os longos reflexos do 11 de setembro até a crise mundial da universidade.

A produção literária e ensaística européia também será alvo do colunista, que vive há dois anos em Paris.

Se Ascher promete olhos abertos para o que as editoras lançam fora é no que sai no Brasil que vai se concentrar Manuel da Costa Pinto. Esse corpo a corpo com o que está em nossas prateleiras o jornalista já vem mantendo há tempos, em várias instâncias.

Aos 36 anos, ele já analisou os livros de dentro da universidade -é mestre em teoria literária pela Universidade de São Paulo-, do interior das editoras -assessorou o crítico João Alexandre Barbosa na Edusp-, do ponto de vista dos suplementos literários (trabalhou entre 1994 e 1995 no Mais!, da Folha) e também na visão de autor -escreveu ?Albert Camus: Um Elogio do Ensaio? (Ateliê Editorial).

Desde 97 seu observatório vem sendo a revista literária ?Cult? (editora 17), que ele fundou e ainda dirige. Costa Pinto estréia falando sobre o escritor alemão W.G. Sebald, mas afirma que quer, em especial, ?flagrar a nova literatura brasileira?.

Mais do que sobre a nova TV brasileira as colunas de Bia Abramo no TV Folha terão como objeto a reflexão sobre o amplo papel que a televisão ocupa na cultura nacional.

?Não quero fazer críticas pontuais a programas, mas refletir sobre tendências gerais da televisão e sobre sua inserção na sociedade brasileira?, afirma.

O acompanhamento crítico da ?indústria cultural? não será novidade para Abramo. Em quase seis anos de Folha ela trabalhou no extinto caderno Letras e editou o Folhateen e a Ilustrada, com a qual colabora desde sua saída do jornal, em 1995, com resenhas de livros, CDs, filmes e programas de televisão.”

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem