Sábado, 19 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > ASPAS

Esclarecer é preciso

Por Luiza Nobrega em 20/06/2001 na edição 126

ENCONTRO COM O MINISTRO

Da reunião do ministro da Educação com coordenadores e professores dos Cursos de Jornalismo, que ocorreu no início do mês, sobraram poucos ganhos e alguns equívocos.

É importante ressaltar a dimensão política do encontro para os Cursos de Jornalismo ? os quais, pela primeira vez, foram formalmente recebidos pelo ministro da Educação, o que representa o resultado do nosso esforço severo no sentido de melhorar cada vez mais a qualidade da formação profissional que oferecemos. O reconhecimento oficial da transição dos Cursos de Jornalismo da área de Humanidades para a área Tecnológica é o resultado do avanço tecnológico na área de informações e das novas demandas do mercado que exigem um novo projeto de curso. Entretanto, essa proposta modernizadora que se consolida na área de informações não pode sacrificar o nosso vínculo com a área de Humanidades de onde o Jornalismo recebe a sua maior lição: a formação do pensamento crítico, o respeito à ética e o compromisso com a cidadania.

Entre outras, as nossas solicitações apontaram a necessidade de novas contratações de professores e técnicos capazes de lidar com tecnologias modernas, item descartado pelo ministro, em função do anúncio da contratação de dois mil docentes para as Instituições Federais de Ensio Superior (IFES), apesar de reconhecer que a demanda real é de seis mil professores. Para superar, em parte, essa carência de pessoal habilitado no manejo de novas tecnologias, foi prevista a criação de uma série de seminários de atualização tecnológica para o corpo docente e para os técnicos que já integram os nossos cursos. Esses seminários seriam financiados com recursos do MEC. E essa promessa foi, efetivamente, o único ganho real do encontro.

O objetivo principal da audiência e a discussão mais longa tratou sobre a questão da responsabilidade do MEC como mantenedor dos Cursos de Jornalismo das IFES, face ao perfil dos novos tempos e às pertinentes exigências impostas pelo próprio MEC dentro do Programa de Avaliação das Condições de Oferta, o que tem prejudicado os cursos que recebem uma boa avaliação no projeto pedagógico e na titulação mas perdem pontuação na infra-estrutura, que é de responsabilidade do mantenedor. A esse respeito, surgiram muitos questionamentos provocados pelo release, distribuído pela assessoria de imprensa do MEC em 8/6/2001, informando que seriam liberados cerca de 95 milhões de reais para melhorar a infra-estrutura dos Cursos de Jornalismo das IFES. Em função da divulgação desse release, por meio de segmentos da imprensa que fazem um jornalismo preguiçoso que não apuram a notícia, foi criada uma expectativa que não corresponde à realidade e uma surpresa generalizada nas universidades habituadas a conviver com a penúria.

É preciso esclarecer que o ministro reconheceu que se deve dar prioridade aos Cursos de Jornalismo das IFES que acumulam conceito Insuficiente na Avaliação das Condições de Oferta em virtude dos problemas de infra-estrutura. Mas é preciso também informar que essa verba anunciada não é só para os Cursos de Jornalismo e nem são recursos novos. Eles integram os recursos definidos no Programa de Modernização e Consolidação da Infra-Estrutura Acadêmica das IFES e HUs , previstos ainda em 1996, e para o qual as instituições elaboraram uma lista dos equipamentos dos quais necessitavam e que até hoje ainda não foram liberados. Dentro desse conjunto, e a partir de agora, Jornalismo teria prioridade nas suas demandas.

Ficou acertado ainda que só haveria uma nova avaliação dos Cursos de Jornalismo quando estivessem em condições de serem avaliados. Numa avaliação pessoal e posterior, eu, particularmente, acredito que é um equívoco contabilizar como ganho essa disposição. Por várias razões. Fomos avaliados em 1999 e, portanto, até a nossa próxima avaliação, os equipamentos deveriam chegar porque chegariam para todos, quando a nossa urgência é imediata principalmente considerando a implantação do novo currículo e o próprio reconhecimento do MEC da nossa transição para a área Tecnológica sem contarmos com a infra-estrutura básica e indispensável.

A Avaliação das Condições de Oferta mudou a mentalidade das universidades e despertou a necessidade de investir num ensino de qualidade. Não ser avaliado é interromper um processo saudável, mandando para baixo do tapete os problemas que precisam ser identificados, esclarecidos e solucionados. Ao ficarmos expostos apenas à avaliação do Provão, não será reconhecido o investimento que temos feito para melhorar o nosso projeto pedagógico e a qualificação dos nossos docentes; ou seja, estamos minimizando os nossos pontos positivos em função dos segmentos da avaliação que não dependem diretamente do nosso esforço. Supervalorizamos o Provão como diagnóstico de qualidade dos cursos, com todas as implicações já exaustivamente discutidas e que, entre todos os instrumentos, é o preferido pela mídia para desacreditar a nossa imagem e ainda aliviamos a pressão sobre o MEC , como nosso mantenedor, no sentido de prover com urgência a modernização da nossa infra-estrutura.

Uma outra questão que caminha paralela é o esvaziamento das comissões que tratam da melhoria dos cursos, estabelecendo critérios e parâmetros de qualidade. Suspender a avaliação até resolver os problemas é uma solução ingênua. Precisamos ser avaliados, sim. Sempre, permanentemente. Queremos ser avaliados, mas de forma justa. Todos nós, cada um na sua função e nas suas responsabilidades. O MEC, as IFES e os professores temos um projeto conjunto para melhorar a qualidade da formação profissional em Jornalismo. Para o sucesso desse projeto precisamos de que cada um cumpra a sua parte.

(*) Professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco

ASPAS

"Os participantes do 13? Festival Mundial de Publicidade de Gramado deram nota 5,5 para os cursos de brasileiros de publicidade/propaganda, em uma escala de zero a dez. As causas para esta baixa avaliação são, prioritariamente, a falta de conteúdos práticos, com 17% da opinões, a ausência de próximidade com a realidade do mercado, com 6%, e falta de estrutura, com 4%.

A pesquisa, realizada pela Letti & Carvalho, entrevistou 150 pessoas, 52% profissionais e 48% estudantes do Rio Grande do Sul. Nos aspectos positivos do mercado publicitário, os profissionais destacaram a criatividade, com 80% das respostas, dinamismo, com 16%, e jogo de cintura, com 14%. Nos pontos negativos, 14% indicaram falta de inovação, 9% arrogância e outros 9% indicaram que falta profissionalismo."

    
    
                     
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