Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Escândalo na direita, culpa da mídia

Por lgarcia em 07/10/2003 na edição 245

MÍDIA & POLÍTICA

Os escândalos em que a direita americana tem aparecido na mídia levaram Howard Kurtz, do Washington Post, a discutir, em artigo de 2/10, a possibilidade de que a imprensa, que tem fama de esquerdista, esteja fazendo perseguição. Nas últimas semanas, ganharam as manchetes, "talvez com excesso", três casos que abalaram os conservadores.

O Los Angeles Times publicou reportagem sobre seis mulheres não-identificadas que teriam sido assediadas e apalpadas ? sem permissão ? pelo candidato republicano ao governo da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, nos últimos 30 anos. Por seu porta-voz, o ator acusa o diário de ter querido prejudicar seu desempenho na eleição, soltando a notícia pouco antes do pleito.

Jill Lawrence, do USA Today, em artigo de 3/10, aponta que, de fato, o momento em que uma denúncia surge pode ser decisivo. Estrategistas republicanos calculam que cerca de 500 mil evangélicos deixaram de votar na eleição presidencial de 2000 quando souberam, na última hora, que o então candidato George W. Bush foi preso aos 30 anos de idade por dirigir alcoolizado. Se essa informação tivesse vindo à tona antes ele poderia ter até perdido a disputa.

Em Washington, a mídia alimenta democratas contra republicanos, após a divulgação do nome de agente da CIA, mulher do ex-diplomata Joseph Wilson, eminente crítico da gestão de George W. Bush [leia o texto anterior do Monitor da Imprensa]. Fecha a coleção a denúncia do National Enquirer e do New York Daily News de que o radialista direitista Rush Limbaugh estaria sendo investigado por comprar analgésicos proibidos.

O grande destaque dado a essas notícias pode ser apenas coincidência, e não prova cabal de que os jornalistas americanos têm queda para a esquerda. Os republicanos aproveitam para reclamar de uma parcialidade que sempre atribuíram aos meios de comunicação ? que, aliás, pertencem em grande proporção aos conservadores.

A colunista do Wall Street Journal Dorothy Rabinowitz concorda com as queixas: "Há uma hostilidade desmedida e absurda que superou até mesmo o ataque a [Bill] Clinton, que já foi venenoso." Para o cientista político Larry Sabato, a população não enxerga o que está acontecendo como uma tendência política na mídia, mas como sensacionalismo. "O público pensa ?aí vão eles de novo, escândalo após escândalo, tentando vender jornais?."

A denúncia do uso de medicamento ilegal por Rush Limbaugh veio algumas horas depois de o apresentador, ouvido por 20 milhões de pessoas em seu programa de rádio, pedir demissão do canal esportivo ESPN, onde atuava como comentarista esportivo.

Ele dera um palpite infeliz sobre o jogador negro de futebol americano Donovan McNabb, do Philadelphia Eagles. O comentário foi muito criticado ? inclusive pelo próprio jogador ? e Limbaugh preferiu sair voluntariamente a ser mandado embora.

Como informa a Reuters [2/10/03], ele afirmou que a imprensa estaria supervalorizando o atleta porque quer ver um afro-descendente se destacando na posição de quarterback ? que faz os lançamentos nas jogadas de ataque. "A mídia tem estado muito desejosa de que um negro se saia bem como quarterback. Há uma certa esperança investida em McNabb e ele recebeu, sem merecer, muito crédito pelo desempenho de seu time. A defesa é que carrega esta equipe", disse. Em seu programa de rádio, repetiu que não achava McNabb ruim, mas que ele não é tão bom quanto pensam alguns profissionais de imprensa.

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