Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > CASO TIM LOPES

Escolha sem muita escolha

Por lgarcia em 19/06/2002 na edição 177

CASO TIM LOPES

Sandra Alves (*)

A tão conhecida liberdade de imprensa foi brutalmente violada no domingo 2 de junho, com o assassinato de um profissional de jornalismo, Tim Lopes, repórter da Rede Globo de Televisão, na realização de seu trabalho de informar.

Como vários conceitos no Brasil, a liberdade de imprensa tem funcionado apenas na teoria. Diariamente percebemos, em veículos de comunicação, a dificuldade em expressar e noticiar acontecimentos de interesse público, por intervenção de setores políticos, econômicos e pessoais.

Desempenhar um jornalismo imparcial, objetivo e preciso, voltado a questões sociais de fundo investigativo e denunciante, nunca foi tarefa das mais fáceis. No entanto, nos últimos tempos essa parece ser uma empreitada suicida, em que não é possível contar nem mesmo com setores competentes como a segurança pública. Como vimos no livro do jornalista Caco Barcelos A polícia que mata, agora pode ser conhecida como a polícia que encobre, omite, recua e continua matando.

Como profissionais da imprensa, podemos questionar: informar e morrer? Ou fazer vista grossa e continuar noticiando?

Mas noticiar o que, se para um verdadeiro jornalista a indignação em presenciar situações de extrema intolerância, a compulsão em não omitir acontecimentos que dizem respeito a questões sociais envolvendo interesses variados, são fundamentos para a continuidade da profissão?

O jornalismo não tem como função mudar o mundo, mas supõe a responsabilidade de informar à sociedade os acontecimentos que a envolvem, e cobrar das autoridades medidas cabíveis e por muitas vezes prometidas. Talvez, como estudante de Jornalismo, apenas agora consigo compreender o porquê de no Brasil não encontrarmos com facilidade jornalistas e veículos de comunicação especializados em matérias investigativas. Num país onde o combate à criminalidade, a liberdade de imprensa e a realização de justiça são demagogias, entende-se a escolha de muitos profissionais da notícia em informar sobre buracos na rua, prisão de assaltante, acidente de carro, alta do dólar, a derrota da França…

(*) Estudante de Jornalismo

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