Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > LITERATURA & INTERNET

Escritores brasileiros da rede

Por lgarcia em 18/12/2002 na edição 203

LITERATURA & INTERNET

Deonísio da Silva (*)

O endereço é <www.literal.com.br>. Lá pode se obter conhecimentos muito pertinentes sobre os romancistas e contistas Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles e Luís Fernando Veríssimo, sobre o poeta e ensaísta Ferreira Gullar, sobre o jornalista Zuenir Ventura. Há muitas novidades, embora os dados mereçam atualizações, principalmente no caso de Rubem Fonseca e Lygia Fagundes Telles. Mas é um bom começo ? e a partir do que ali foi reunido fica mais fácil ir completando aos poucos as inevitáveis insuficiências desse tipo de trabalho, além de providenciar as correções indispensáveis. Na própria rede há outros endereços interessantes, como é o caso de <www.releituras.com.br> que, em se tratando de Rubem Fonseca, traz novidades não encontradas no anterior.

Zeca Fonseca, fotógrafo de extraordinárias qualificações, encarregou-se de ilustrar a obra e a biografia do pai com fotos que podem valer por muitas palavras. Ferreira Gullar rememora os primeiros passados, desde a adolescêncìa no Maranhão, em São Luís. E um outro acepipe são os bilhetes de Carlos Drummond de Andrade à amiga Lygia Fagundes Telles. Há retratos na parede, que em vez de doer, alegram.

No caso de Luis Fernando Verissimo, uma existência tranqüila de um libriano sereno, sob os olhares do pai, Erico Verissimo, e da mãe, Mafalda Volpe Verissimo.

De Zuenir Ventura, mineiro que se transfere para o Rio, queremos saber com pressa o que houve com ele em 1968, o ano que não terminou. Pois estava em Paris, no olho do furacão. Voltando ao Brasil, foi preso, tendo saído do cárcere graças a uma generosidade de um amigo igualmente célebre. Ou nas palavras de sua biobliografia:


“1968 ? Acompanha em Paris a mobilização dos estudantes. Tido como o articulador da imprensa do Rio para o Partido Comunista, é preso após o AI-5 e passa três meses entre o Sops, o Dops, o quartel da PM Caetano de Faria e o do Exército, em Harmonia. Divide cela com Hélio Pellegrino, Ziraldo, Gerardo Mello Mourão e Osvaldo Peralva. No mesmo dia de sua prisão, sua mulher e seu irmão são levados pela polícia e permanecem presos durante um mês. Zuenir deixa a prisão em março de 1969 com o aval de Nelson Rodrigues, que conseguira junto aos militares a libertação de Hélio Pellegrino, mas este condicionou sua saída à do companheiro de cela”.


De Lygia Fagundes Telles, uma preciosidade: o registro de que seu primeiro livro, publicados aos 15 anos, em edição financiada pelo pai, jamais teve reedição. Assim, quem tem os doze contos de Porão e sobrado, assinado como Lygia Fagundes, que guarde bem. E talvez seja instrutivo lembrar aos jovens navegadores que a romancista cursou, além de Direito, no famoso Largo São Francisco, também a Escola Superior de Educação Física.


“Participa de rodas literárias da faculdade em lugares como a Leiteria Itamarati, a Confeitaria Vienense e a Livraria Jaraguá. É apresentada a escritores como Oswald de Andrade e Mário de Andrade e conhece o crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes, com quem viria a se casar mais de 20 anos depois. Fazendo parte da Academia de Letras da faculdade, colabora nos jornais acadêmicos Arcádia e O Libertador. Consegue emprego como funcionária da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo”.


Assim veio Lygia!

Teses sobre Rubem

O portal tem o grande mérito de oferecer espelhos da vida dos escritores selecionados com a leveza de textos bem escritos. E o internauta paciente pode demorar-se muito na consulta e no sabor das revelações, sempre com a certeza de que não está perdendo o seu tempo. E ao rever as cobras de Luís Fernando Veríssimo confirmará que cobras, de verdade, não são as deliciosas figuras do célebre humorista, mas, sim, ele e seus quatro colegas ? alguns dos maiores cobras da literatura brasileira.

Faltam teses sobre a obra de Rubem Fonseca, entre as quais as duas que o signatário defendeu. A primeira delas na UFRGS, em Porto Alegre, no longínquo 1981, foi a segunda sobre o autor. A de doutoramento, defendida na USP, em 1989, também não consta dos registros ali reunidos. De todo modo, quem primeiro defendeu tese sobre a obra de Rubem Fonseca foi Amaline Boulus Issa, na UFSC, em 1979, em Florianópolis. Os dados são relevantes porque a imprensa tem, em resenhas e ensaios, ignorado que Rubem Fonseca começou a ser examinado em profundidade no Brasil meridional. A USP e as demais universidades brasileiras se ocuparam dele bem mais tarde.

(*) Escritor e professor da UFSCar, escreve semanalmente neste espaço; seus livros mais recentes são A Vida Íntima das Palavras e o romance Os Guerreiros do Campo

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