Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > A ARTE DA TV

Espectadores alheios à isca do marketing

Por lgarcia em 12/08/2003 na edição 237

A ARTE DA TV

Em artigo ao Financial Times [4/8/03], Chris Cramer, presidente da CNN International, discorre sobre o que faz de uma emissora um nome forte, ou o que leva um telespectador a escolher entre um canal ou outro.

Para Cramer, a explosão de canais de notícias 24 horas nas mais variadas línguas contribuiu para remodelar o acesso às notícias, "não mais guiado apenas por qual noticiário está no ar em determinado momento do dia."

"Neste universo de escolhas", escreveu Cramer, "os canais não podem apenas ser reconhecidos por seus logotipos e estilos de programa. Acredito que o espectador é bem mais sagaz que isso". Ele reconhece a importância de anúncios promocionais, "mas, ultimamente, os valores dos canais de notícias têm papel bem mais significativo na definição da qualidade do canal para os espectadores."

Cramer disse que o nome de uma emissora noticiosa é proporcional ao que oferece no jornalismo. "São valores jornalísticos e editoriais que atraem o público ao canal de sua escolha. Se esse jornalismo atender a suas expectativas, então os telespectadores permanecerão neste canal e, mais importante, continuarão voltando."

Para ele, uma marca de notícias se garante pela confiabilidade e pela precisão. "É preciso ganhar a confiança dos espectadores", afirmou. "A reputação de um canal só pode ser adquirida através de padrões estabelecidos por seu jornalismo."

Firme na tese de que uma emissora noticiosa só terá sucesso com a audiência se se comprometer com o conteúdo oferecido, Cramer critica o mundo do marketing, que tenta aplicar a um canal de notícias as mesmas técnicas que aplicariam para promover uma marca de sabão em pó. "Eu diria que [os marqueteiros] não fazem parte do processo consciencioso das decisões de um consumidor de notícias."

A NBC tem uma nova estratégia para manter o telespectador de olhos grudados na TV mesmo durante intervalos comerciais. Tratam-se de "mini-filmes" de um minuto estrelados no meio do espaço publicitário de programas do horário nobre. A iniciativa deve ir ao ar nos próximos meses.

"Todo mundo está testando formas de segurar o espectador", disse Jeff Zucker, presidente da NBC Entertainment. A emissora, segundo reportagem de Bill Carter [The New York Times, 4/8/03], produziu 10 mini-filmes, ou "1MMs", nome dado pela NBC à invenção. Entre estrelas que participam dos curtas estão Michael Richards e Carmen Electra. Alguns são de suspense, outros de humor negro.

Há um mini-filme mais longo, chamado Henry Tammer, Prodigal Bully, que tem no total quatro minutos e fala de um gênio de 8 anos que também se mostra um pequeno tirano insuportável.

A introdução de mini-filmes no horário nobre não diminuirá o tempo do intervalo comercial ou de propagandas promocionais. Os curtas irão ao ar quando um programa terminar 30 segundos antes do tempo previsto.

A NBC não é a única na empreitada. A ABC está planejando inserir uma série de filmes de três minutos que devem ser transmitidos em "capítulos" de um minuto.

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