Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Eterno apartheid

Por lgarcia em 30/05/2001 na edição 123

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MONITOR DA IMPRENSA


ÁFRICA DO SUL

Executivos negros sul-africanos vêm acusando os jornais do país, cujos proprietários continuam sendo os mesmos brancos do tempo do apartheid, de estarem conspirando contra o presidente Thabo Mbeki. Segundo Rachel L. Swarns [The New York Times, 19/5/01], 11 profissionais das maiores empresas nacionais de negros compraram uma página inteira de anúncios no The Sunday Times para atacar aquilo que denominaram "uma coalizão de forças da direita", que tenta minar a liderança negra da África do Sul. Companhias negras têm o controle do Business Day, do Sowetan e do Sunday Times, mas a Independent Newspapers, maior empresa de mídia do país, com 13 publicações diárias, é ainda de brancos.

A reclamação, que reflete preocupação do partido do Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela e Mbeki, como sempre foi rechaçada pelos brancos ? e até por comentaristas negros ?, que afirmam que o presidente é o único a culpado pelas críticas que tem recebido da imprensa. Ele chegou a ser muito elogiado pelos "jornais brancos" nos meses seguintes à sua posse, em 1999, lembra Swarns.

Ainda assim, uma pesquisa publicada pelo The Sunday Independent of South Africa mostrou que 60% dos negros entrevistados acreditam na teoria da complô contra Mbeki. A desconfiança não deixa de ser compreensível, depois de décadas de censura e manipulação da mídia por parte dos governos do apartheid.

Hoje, os jornais sul-africanos estão mais preocupados com as falhas do governo do que com seus sucessos, afirma a repórter. Mas, para os executivos negros, na África do Sul isso é conseqüência do medo dos brancos de que o presidente deixe a economia nas mãos da maioria negra. Tim du Plessis, editor branco do Rapport, classificou as acusações como absurdas. "Não há complô entre nós", afirmou. "Pelo amor de Deus, somos concorrentes!"

BERLUSCONI

O primeiro-ministro eleito Silvio Berlusconi está se preparando para "purificar" da TV estatal italiana RAI de jornalistas e executivos de esquerda, para consolidar seu domínio sobre a mídia. A diretoria foi avisada para tornar os noticiários mais simpáticos à coalizão de direita que ganhou recentemente as eleições gerais. Jornalistas, ansiosos por manter o emprego, amenizaram a cobertura e passaram a soar como os das três emissoras privadas de Berlusconi. Agora, de acordo com Rory Carroll [The Guardian, 22/5/01], o magnata estendeu sua influência para 90% dos canais de TV.

Franco Pavoncello, analista político, disse que a cobertura noticiosa da RAI mudou desde a eleição. "A posição cética em relação à direita acabou", disse. Roberto Zaccaria, presidente da RAI, disse que sua posição está insustentável. Cláudio Cappon, diretor-geral, e Vittorio Emiliani, da diretoria, serão possivelmente expulsos se não pedirem demissão. Gianfranco Fini, líder da Aliança Nacional, de Berlusconi, disse que em breve se tornará vice-primeiro-ministro, e quer "limpar" toda a diretoria e punir sua parcialidade "escandalosa" durante a campanha eleitoral.

O bilionário recém-eleito está dividido entre amainar a preocupação internacional sobre sua concentração de poder e estampar sua autoridade na RAI.


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