Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > SEX AND THE CITY

Etienne Jacintho, Keila Jimenez e Niza Souza

Por lgarcia em 05/08/2003 na edição 236

SERIADOS BRASILEIROS

"?A Grande Família? inspira concorrência", copyright O Estado de S. Paulo, 3/08/03

"A Globo tem três projetos que disputam uma vaga nas noites de sexta-feira. Um deles é inspirado em Sex And The City, produção da HBO, exibida aqui pelo canal pago Multishow. O mesmo Sex And The City serve de modelo para uma das duas pretensões que a RedeTV! tem no terreno dos seriados para 2004. A outra idéia da RedeTV! é baseada em A Grande Família, sucesso dos anos 70 que a Globo reciclou com êxito, abocanhando 40 pontos de média no Ibope. O pagodeiro Netinho também tem na Grande Família seu ponto de referência para um novo seriado.

Mas nem tudo se copia. Fazia tempo que a televisão não dedicava tanta atenção à produção de seriados brasileiros. É claro que eles não chegam a superar as telenovelas no quesito paixão nacional, mas é fato que as iniciativas atuais se multiplicam em vários canais, como nunca se viu antes.

Alvo de cobiça da concorrência, A Grande Família enfrenta agora o trabalho de arrumar a casa após a morte de Rogério Cardoso, o Seu Flô. ?Não vamos substituí-lo?, afirma o autor Cláudio Paiva, negando participações especiais de outros atores, que interpretariam amigos de Seu Flô. O autor conta que possui quatro programas gravados com a aparição de Rogério Cardoso. Os capítulos fazem parte de uma série de cinco especiais, que começaram na quinta-feira passada, sobre a separação de Bebel (Guta Stresser) e Agostinho (Pedro Cardoso). ?No quarto capítulo, há apenas uma cena com Rogério?, comenta Paiva. O último episódio da série especial já foi gravado sem a participação de Rogério, mas a morte de Seu Flô não será anunciada. A notícia da morte do personagem virá no sexto programa, quando a família, principalmente Nenê, fará uma reflexão sobre essa perda. Cláudio Paiva garante que a série não vai acabar. ?Perdemos um grande companheiro e um grande personagem, que abria muitas possibilidades de histórias.?

Mas as noites de sexta não têm merecido menos atenção da direção da Globo. Com o fim anunciado de Os Normais para setembro, pelo menos três novos projetos de séries disputam a vaga.

?A sexta-feira à noite tem um perfil de audiência diferenciado e exige conteúdo mais leve. A direção artística está analisando vários projetos e dentro de duas semanas já deve ter escolhido um deles?, explica o coordenador do Comitê Operacional da Rede Globo, Octávio Florisbal.

Entre os três candidatos, está 4 X Sexo, projeto da atriz, roteirista e produtora Patrícia Travassos, que viria a ser uma versão brasileira de Sex and The City. Além de escrever, Patrícia pretende atuar na série e deve contar com a atriz Andréa Beltrão e o diretor Maurício Farias, o mesmo de A Grande Família.

O páreo inclui ainda Nada Como Eu e Você, seriado romântico sobre um casal em que quem sustenta a casa é a mulher, uma advogada, já que o marido está desempregado. ?Eu e o Cláudio Torres Gonzaga entregamos esse projeto, que já tem até piloto gravado na Globo?, conta o roteirista Bruno Mazzeo. ?Agora, só nos resta esperar.?

Liderando a corrida das noites de sexta está Como Educar Seus Pais, de Juca Filho e Mauro Wilson, que já foi ao ar duas vezes em caráter experimental, alcançando 30 pontos de audiência. Baseado no livro homônimo do grupo Obrigado Esparro, o seriado traz a eterna e divertida guerra entre adolescentes e pais.

Custo-benefício – ?Seriados são uma boa opção para quem quer entrar na teledramaturgia, mas não tem estrutura nem experiência para fazer novelas?, conta a diretora artística da Rede TV!, Mônica Pimentel, que pensa em lançar em 2004 duas sitcoms inspiradas em fórmulas de sucesso. Bingo: uma tem pretensões de seguir o estilo de A Grande Família, e a outra será inspirada em Sex and The City. ?O custo-benefício de séries vale muito a pena. São mais baratas que as novelas e fortalecem muito a imagem do canal junto ao público e ao mercado anunciante.?

A Record que o diga. Com a Turma do Gueto, produção independente comprada da Casablanca Produções, viu sua audiência nas noites de segunda-feira pular de 4 para 10 pontos. Mais violenta que em seu início, a série se mantém como um dos programas líderes de ibope da emissora e deve ter seu contrato renovado.

?Não tínhamos nenhum produto na TV que enfocasse o negro dessa forma e acho que esse é um dos segredos do sucesso da série?, fala o diretor do programa, Pedro Siaretta. ?Isso nos incentivou. Já temos novos projetos de seriados que iremos apresentar para a Record e para outras emissoras?, diz.

Um dos idealizadores do seriado, o ex-pagodeiro e apresentador Netinho, deixou a atração por não concordar com o excesso de violência em seu núcleo, a escola, mas tem planos para criar uma nova série. O projeto está pronto e, segundo ele, só falta o patrocínio, que pode vir de um grupo americano, interessado em investir em seriados no Brasil.

?Apresentei para a Record, que gostou mas não teve interesse em investir num novo seriado?, diz Netinho. ?Então fui procurado por esse grupo, que ainda não posso revelar o nome, e estamos conversando. Eles estão avaliando o roteiro.? O projeto, cujo título provisório é Muito Prazer, é uma espécie de A Grande Família. ?A idéia é falar do cotidiano de uma família negra de classe média, nos moldes da Grande Família.? Até o final do ano, Netinho pretende ter gravado, pelo menos, o piloto da atração, que pode até ser exportada para outros países da América Latina. ?Essa é a intenção do grupo americano?, confirma.

Netinho poderia até procurar a Sony, já que o grupo está buscando novas idéias para seu casting de parcerias e co-produções nacionais. O grupo já investiu em duas séries junto com a Band, que não deram muito certo.

A Sony não quis comentar o motivo do fracasso dessas iniciativas, mas o diretor de Vendas da Sony Pictures Television International, Helios Alvarez Filho, diz que o grupo ainda tem interesse nessa área. ?A Sony Pictures está sempre em busca de boas oportunidades, quer seja em produção de filmes, séries, formatos, quer seja em distribuição?, afirma. ?E o Brasil representa o nosso mais importante território na América Latina, assim, todas as oportunidades aqui devem ser analisadas com muita atenção.

Quando perguntado sobre o novo projeto de Netinho, Helios diz não saber do que se trata, mas que ?o sucesso de Turma do Gueto é um bom exemplo de seu potencial.? Para o diretor, o telespectador está se adaptando a esse novo formato de séries que invadiu a TV aberta brasileira. ?Basta verificar o sucesso obtido por esses programas.?"

 

"?Meu Cunhado? é o representante do SBT e pode até estrear este mês", copyright O Estado de S. Paulo, 3/08/03

"O SBT, que recentemente adquiriu diversas séries americanas da Warner, está investindo em uma sitcom brasileira. A notícia não é uma novidade, já que o projeto encabeçado por Moacyr Franco existe há dois anos e tem 51 capítulos com uma hora de duração gravados. Segundo Moacyr Franco, o elenco de Meu Cunhado está para rodar o 52.? e último capítulo da primeira temporada do seriado.

O título Meu Cunhado vem de uma novela argentina, mas Moacyr Franco afirma que o enredo é diferente e está mais para Família Trapo. A história gira em torno de Ronald Golias, o endiabrado cunhado. ?Vivo um publicitário, dono de uma agência, que se apaixona por uma moça. Eu só não contava com o meu cunhado.?

Moacyr Franco acredita que, desta vez, o projeto será apresentado ao público. A previsão é de que Meu Cunhado entre na grade do SBT este mês.

?Não há nada superdefinido, mas acho que não tem erro?, diz. Além de Franco e Golias, o seriado conta com a presença de Davi Moraes, Cláudia Melo e Guilhermina Guinle – nos primeiros episódios. A direção é de Guto Franco, filho de Moacyr.

A idéia surgiu para aproveitar o talento de Ronald Golias. ?O Silvio (Santos) pediu para eu assistir ao Meu Cunhado argentino, mas eu achei que o protagonista lá não tinha as características de Golias?, diz Franco. ?Lá, era uma novela e não havia como adaptar o enredo ao ator que tínhamos em mente.? Isso porque o Golias é mais velho do que o protagonista argentino e tem um apelo muito singular, característico de seus personagens.

Para Moacyr Franco, a perspectiva de ver Meu Cunhado nas telas em breve é motivo de contentamento. ?Estou ansioso. Ser dirigido pelo meu filho é uma alegria?, fala. ?E a equipe é muito coesa. Tudo está dando certo.? Essa última afirmação é baseada no fato de que, provavelmente, a equipe comece a gravar a segunda temporada em breve.

O artista acha que esse é um bom momento, já que o público está recebendo bem esse novo formato de teledramaturgia. ?Fico contente com esta febre das séries na TV. É um caminho maravilhoso com uma gente maravilhosa envolvida?, fala Franco, que torce para que a TV acredite mais nas séries. ?A Globo já faz isso muito bem.?"

 

SEX AND THE CITY

"?Sex And The City? estréia nova temporada", copyright O Estado de S. Paulo, 3/08/03

"Não é à toa que Sex And The City serve de inspiração para novas pretensões de seriados nacionais. O programa leva uma vantagem sobre A Grande Família: só foi exposto, até aqui, aos olhos da restrita platéia da TV paga. Outro ponto a favor seria a facilidade de copiar a idéia, sem clonar o cenário: como a história é muito centrada nos hábitos de Nova York, o primeiro passo seria transferir os conflitos sexuais de um quarteto feminino na faixa dos 30 para uma metrópole brasileira.

Essa é a base. Mas, como seriado não é game show, formato capaz de ser clonado em diferentes países, não basta que a idéia seja boa: um roteirista competente é quesito fundamental para o êxito da cópia.

Nos Estados Unidos, a série cumpre sua 6.? e (anunciada como) última temporada. Não que o sucesso tenha se esgotado, mas as atrizes, encabeçadas pela produtora e protagonista (Carrie) Sarah Jessica Parker, consideram que o produto já rendeu o que deveria.

E, embora faça parte das rodas de conversa feminina – os gays também adoram – ,Sex And The City tem nos homens (55%, segundo pesquisa do Ibope) a maioria de sua audiência. Deve-se levar em conta que a aferição abrange apenas o universo da TV paga. Por esse levantamento, 47% tem entre 18 e 34 anos e 38% tem mais de 35.

Para a sorte dos brasileiros, Sex And The City ainda tem mais três temporadas a cumprir aqui. Enquanto os norte-americanos assistem à 6.? temporada, o canal Multishow estréia amanhã a 4.? safra – as exibições inéditas vão ao ar às segundas-feiras, às 22h45.

A rodada do semestre conta com participação significativa da brasileira Sônia Braga. Caberá a ela seduzir a maior colecionadora de homens da série, Samantha (Kim Cattral), que se descobrirá lésbica. Mas só por três capítulos.

Carrie vai superar definitivamente sua tumultuada relação com Mr.Big, mas um pedido de casamento desconcertará a jornalista, fazendo com que seu mundo e suas convicções sofram um terrível abalo. Enquanto isso, Charlotte (Kristin Davis) resolve seus problemas conjugais com Trey e Miranda (Cynthia Nixon), agora sócia de seu escritório de advocacia, é surpreendida por um novo homem em sua vida.

Aclamado pela crítica e pelo público, o seriado acumula diversos prêmios. Neste ano, foi indicado novamente ao Emmy em diversas categorias, como Melhor Série de Comédia, Melhor Atriz, para Sarah Jessica Parker, e Melhor Atriz Coadjuvante, para Cynthia Nixon e Kim Cattrall – ganhadora da categoria no ano passado."

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