Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > TV DIGITAL

Eugênio Bucci

Por lgarcia em 04/12/2002 na edição 201

TURMA DO GUETO

"A miséria do espetáculo", copyright Folha de S. Paulo, 1/12/02

"À medida que a televisão e o cinema vão se embrutecendo, fala-se mais e mais em estetização da violência. Filmes, novelas, peças publicitárias e programas de auditório são acusados desse que seria um terrível pecado ético da indústria do entretenimento: transformar sequestros, assaltos, assassinatos e demais crimes de sangue em objeto estético, ou melhor, em tema do divertimento público. Fala-se também em espetacularização da miséria, que seria um pecado análogo: apropriar-se do sofrimento dos mais pobres para convertê-lo em ?fotos de arte?, em ?filmes-denúncia?, em imagens comoventes.

Fala-se muito disso e, em geral, fala-se num tom de condenação, como se a estetização da violência e a espetacularização da miséria (pode-se trocar os termos e dizer, também, estetização da miséria e espetacularização da violência) fossem apenas isso: desvios de conduta dos responsáveis pela mídia. Acontece que são mais do que isso. Elas constituem o ?modus operandi? dominante da mídia. É por meio da estetização e da espetacularização, da violência e da miséria, que o ?show business? funciona e fatura. Às vezes, os resultados até surpreendem: são proezas estéticas que podem servir como ?alerta social?. É o que aconteceu com a boa série ?Cidade dos Homens?, exibida pela Globo, que, no entanto, logo se diluiu no liquidificador geral da TV. Outras vezes, os resultados servem apenas para embrulhar o estômago, como demonstram os auditórios de fim de tarde e de fim de linha. Mas, enfim, não é porque ?estetiza? ou ?espetaculariza? isso ou aquilo que a televisão é boa ou ruim. A tendência de espetacularizar e estetizar -o poder, a dor, o assassínio e tudo o mais- é uma lei geral da indústria do entretenimento (e da TV também). Até aí, portanto, nada de novo. A nossa questão é outra.

A nossa questão é que a mania de retratar a favela, o tráfico, o drama dos mais pobres, cada vez mais forte na TV, tem revelado menos a miséria da suposta realidade que se quer retratar e mais a miséria artística dos que a retratam. A espetacularização da miséria evidencia menos a angústia dos excluídos do que a carência estética dos que assinam os programas.

Penso nisso quando vejo, na Rede Record, essa série chamada ?Turma do Gueto?, que vai ao ar nas segundas à noite. Ela ostenta pretensão, com sinais explícitos de que as ambições artísticas em questão não respeitam nem mesmo o céu como limite. A impressão é que as sequências de muitos cortes e imagens de muitas cores querem dialogar com os momentos mais arrojados do longa-metragem ?Cidade de Deus?. Claro que não dá. Na outra ponta, a série é subnutrida de texto, de interpretação, de argumento e do que quer que se queira. ?Turma do Gueto? lembra uma orquestra cujos músicos se vestem muito bem e cujos instrumentos jamais se afinam. Uma desolação. Uma desolação não pelo que quer mostrar do mundo, mas pelo que não consegue esconder de si mesma.

?Turma do Gueto? entra aqui apenas como um dos muitos exemplos que indicam essa deficiência de fundo da TV contemporânea. Essa epidemia de realismo social na TV (um realismo socialista de mercado) muito raramente traz alguma contribuição artística. Quase sempre é apenas um fator de demagogia, ou de constrangimento, ou de oportunismo. Um fator de pobreza, pobreza de imaginação.

Estamos diante não do espetáculo da miséria, mas da miséria do espetáculo. O trocadilho é velho, é bom avisar de cara. Ele foi usado por Karl Marx, em 1847, quando deu o título de ?A Miséria da Filosofia? para o livro em que contestava Proudhon, autor de ?A Filosofia da Miséria?. O trocadilho, portanto, é velhíssimo, mas se aplica muitíssimo bem à novíssima situação. Não da filosofia, pois que dessa eu não entendo nada, mas do entretenimento, que eu também não entendo mas posso explicar."

ESPERANÇA

"Globo discute intervenção em ?Esperança?", copyright Folha de S. Paulo, 30/11/02

"A TV Globo pode tomar nos próximos dias a drástica decisão de nomear um novo autor para concluir ?Esperança?, de Benedito Ruy Barbosa, por causa dos atrasos na entrega dos textos dos capítulos da novela, que prejudicam as gravações, o desempenho no Ibope e encarecem os custos.

A Folha apurou que já há um eventual substituto escalado, que vem acompanhando a trama das oito nas últimas semanas. O assunto seria discutido ontem em uma reunião na casa da diretora-geral Marluce Dias da Silva, que está afastada para tratamento médico. Mas uma eventual decisão só seria tomada pelo comitê que reúne a cúpula da emissora.

No início do mês, Octávio Florisbal, diretor-geral interino, propôs a Benedito Ruy Barbosa que aceitasse dividir o texto com outro autor. Ele recusou e se comprometeu a entregar os capítulos com antecedência de seis dias da exibição. O prazo vence hoje e a promessa não foi cumprida.

Barbosa afirma que problemas familiares e um acidente de carro que ele sofreu o atrapalharam. ?Apesar de tudo, continuei mandando um capítulo por dia, mas não consegui chegar aos seis de frente. Estou com apenas quatro e na esperança de, neste final de semana, cumprir o prometido. Não me consta que a TV Globo queira mudar de autor, mas, se isso acontecer, toda uma vida de dedicação e amor àquela casa certamente estará esquecida?, diz.

OUTRO CANAL

Versão 1 Por meio de sua assessoria, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, diz que não é ele quem está comprando a TV Vanguarda Paulista, emissora da família Marinho em São José dos Campos. Afirma que a operação será formalizada nos nomes de Roberto Buzzoni de Oliveira, seu primo (e diretor de programação da Globo), e de J.B. de Oliveira, o Boninho, seu filho (e diretor de núcleo da Globo), entre outros.

Versão 2 As negociações com a Globo pela compra de 90% das cotas da emissora, no entanto, foram lideradas por Boni, que já tem uma concessão de TV em Taubaté, vizinha a São José dos Campos. O negócio teria sido fechado nesta semana por R$ 33 milhões.

Macumba É nebuloso o futuro de ?No Vermelho?, ?game show? apresentado por José Luiz Datena na Record e que estreou domingo passado com média de apenas 4 pontos no Ibope. A emissora aguarda o desempenho do programa de amanhã para decidir se muda a atração de dia e horário ou de formato.

Festa A TV Cultura festeja os picos de 4 pontos e a média de 3 alcançados com o ?Hora do Esporte? (19h30) de anteontem, quando entrou ao vivo do Morumbi, antes de São Paulo x Santos."

MANIFESTO / BAND & SBT

"Band e SBT preparam ?manifesto à nação?", copyright Folha de S. Paulo, 2/12/02

"SBT e Bandeirantes devem divulgar nesta semana um ?manifesto à nação? em que farão críticas à Globo e um ?alerta? sobre o risco de ?desnacionalização da TV brasileira? que traria a aprovação, pelo Congresso Nacional, de projeto de lei que acaba com o limite de 49% à participação acionária de grupos estrangeiros em empresas de TV a cabo nacionais.

O projeto foi aprovado no dia 5 pela Comissão de Educação do Senado. Iria diretamente para a Câmara dos Deputados, mas, devido a um recurso, terá de ser votado por todos os senadores.

Para Luiz Eduardo Borgerth, presidente da UneTV (entidade que reúne SBT e Band), o projeto põe em risco o futuro da TV nacional ?apenas para atender a um grupo que deve R$ 1,5 bilhão?. Borgerth se refere à Net, operadora de cabo controlada pela Globo.

O risco de desnacionalização está na possibilidade de o cabo, sob o controle de grupos internacionais, tornar-se o principal meio de distribuição de sinais de TV. Isso fragilizaria as redes nacionais, que perderiam espaço para canais internacionais e se submeteriam a pressões externas.

Manifesto com preocupações semelhantes, divulgado dia 19 pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, afirma que o projeto ?retirará da esfera nacional o processo de decisão sobre o conteúdo de um tipo de mídia que, nos próximos anos, poderá vir a superar a TV aberta?.

OUTRO CANAL

Supercine A cúpula da TV Globo discute nesta semana a retomada, em 2003, do projeto de produção de telefilmes, iniciado e paralisado em 2001. Em parceria com a Sony, a Globo pretendia realizar 12 telefilmes, mas ficou só no primeiro, ?O Filho Predileto?, até hoje mantido na gaveta.

Arquivo 1 O pesquisador Mauro Alencar lança no próximo dia 5, na livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, o livro ?A Hollywood Brasileira – Panorama da Telenovela no Brasil?. O detalhe é que ele exibirá trechos inéditos da primeira versão de ?Roque Santeiro?, censurada em 1975 no dia em que iria estrear.

Arquivo 2 Alencar também irá fazer o roteiro básico da edição do ?Jovens Tardes?, de Marlene Mattos, temática sobre telenovelas, a ser exibida em dezembro ou janeiro na Globo.

Socorro! João Kléber interpretará um ?clone? do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, no especial de fim de ano que a Rede TV! planeja exibir na noite de 23 de dezembro. O elenco do programa será formado por apresentadores da emissora e por ?talentos? revelados em ?reality shows?. SBT e Record também terão especiais de dramaturgia com seus apresentadores."

TV FUTEBOL

"Clubes articulam novo canal para futebol", copyright Folha de S. Paulo, 29/11/02

"Um grupo de dirigentes de futebol está articulando a criação de três novos canais pagos, dos quais os clubes seriam sócios, numa tentativa de reduzir a dependência da TV Globo, principal fonte de receita dos times.

Na última terça, dirigentes se reuniram em São Paulo na sede da empresa de marketing esportivo Sport Promotion, prestadora de serviços para a Globo.

Aos cartolas, a empresa apresentou o plano de criação do Canal Brasileiro do Futebol, que exibiria, já a partir de 2003, até quatro jogos de competições nacionais por semana. Um segundo canal transmitiria outras oito partidas semanais no sistema ?pay-per-view?, em que o assinante paga taxa extra para receber determinado conteúdo. O terceiro canal venderia produtos dos clubes.

Os clubes receberiam de 50% a 70% da receita líquida dos canais, que seriam distribuídos por uma nova operadora de TV paga via satélite. José Francisco Coelho Leal, diretor da Sport Promotion, não quis dar entrevista à Folha.

Paulo Carneiro, presidente do Vitória, confirma as negociações. ?Estamos buscando alternativas [de novas receitas], e a redução dos jogos na TV aberta para incrementar o ?pay-per-view? parece ser a melhor?, disse.

Para o projeto vingar, no entanto, seria necessária uma complexa negociação com a Globo e o canal SporTV, que têm contrato pelo Campeonato Brasileiro até 2005.

OUTRO CANAL

Novela

Depois de quase seis meses de negociação, foi fechada nesta semana a venda de 90% das cotas da TV Vanguarda Paulista, emissora da família Marinho em São José dos Campos, interior de São Paulo, para José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-vice- presidente e atualmente consultor da TV Globo.

Namoro

Em reunião anteontem, João Carlos Saad, presidente da Band, iniciou formalmente o início de negociações de uma parceria com a TV 7, produtora de televisão da agência de marketing esportivo Traffic. A recém-criada TV 7 irá desenvolver novos programas, não só esportivos, para a emissora.

Nicho 1

A Rede TV! começa hoje a veicular comerciais dos primeiros produtos de seu selo fonográfico. São duas coletâneas de sucessos musicais, em caixas de cinco CDs.

Nicho 2

Os CDs também marcam o lançamento da Rede TV! Shop, segmento de vendas por telemarketing da emissora. Em 2003, o selo deverá lançar CDs do ?Superpop? e ?Interligado Games?.

Véu

A novela ?O Clone? está fazendo tanto sucesso na Argentina, uma raridade para produções brasileiras, que irá mudar de horário de exibição. A partir de segunda, a trama, um dos dez programas mais vistos no país, deixa a faixa das 15h e passa para a das 19h."

TV DIGITAL

"Testes de TV digital recomeçam em janeiro", copyright Folha de S. Paulo, 28/11/02

"Começam em janeiro os novos testes para escolha de qual padrão de TV digital o Brasil irá adotar _japonês, europeu ou americano. Os testes, em São Paulo, serão comandados pelo grupo SET/Abert (Sociedade de Engenharia de Televisão/Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV).

Os novos testes foram provocados pelo lobby do padrão norte-americano, o ATSC, que foi rejeitado nas avaliações feitas pela SET/Abert em 1999, a um custo de US$ 2 milhões, e que apontou o sistema japonês como o de melhor tecnologia, por oferecer recepção móvel e portátil (em celulares ou televisores em carros em movimento). Os americanos e os europeus afirmam que seus padrões evoluíram de 1999 para cá.

?A gente vai pagar para ver se essa evolução realmente aconteceu?, diz Olimpio José Franco, diretor de tecnologia da SET.

Amanhã, a SET/Abert irá firmar convênio com a Universidade Mackenzie, que irá fazer os testes. ?Vamos usar os mesmos procedimentos de 99, inclusive a torre da TV Cultura?, diz Franco.

Os novos testes ainda dependem da cessão de canal pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e devem durar até um ano, o que poderá adiar a escolha do padrão, que inicialmente seria em 2000, para 2004. A TV digital envolve lobbies e investimentos bilionários e promete revolucionar a TV, com qualidade de DVD e acesso à internet.

OUTRO CANAL

Casuísmo 1

De olho no discurso de investimento social do futuro governo federal, representantes do sistema norte-americano de TV digital estiveram no Brasil, na semana passada, e tentaram, em vão, reuniões com a equipe de transição do presidente eleito.

Casuísmo 2

Os americanos, que voltam em janeiro, querem mostrar ao governo Lula que o padrão ATSC é o mais evoluído na convergência de TV com internet. E que isso poderia reduzir a exclusão digital e permitir educação à distância.

Vestibular

A produção de ?Fama 3?, que estréia em janeiro na Globo, está isolada em um hotel em Angra dos Reis (RJ), selecionando participantes do ?reality show? musical. O filtro começou com 20 mil candidatos. Em Angra, estão 96 deles, dos quais sobrarão 40, que passarão por novos testes até restarem só 12.

Areia

Não foi desta vez que o ?Jornal Nacional? ganhou seu primeiro prêmio Emmy Internacional. Um dos quatro finalistas da categoria cobertura jornalística, pelo 11 de setembro de 2001, o telejornal da Globo perdeu a final, na última segunda, para a BBC News.

Flop

Especial de fim de ano da Globo, o primeiro episódio de ?Pastores da Noite?, anteontem, na Globo, decepcionou no Ibope. Perdeu, por 19 a 26 pontos, para o filme ?O Fim dos Dias?, no SBT."

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