Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Europa 1935

Por lgarcia em 05/10/2000 na edição 99

Moacir Werneck de Castro

Europa, 1935 – Uma Aventura de Juventude, Editora Record, Rio de Janeiro, 2000 <www.editorarecord.com.br/>

Sobre o meu livro Europa 1935 – Uma aventura de juventude (Record), eu preferiria que constassem neste site opiniões alheias, como nos clippings das editoras. Mas já que sou convidado pelo Observatório da Imprensa, procedo – docemente constrangido – a resumir o que disse na apresentação que abre o livro: não se trata de uma autobiografia no sentido convencional, mas do realce dado a uma "fatia de vida" – a viagem que fiz ao Velho Mundo quando começava a minha longa caminhada de jornalista, então com 20 anos e integrante de um grupo de jovens intelectuais de esquerda.

Usando de um recurso literário para não ficar por demais limitado no tempo, acrescentei a cada capítulo um post scriptum que o complementava, ora se reportando a épocas anteriores, ora avançando para o futuro. Estruturei o livro de modo que a preocupação com o Brasil estivesse sempre presente, enquanto eu viajava durante quase todo aquele ano de 1935.

Foi essa, como acentuei, talvez a época mais fascinante da história contemporânea do Brasil – um tempo de fecundo confronto de opiniões e de grandes esperanças, estas logo frustradas com o desastre da chamada Intentona Comunista e a implantação da ditadura do Estado Novo. Vi Portugal sob a opressão salazarista, a Espanha às vésperas da Guerra Civil,, o Front Populaire nascendo em Paris e a Alemanha já sob o domínio de Hitler. (Em Berlim, tomado por judeu, fui espancado numa noite de violência nazista, prenunciadora do Holocausto.)

Fiz esse livro com carinho, empenhado em trazer de forma simples e fiel o meu depoimento de testemunha ocular da História, sem preocupações de análise trascendente. Se consegui ou não o meu propósito, não é a mim que cabe julgar. Tive algumas opiniões favoráveis, até desvanecedoras, como as de Wilson Figueiredo, Geraldo Galvão Ferraz e Alberto Dines. Houve quem pedisse mais, o que me deixa num aperto. De qualquer maneira, acredito que o meu testemunho seja útil, para os mais velhos que queiram conferir suas próprias vivências ou impressões, como para os jovens, em especial estudantes e jornalistas na mesma faixa etária do viajante aventureiro de 1935.

Muita coisa aconteceu desde então. Para a moçada de hoje, como eu disse, é um tempo tão remoto quanto para mim, com 20 anos, eram a Guerra do Paraguai ou a Lei do Ventre Livre, no Brasil; e, no mundo, a Guerra Franco-Prussiana e a Comuna de Paris. Dá vertigem pensar nessas distâncias. Mas, bem ou mal, sobrevivi e aqui estou, contemporâneo meio atônito da internet.

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