Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > ALIADOS MA NON TROPPO

Europa joga duro com EUA

Por lgarcia em 26/02/2003 na edição 213

ALIADOS MA NON TROPPO

A agência alemã de pesquisa Medien Tenor chegou à conclusão de que a mídia européia está cada vez mais enfocando a política internacional do governo americano. A questão tem polarizado a imprensa britânica ? o Sun, o Times e o Telegraph estão apoiando a guerra, enquanto outros, como o Daily Mirror (veja nota a seguir), são contra.

O dono do Telegraph, Conrad Black, condenou a cobertura da BBC na contagem regressiva para uma possível guerra. Em artigo ao Spectator, Black disse que Jeremy Paxman, âncora do Newsnight, representou "o ponto mais baixo da insolência jornalística" quando, em entrevista à BBC2, perguntou ao primeiro-ministro Tony Blair se ele e o presidente Bush oraram juntos.

Segundo Owen Gibson [The Guardian, 19/2/03], a pesquisa alemã indica que no Reino Unido há cinco vezes mais reportagens negativas em relação a positivas, quando o assunto é George W. Bush. Na TV britânica, 35% da cobertura dos EUA falavam de política internacional, seguida de crime, interesses humanos e meio-ambiente. A mídia televisiva britânica está sendo dura com os EUA, com 33% de reportagens classificadas como negativas.

Na Alemanha, onde a oposição à possível guerra no Iraque aumentou desde que Gerhard Schroder prometeu não se envolver na ação militar, cerca de 20% da cobertura de assuntos americanos foram negativos em dezembro.

Os resultados da pesquisa foram divulgados quando a RAI, emissora estatal italiana, foi alvo de insultos de partidos da oposição por não transmitir ao vivo as marchas antiguerra. As emissoras privadas do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, no entanto, cobriram os eventos.

Dividendos antiguerra

A nova onda de lucro que assolou um jornal britânico provém de nada menos que protestos antiguerra. Segundo informou Julia Day [The Guardian, 17/2/03], The Daily Mirror utilizou mais de 100 mil libras de propaganda gratuita com seu patrocínio não-oficial das marchas antiguerra no dia 15 de fevereiro em Londres.

O jornal, declaradamente contra a invasão ao Iraque, juntou uma grande equipe de relações públicas para receber cobertura em boletins de notícia nacionais. Milhares de manifestantes carregaram os pôsteres de "No war" do Daily Mirror, o que deixou concorrentes e outras marcas com inveja.

O Mirror também pagou 10 mil libras para alugar um telão no Hyde Park, em Londres, atrelando seu nome à campanha "Parem a Guerra" e à maior manifestação pública que o país já teve.

Uma pesquisa recente sobre as posições editoriais
de jornais americanos quanto à crise no Iraque indicou que,
de 37 deles, entre 15 e 19 de fevereiro, 15 fazem papel de falcão
e nove de pomba da paz, enquanto 13 permaneceram em zona neutra.

O Wall Street Journal, segundo artigo de Ari Berman ao Editor & Publisher (20/2/03), pedia ação imediata. "Os protestos por toda a Europa e arredores, impressionantes pelo número de participantes, são apenas mais uma razão para ação imediata". O Journal acredita que a "visão de um Iraque libertado" poderia sufocar o medo quanto ao uso da força.

Jornais como The New York Daily News, New York Post, The Columbus Dispatch, Rocky Mountain News of Denver e The San Diego Union-Tribune atacaram a atitude francesa, criticando Jacques Chirac. Já The Washington PostLos Angeles TimesChicago Sun-TimesThe Denver Post, The Indianapolis StarThe Tampa Tribune The Times-Picayune of New Orleans, todos dispensaram pedidos de inspeção de armas mais apurados, argumentando que mais tempo apenas ajudaria Saddam Hussein.

Alguns jornais que antes relutavam em aceitar uma guerra rápida por diversas razões diferentes agora querem que qualquer invasão receba apoio de uma forte coalizão mundial ou do Conselho de Segurança da ONU. "A parte mais fácil do desafio iraquiano pode ser a luta contra o exército de Hussein", afirmou The Dallas Morning News em editorial. "Manter o mundo ao nosso lado é, de longe, o maior desafio."

Outros jornais disseram que ao invadir agressivamente o Iraque, os EUA perderiam grande apoio de outros países. Houve, também, publicações que lamentaram a persistência de questões sem resposta do governo Bush. "É preciso mais evidências antes de um ataque e das incertezas de custos e vidas que a guerra suscitará", afirmou um editorial do San Francisco Chronicle.

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