Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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PRIMEIRAS EDIçõES > MEDIA WATCHING

Fabiano Maisonnave

Por lgarcia em 09/10/2002 na edição 193

JORNALISTA ASSASSINADO

“PF reforçará investigação no Estado”, copyright Folha de S. Paulo, 3/10/02

“A Polícia Federal vai reforçar as investigações do crime organizado em Mato Grosso. A decisão foi tomada em reunião entre o governador do Estado, Rogério Salles (PSDB), e o ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, ontem em Brasília. O encontro acontece dois dias após o assassinato do empresário Sávio Brandão, 40, dono do jornal ?Folha do Estado?.

O governo estadual acredita que a morte do empresário esteja ligada a pelo menos outros oito crimes ?de pistolagem? ocorridos nos últimos dois anos no Estado. O principal motivo seria o esquema de distribuição de máquinas caça-níqueis no Estado. O jornal de Brandão fez uma série de reportagens sobre o assunto.

O empresário foi morto na segunda com seis tiros em frente à nova sede do jornal, em construção. Sua irmã, Luiza Marília Brandão de Lima, é a mais cotada para assumir a direção do diário, que ontem completou oito anos.

Segundo o procurador-chefe do Ministério Público Federal em Mato Grosso, Pedro Taques, que participou da reunião, ficou acertado apoio para o combate ao crime organizado. Segundo Taques, vai haver apoio do Ministério da Justiça para o combate à criminalidade organizada. ?Mas homicídio é competência da Justiça estadual e vai ser investigado, como está sendo, pela Polícia Civil.?

Taques afirmou que a Polícia Federal deve enviar agentes a Mato Grosso para auxiliar nas investigações do Ministério Público em andamento. O número de policiais e a data de chegada, entretanto, não foram definidos.

A Folha apurou que a missão especial será nos moldes da criada no Espírito Santo para investigar o crime organizado. A diferença é que não haverá participação da Polícia Militar nas investigações. Salles pediu ao ministro ?gente de fora e muita discrição? na condução do caso. Em nota à imprensa, o ministro classifica a situação do Estado de ?preocupante? e se compromete a enviar ajuda.

Investigações

O diretor-geral da Polícia Civil em Mato Grosso, Milton Teixeira Filho, disse à Agência Folha que as investigações sobre a morte do empresário estão ?bem adiantadas?, mas não quis dar detalhes.

Após a morte de Brandão, a polícia prendeu três suspeitos de envolvimento em outros três crimes ocorridos este ano. Na casa de um deles, que é cabo da PM, a polícia encontrou munição diversos calibres e cápsulas detonadas de 9 mm -o mesmo calibre usado no assassinato do empresário.

?Não descartamos o envolvimento deles em outras execuções, inclusive na de Brandão?, disse. Segundo Teixeira, as cápsulas achadas serão periciadas para apurar se foram disparadas pela pistola que matou Brandão ou se têm o mesmo número de série.

Segundo o diretor-geral, as duas testemunhas do crime já prestaram depoimento, mas ele também não forneceu detalhes. Na hora do crime, Brandão estava acompanhado de um engenheiro da Encomind, a construtora contratada para erguer a nova sede.

Punição

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) divulgou ontem nota na qual pede ?justiça? e ?exemplar punição dos mandantes e dos executores desse crime que abalou toda a sociedade brasileira? (leia íntegra nesta página).

Para o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Mato Grosso, Ussiel Tavares, o assassinato de Brandão obedeceu ao mesmo ?modus operandi? de outras mortes encomendadas pelo crime organizado no Estado. ?A forma de agir desse poder paralelo é quase sempre a pistolagem?, afirmou Tavares. (Colaboraram MAURO ALBANO, da Agência Folha, e a Sucursal de Brasília)”

***

“Governo de MT vai apurar crimes de ?pistolagem?”, copyright Folha de S. Paulo, 2/10/02

“Um dia após o assassinato do empresário Sávio Brandão, 40, dono do jornal ?Folha do Estado?, segundo maior de Cuiabá em circulação, o governador de Mato Grosso, Rogério Salles (PSDB), anunciou a criação de um grupo de investigação para os crimes que considera de ?pistolagem?.

Segundo o governo, pelo menos oito pessoas morreram em circunstâncias parecidas à de Brandão nos últimos dois anos.

O empresário foi morto anteontem por volta das 15h30 em frente à nova sede do jornal, prevista para ser inaugurada no mês que vem. Ele vistoriava as obras que estão sendo feitas no local quando foi atingido por tiros de pistola 9 mm, na cabeça e no peito, disparados por dois homens, que fugiram em uma moto.

A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso informou ontem que pelo menos dez tiros foram disparados contra o empresário, que foi enterrado ontem, no início da tarde.

Sávio Brandão era casado e sua mulher está grávida de sete meses. Além do jornal ?Folha do Estado?, ele era proprietário da rádio Cidade e de uma empresa de construção civil.

Na redação da ?Folha do Estado?, jornalistas suspeitam que o crime possa estar relacionado com a publicação de matérias sobre cassinos e jogo do bicho.

Segundo eles, Brandão não havia recebido nenhum tipo de ameaça e havia até dispensado, nos últimos dois meses, a presença dos seguranças que costumavam acompanhá-lo.

?É prematuro levantar qualquer tipo de hipótese agora. Nossa linha era denunciar tudo o que havia de errado?, disse Ciro Braga, diretor administrativo do jornal.

A Polícia Civil de Mato Grosso não deu informações ontem sobre as investigações, mas não descarta, inclusive, a relação do crime com a publicação das matérias sobre jogo do bicho no Estado.

O secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Benedito Corbelino, anunciou também prisão de três suspeitos, os nomes não foram divulgados, de participação de três assassinatos ocorridos neste ano. Todos são policiais e ex-policiais.

Corbelino não descartou também a possibilidade de eles também terem participado do assassinato do empresário, mas disse que ainda é prematuro para fazer tal ligação.

Segundo o secretário, a polícia tem fortes indícios da participação deles em outros crimes: na morte do radialista Rivelino Brunini e do empresário Fauser Rachid Jaude, em julho, e do sargento da PM José Jesus de Freitas, em abril passado.

Semelhanças

A morte do empresário tem as mesmas características de outros oito assassinatos nos últimos dois anos -entre eles, do vereador de Várzea Grande (grande Cuiabá) e candidato a deputado estadual Valter Pereira (PPB), no mês passado. Todos foram cometidos depois de abordagem por moto ou emboscada.

Ontem à tarde, depois de uma reunião de Salles com a cúpula da segurança pública no Estado, o governo determinou a criação de um grupo formado por três delegados para investigar exclusivamente crimes de pistolagem.

Nos próximos dias, o governador deve viajar a Brasília para discutir o problema no Ministério da Justiça.

Representantes da ANJ (Associação Nacional de Jornais) reuniram-se ontem com a chefe de gabinete do Ministério da Justiça, Taís Gasparian, e com o secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, para exigir acompanhamento rigoroso do crime. A ANJ deve divulgar nota sobre o caso hoje.

O jornal ?Folha do Estado? circulou ontem com um fundo preto na capa e a frase: ?Abafa-se a voz, mas nunca o pensamento?, que era dita pelo avô de Sávio, Agrícola Paes de Barros. O jornal completa hoje oito anos de existência. (Colaborou MAURO ALBANO, da Agência Folha)”

 

“Em nota, ANJ pede justiça”, copyright Folha de S. Paulo, 3/10/02

“Confira a seguir a nota divulgada pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) sobre a morte do empresário Domingos Sávio Brandão de Lima Júnior.

A Associação Nacional de Jornais – ANJ manifestou de forma enfática ao Ministério da Justiça a sua indignação com o assassinato do advogado e empresário Domingos Sávio Brandão de Lima Júnior, proprietário e diretor-presidente da ?Folha do Estado?, de Cuiabá (MT), jornal associado a esta entidade.

A Associação Nacional de Jornais – ANJ clama por justiça e pela exemplar punição dos mandantes e dos executores desse crime que abalou toda a sociedade brasileira, mais uma vez vilipendiada em seu valor maior, que é a própria vida dos seus cidadãos.

A direção desta entidade, que congrega 123 empresas associadas em todo o país, foi informada pelo secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, de que, dentro dos atributos legais, o Ministério da Justiça oferecerá apoio diferenciado por meio da Polícia do Estado de Mato Grosso para a apuração rigorosa das circunstâncias do crime e a total elucidação dos fatos.

A Associação Nacional de Jornais ANJ não pode tolerar qualquer ação que coloque em risco a garantia constitucional do livre exercício da atividade jornalística, exige condições para que os profissionais de empresas de comunicação possam trabalhar com segurança e não admite que a violência impere onde a verdade se estabelece.

Brasília, 2 de outubro de 2002.

Francisco Mesquita Neto, Presidente da ANJ”


JORNALISTA PRESO

“Jornalista é preso no Paraná”, copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 4/10/02

“Um repórter do jornal O Diário do Norte, de Maringá (interior do PR), foi preso no final da tarde de quarta-feira (03/10) em flagrante, acusado de receber propina de um empresário. Na mesma ocasião, dois policiais civis foram detidos, também em flagrante, supostamente recebendo dinheiro da mesma pessoa – um empresário da cidade que responde a inquérito policial.

O jornalista Roberto Silva e os policiais Robson Avancini e Milton Sinke, da delegacia de Furtos e Roubos de Londrina (cidade próxima a Maringá), estavam sendo investigados pelo Ministério Público. Eles foram denunciados por Evaristo Andrade, suspeito de ser dono de um desmanche, que os acusou de extorsão. Os policiais estariam exigindo dinheiro para não dar prosseguimento ao inquérito policial que o empresário responde por desmanche e receptação de peças de veículos roubados. Silva estaria pedindo dinheiro para não publicar matérias sobre o caso.

O Diário do Norte publicou na quinta e nesta sexta (04/10) matérias sobre o assunto. De acordo com a reportagem, há dois meses Roberto Silva escreveu matéria sobre uma ação da Polícia Civil, quando um desmanche de veículos, pertencente a Andrade, foi estourado. O desmanche, com fachada de ferro-velho, funcionava em Paiçandu, a 10 km de Maringá. A matéria foi publicada pelo jornal na época.

De acordo com a reportagem de O Diário, o jornalista Silva foi preso em flagrante, perto da redação do jornal, recebendo R$ 350 das mãos de Andrade. Já os policiais foram pegos em outro local, no centro da cidade, recebendo R$ 2,5 mil. Os seis promotores encarregados do caso e os delegados que tomaram os depoimentos não quiseram falar à imprensa – o jornal colheu algumas informações extra-oficialmente na quarta-feira, lembrando que nenhuma prova foi apresentada. Foi apurado, ainda, que a promotoria conseguiu gravar conversas telefônicas entre o jornalista e o empresário, e que haveria gravações em vídeo dos policiais recebendo a propina.

Os policiais Avancini e Sinke são da Delegacia de Furtos e Roubos de Londrina. Eles participavam das investigações sobre o desmanche de Evaristo Andrade porque no local foram encontradas peças e motores de veículos furtados em Londrina.

Armação

Roberto Silva disse que tudo não passa de armação contra ele. O advogado do jornalista, Israel Moura Batista, disse à reportagem do Diário do Norte que apenas os depoimentos dos policiais do Serviço Reservado (P2) que fizeram a prisão não são suficientes para provar que Silva teria extorquido dinheiro de Andrade.

A versão que o advogado deu é de que Andrade ofereceu dinheiro como ?forma de agradecimento? pelo fato de que, na matéria sobre o desmanche, Silva não ter citado o nome completo dele, colocando apenas as iniciais. ?Ele ficou grato por não ter o nome escrachado no jornal?, declarou Israel Batista. ?O jornalista nunca telefonou ao empresário e sequer exigiu dinheiro?, disse o advogado.

Batista disse, ainda, que Roberto Silva foi interceptado por Evaristo Andrade perto da redação do jornal. Ele (Silva) desceu do carro (da empresa), e o Evaristo agradeceu e colocou o dinheiro no bolso do Roberto?, esclareceu. O advogado sustentou que o flagrante foi armado, portanto nulo, e entrou com pedido de liberdade provisória para o jornalista.

Israel Batista disse que os depoimentos dos policiais tentam incriminar Silva por vingança, uma vez que o jornalista teria feito reportagem denunciando práticas de tortura por parte da P2.

Entrevista

Na tarde de quinta-feira (3/10), Silva deu entrevista ao jornal onde trabalha. Ele continua preso. A reportagem foi publicada nesta sexta. O jornalistas sustenta a versão de que foi vítima de armadilha e explica os fatos. A seguir, trechos da reportagem:

?Segundo Silva, agentes da polícia reservada do 4? Batalhão da Polícia Militar (P2) foram destacados para a ação de flagrante, sendo policiais do mesmo setor denunciado por ele, pela prática de tortura. A matéria publicada neste jornal, no dia 29 de agosto deste ano, traz a informação de que dois bandidos capturados pela P2 reagiram à prisão e haviam sido torturados durante horas na sede do 4? BPM.

O policial, sargento Martinez, que deu a voz de prisão ao jornalista seria um dos agentes citados em denúncias pela tortura. Coincidentemente, ironiza Silva, ele (policial) está em férias e passava casualmente pelo local pouco antes do flagrante. ?Lembro das palavras dele: Te peguei, te peguei?, conta Silva.

Além disso, ele suspeita que tenha vazado a informação de que estaria preparando uma reportagem sobre a prática de tortura dos policiais da P2. ?Seria uma matéria bomba. Recebi várias denúncias e estava trabalhando nisso. O caso é sério. Muitas vítimas afirmam ter procurado o Ministério Público, que sempre ignorou as denúncias?, comenta.

O jornalista teve até uma divergência com o comandante da polícia reservada, tenente Radamés. ?Também recebi denúncias de soldados e cabos do batalhão de que o Radamés estaria os obrigando a marchar por 45 minutos todos os dias?, recorda. ?Pedi providências ao comandante do batalhão, naquela época o tenente comandante Gilberto Kummer. Ele proibiu a marcha. Depois disso, ele (Radamés) jurou por várias vezes que ia me pegar?, destaca.

Dois promotores foram mencionados por Roberto Silva como desafetos declarados: Maurício Kalache e José Aparecido da Cruz. ?Eu divulguei um depoimento de uma das importantes testemunhas do caso de extorsão dos seis policiais?, relembra. ?No dia seguinte, a testemunha me procurou dizendo que não havia falado muitas coisas do que estava escrito em seu depoimento. Ela depôs, assinou, mas não o leu porque estava com pressa e pela pressão do Ministério Público?.

O fato foi que o seu depoimento amparava a acusação do Ministério Público contra os policiais. ?Quando ela viu que um monte de coisa escrita, como se fosse declaração própria, a testemunha foi ao Fórum e retirou as acusações?, diz. ?O promotor Maurício Kalache que estava à frente da denúncia me culpou e na frente de uma jornalista e um fotógrafo afirmou que ?isso não iria ficar assim?, sublinha.

Silva relata que o atrito com o promotor José Aparecido da Cruz foi quando o questionou sobre a autorização da mudança de nome, que ele concedeu a uma pessoa que respondia a vários processos no Paraná e em São Paulo. ?O episódio foi na boca maldita. Questionei e ele não me respondeu. Num outro dia, encontrou com a minha esposa (jornalista Tereza Meneghel) e falou que eu o tinha ?peitado?, cita.

De acordo com o tenente Ideval de Oliveira, oficial de comunicação do 4? BPM, a designação de policiais da P2 para fazer a flagrante do jornalista não foi indicada. ?Simplesmente, eles estavam mais perto do local dos flagrantes?, afirma. O tenente Radamés se recusou a atender a reportagem e, por intermédio do tenente Ideval, disse que a prisão do jornalista deveria ser tratado com o Ministério Público.

Tanto os promotores Maurício Kalache como José Aparecido da Cruz não foram localizados pela reportagem e nem retornaram as ligações. ?É juntar as peças e ver que tudo se encaixa?, enfatiza Silva.

O empresário Evaristo Nunes de Andrade, que apresentou como extorquido, participaria ?na trama? – como define Silva, na figura da vingança. A partir de uma dica do jornalista que a Polícia Civil desmantelou um desmanche de veículos de Evaristo – matéria publicada nos dias 27 e 28 de agosto.

Andrade alega que o repórter exigia dinheiro em troca da não publicação de uma matéria. Foi a denúncia do empresário ao Ministério Público que desencadeou a ação de flagrante. Ele também denunciou ser vítima de extorsão de dois policiais civis de Londrina, também presos em flagrante, anteontem.

Andrade tem várias passagens pela polícia, entre elas por estelionato, receptação qualificada (de peças furtadas) e ameaça. ?É uma pessoa de credibilidade duvidosa?, atenta.

Até ontem, nenhuma suposta gravação de conversas telefônicas entre Evaristo Nunes de Andrade e Roberto Silva haviam sido apresentadas. Sem a confirmação, Silva questiona a existência de provas. ?Quero ver as provas de que estou extorquindo o Evaristo. Disseram que tem telefonemas gravados e fiquei muito aliviado, pois sei a verdade virá a tona. Nunca pedi dinheiro e estou tranqüilo?, desabafa.

O tenente Ideval de Oliveira confirmou a gravação (vídeo), apenas, do flagrante dos policiais civis. O Ministério Público mantém em sigilo a existência ou não das provas. O promotor Laércio Januário explica que o MP está respeitando a integridade física dos acusados e que aguardará as investigações da polícia, que deve durar 10 dias.

?Não posso dizer se há ou não, mas se houver as apresentaremos no momento oportuno (depois das investigações). Não podemos escrachar nomes e desde já expô-los de forma irresponsável. Vamos esperar o resultado da investigação e analisar os fatos?, despista o promotor.

A questão é que, sem a apresentação das provas, o jornalista e os policiais continuam detidos por terem recebido dinheiro de Evaristo, pelo fato da denúncia de extorsão. O advogado de defesa Israel Batista de Moura entrou com pedido de liberdade provisória do jornalista, no final da tarde de ontem.

O jornalista Roberto Silva confirmou conhecer Evaristo Andrade Nunes, visto que em 2000, por ocasião de buscas realizadas em locais considerados como desmanche de veículos em Maringá, o denunciante teria recebido a visita da polícia, inclusive sendo chamado à delegacia para prestar explicações.

Silva lembra que, na gestão passada, Evaristo foi indiciado em inquérito policial, tendo inúmeras peças apreendidas pela polícia e, que em data anterior ao dia 26 de setembro deste ano O DIÁRIO recebeu uma denúncia anônima de que na rodovia de acesso à Paiçandu – no setor industrial – havia um barracão (de propriedade do empresário) aparentemente utilizado para desmanche.

O jornalista, então, comunicou os delegados Aparecido Jacovós e Nilson Rodrigues sobre a denúncia. Silva acompanhou as investigações no local – constatando nada de anormal. Ele editou a matéria, preservando o nome do proprietário, já que não houve prisão em flagrante e nenhuma irregularidade. Depois de informado sobre a apreensão de peças suspeitas no barracão de Evaristo, Silva fez outra matéria – dia 28 de agosto – descrevendo o caso e citando o nome do empresário pelas iniciais.

Passado alguns dias, o jornalista encontrou com o advogado do empresário na delegacia, o qual lhe transmitiu que Evaristo tinha ficado agradecido pela forma da publicação da matéria e diante disso queria presenteá-lo. Depois de mais alguns dias, Roberto recebeu vários telefonemas do próprio Evaristo, sempre com a mesma explicação de querer gratificá-lo.

Na última quarta-feira, dia do flagrante, Evaristo ligou às 13 horas para o jornalista e disse que queria lhe entregar o presente, em dinheiro. Silva, que se dirigia à delegacia, pediu que Evaristo viesse junto. ?Como era presente, poderia ser entregue na delegacia?, diz.

No entanto, o empresário marcou o encontro perto da sede de O Diário. Deu uma quantia em dinheiro (R$ 350,00) e disse que oportunamente entregaria mais, inclusive, teceu evasivas conversas. O jornalista diz que suspeitou que estava sendo gravado, mas não se importou porque entendeu que não fazia nada de errado.

Depois de entregue o dinheiro, Evaristo telefonou a policiais que interceptaram o repórter para averiguação. Notas encontradas com ele conferiam com as xerocadas.?

A íntegra das reportagens pode ser lida no site de O Diário do Norte.”

 

MEDIA WATCHING

“O desafio dos media-watching”, copyright Comunique-se (www. comuniquese.com.br), 1/10/02

“Sites brasileiros de media watching têm um grande desafio pela frente: sair das fronteiras da comunidade jornalística e atingir também o leitor comum. Essa é a opinião do repórter Omar Godoy, do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba. ?O leitor de jornais precisa ter uma visão mais crítica sobre a imprensa e os sites sobre jornalismo podem ajudar nesse aprendizado?, diz Godoy.

?O brasileiro ainda é muito crédulo. O que sai no jornal ou na tevê, ele acredita, muitas vezes sem questionar?, opina. ?A gente tem que lembrar que a maioria das pessoas se limita a ler um jornal ou assistir um telejornal por dia. Nesse ponto a internet é a ferramenta ideal para dar novos ângulos à notícia?.

Para produzir matéria sobre os sites voltados ao jornalismo, publicada neste domingo (29/09) no Caderno G (suplemento cultural da Gazeta), com o título ?Quem vigia os vigilantes??, o repórter passeou pela web, visitando dezenas de endereços e blogs de jornalistas, e entrevistou pessoas ligadas à área. A própria reportagem deverá atrair um bom número de novos visitantes para os sites comentados – a Gazeta é um dos jornais mais lidos no Paraná.

?O Ivson Alves me falou que estes sites precisam conquistar um público maior. Concordo com ele?, diz Godoy. A matéria abre lembrando que a imprensa brasileira, chamada de ?quarto poder? ou ?poder paralelo?, está apenas começando a entrar na era do media-watching, conceito já disseminado há um bom tempo nos EUA e Europa.

Na reportagem, Ivson Alves lembra que o boom de media-watching na internet local é ?fruto da fase agitada de ?adolescência? da redemocratização do país?. E diz que o primeiro passo para que os sites de monitoramento da imprensa alcancem um público maior é ?superar a arrogância? dos próprios jornalistas. ?Depois de vencida esta dura etapa, tudo ficaria mais fácil se as pessoas tivessem acesso a uma publicação impressa, com periodicidade regular, bem distribuída e com preço razoável?, comenta Alves.

Omar Godoy cita o Observatório de Imprensa como o exemplo de media-watching brasileiro melhor estruturado em termos de conteúdo e qualidade. O Comunique-se é lembrado como uma ?verdadeira central de informações sobre o jornalismo brasileiro, mas não dedicado exclusivamente ao monitoramento da mídia?.

Marinilda Carvalho, editora-assistente do Observatório, fala sobre o projeto inicial do programa de tevê com o mesmo nome, comenta a migração para a internet e salienta que o aumento do interesse pelas iniciativas de media-watching vem de uma ?maior conscientização de leitores e telespectadores com relação à queda da qualidade da mídia em geral?.

O site Imprensa Marrom é citado na reportagem como uma iniciativa sem tanta estrutura, mas que ?leva a sério o trabalho de vigiar a imprensa?. Godoy diz que ficou com a impressão que o Imprensa Marrom é o site que traz a visão mais ?de fora? da comunidade. ?Além de jornalistas que não estão empregados em grandes veículos, o site é feito por pessoas de outras áreas?, observa. O diretor, Fernando Gouveia, é advogado e foi entrevistado para a matéria.

Godoy visitou ainda dezenas de blogs pessoais de jornalistas. ?A maioria funciona como válvula de escape para a pessoa escrever aquilo que não pode publicar no veículo em que trabalha. Mas não só por questões de censura. Às vezes, simplesmente, o cara está numa editoria de esportes, mas gosta de cultura, então faz seu blog para escrever sobre o que mais entende?, comenta o repórter, lembrando que no caso dos blogs o desafio é manter um público cativo. ?Você joga seu anzol num oceano e fica esperando quem vai morder a isca?.

A reportagem de Godoy recomenda, além do Comunique-se, do Observatório da Imprensa e do Imprensa Marrom, os seguintes sites: jornalistas.blogspot.com; mosca.blogspot.com; picadinhodiario.blogspot.com (de Ivson Alves); Brasil IndyMedia, Digestivo Cultural e Mídia Sem Máscara.

(Infelizmente, n&atiatilde;o é possível fornecer o link para a reportagem de Omar Godoy. O site Tudo Paraná, que abriga o jornal Gazeta do Povo, está em fase de reestruturação. Links para matérias publicadas anteriormente não estão funcionando no momento).”

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