Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1024
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Fernanda da Escóssia

Por lgarcia em 30/01/2002 na edição 157

CASO CÁSSIA ELLER

"Exames não encontram drogas em Cássia", copyright Folha de S. Paulo, 24/01/02

"Os primeiros resultados dos exames toxicológicos realizados pelo Instituto Médico Legal do Rio não encontraram drogas entorpecentes nem álcool no sangue, nas vísceras ou na urina da cantora Cássia Eller. A única substância encontrada foi xilocaína, um tipo de anestésico dado a Cássia na clínica Santa Maria, em Laranjeiras, durante as manobras médicas feitas nas tentativas de ressuscitação da cantora.

Cássia Eller morreu no dia 29 de dezembro, após sofrer quatro paradas cardíacas. Diante da suspeita de morte causada por drogas, a polícia determinou a necropsia.

Os resultados do exame toxicológico não foram oficialmente divulgados. A Folha os obteve junto a um dos profissionais que trabalham no caso. Ele informou que os exames toxicológicos na urina teriam condições de detectar a presença de drogas consumidas até cinco dias antes da morte de Cássia. Deram negativo.

O resultado surpreendeu a equipe envolvida, já que contraria depoimentos obtidos pela polícia.

A polícia já abriu dois inquéritos: um para apurar a causa da morte e outro para investigar a suspeita de tráfico de drogas. Já tem até nomes de supostos fornecedores de drogas, revelados pelo pai da cantora, Altair Eller.

O especialista Daniel Romero Muñoz, professor responsável pela disciplina de medicina legal da Faculdade de Medicina da Universidade de SP (USP), disse que é preciso ter informações complementares para saber o que poderia ter causado a morte.

?Se o teste deu negativo, a primeira coisa que você vai ter que pensar é que realmente não tinha nada. É preciso ver a metodologia e o tipo de teste, que poderiam interferir dando um resultado negativo numa pessoa que eventualmente tenha usado?, afirmou.

Segundo ele, o uso de soro e de alguns medicamentos, como diuréticos, ajuda na eliminação de substâncias como álcool e drogas. ?Não sabemos a quantidade ingerida e o tempo que levou para ingerir. Agora, no geral, a cocaína é detectada pela urina?, afirmou.

No ensaio com a banda no dia 28 de dezembro, Cássia bebeu cerveja -informação confirmada por seu empresário, Ronaldo Villas, e pela percussionista da banda, Elaine Moreira, a Lan Lan.

Foi Lan Lan quem socorreu Cássia. Ela disse, em depoimento à polícia, que, quando chegou ao apartamento da cantora, Cássia estava alcoolizada e que sentiu, pelo hálito da amiga, que havia bebido muito. Ela afirma que levou Cássia para dar uma volta de carro antes de interná-la, para ver se ela se acalmava. Viu escorrer do nariz da cantora uma substância branca que imaginou ser cocaína.

No hospital, Lan Lan e a também percussionista Thamyma Brasil contaram aos médicos suas suspeitas de uso de cocaína. Depois, Lan Lan ouviu do cardiologista Marcos Vinícius Oliveira, que atendeu Cássia, a informação de que a própria Cássia havia contado ter cheirado um grama de cocaína. A Folha entrou em contato com Oliveira, mas ele não quis falar sobre o assunto.

O cardiologista Rafael Leite Luna, que viu Cássia no hospital duas horas antes de sua morte, disse suspeitar de intoxicação exógena múltipla, causada por álcool, drogas e medicamentos. Ele tinha dúvidas sobre o uso de cocaína, droga que, segundo ele, deixa o coração lento. O coração de Cássia batia rápido.

A companheira de Cássia, Eugênia Martins, contou em depoimento à polícia que a cantora era usuária de drogas, mas fazia tratamento de desintoxicação."

 

MÍDIA EM CRISE

"Placar: Abril fecha revista mas continuará explorando a marca", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 24/01/02

"A Abril decidiu fechar mais uma vez a revista Placar, sem abrir mão de continuar explorando a marca, seja através de uma série de publicações especiais e do site, seja por outros projetos.

Placar é um caso sui generis, em se tratando de Abril. Lançada com pompa e circunstância quando nossos craques ainda eram chamados de feras (quem não se lembra das Feras do Saldanha), isso lá pelos idos de 1970, ela nunca mais foi a mesma depois da fase áaacute;urea do futebol brasileiro. Grandes nomes do jornalismo esportivo passaram por lá, entre eles o diretor de Conteúdo do Comunique-se, Milton Coelho da Graça, Jairo Régis, Juca Kfouri, Lemyr Martins, João Ratt, Jangada, Maurício Cardoso, Carlos Maranhão, Biriba, Celso Kinjô e seriam aqui preciso dezenas de linhas para citar todos os que freqüentaram o expediente da revista em sua primeira fase, que durou até o final dos anos 80.

Da fase de relançamento, com Juca Kfouri, logo após a conquista do Tetra, em 1994, vieram outros colegas como Leão Serva e Alfredo Ogawa, até chegar à equipe atual, comandada por Sérgio Xavier Filho, integrada ainda pelo redator-chefe André Fontenelle, pelos editores Fábio Volpe, André Rizek e Arnaldo Ribeiro e pelos repórteres Eduardo Cordeiro, em São Paulo, e Léo Romano, no Rio de Janeiro.

Placar nasceu semanal (os mais antigos devem ainda se lembrar da efígie de Pelé cunhada numa bolacha de latão dourada, aplicada à capa da edição n? 1, com mais de 500 mil exemplares de tiragem), passou a mensal, voltou a semanal, mudou de formato, de conteúdo, de papel, caracterizando-se como uma publicação de resistência e de persistência.

Não tentaria tanto, a Abril, se não acreditasse e se não tivesse ganhos com a publicação. E a melhor prova disso é que a empresa fechou a revista (o último número irá às bancas em 29 de janeiro), mas continuará apostando nas lucrativas edições especiais, em projetos como Grandes Clubes Brasileiros, Edição dos Campeões, Guia da Copa do Mundo, Guia do Brasileirão etc. Também o site continuará no ar.

Com o fim da revista, anunciado na segunda-feira (21/1) pelo diretor do núcleo Paulo Nogueira, a equipe atual, integrada por apenas 13 colegas, será ainda mais reduzida. Sérgio Xavier Filho está discutindo com a empresa o formato e o tamanho do time que com ele permanecerá e possíveis alternativas de recolocação, preferencialmente na própria Abril, dos colegas que serão dispensados.

Ao todo, mantido o atual cronograma, serão 37 edições especiais até o final do ano.

Num ano de Copa de Mundo é difícil crer que dois dos mais tradicionais títulos da imprensa esportiva brasileira deixem de circular. Há pouco mais de um mês foi A Gazeta Esportiva, agora Placar. Mas não é só. A Rádio Jovem Pan, uma das mais tradicionais em cobertura esportiva, sobretudo quando o assunto é futebol, não comprou os direitos e não vai, portanto, transmitir os jogos da Copa do Mundo do Japão e Coréia. É outro fato inusitado, sabendo-se sobretudo os milhões e bilhões de dólares que estão em jogo numa competição dessa natureza.

E não se pense que a ausência da Jovem Pan trouxe alegria para a concorrência. Disse na última semana, a Jornalistas&Cia, um graduado exececutivo de uma das mais tradicionais rádios brasileiras, que a ausência da Pan na Copa é ruim, como um todo, para o meio rádio, pois a verba que deixa de ser nele aplicada migra para outros meios, sem perspectiva de retorno.

É como se diz, cada vez mais: o futebol brasileiro já não é o mesmo e a cada dia tem menos magia."

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