Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

PRIMEIRAS EDIçõES > ELEIÇÕES 2002

Fernanda Krakovics

Por lgarcia em 09/10/2002 na edição 193

ELEIÇÕES 2002

“Radialista é baleado e tem a mão perfurada”, copyright Folha de S. Paulo, 5/10/02

“O radialista Felipe Santolia foi encontrado ontem pela manhã em um sítio próximo ao município de Joaquim Pires, a 200 quilômetros de Teresina, com a mão esquerda perfurada por um prego e com um tiro na coxa direita.

Ao ser internado para atendimento em um pronto-socorro de Teresina, Santolia disse que ontem divulgaria uma fita com denúncias de compra de voto envolvendo um político local.

Santolia conduz um programa diário em uma rádio comunitária em Esperantina, a 40 quilômetros do local onde foi encontrado.

Ele apóia candidatos do PFL. Segundo Santolia, um suposto correligionário do PFL fez contato com ele na quinta. O radialista diz ter seguido instruções para entregar material de campanha e ter sido atacado ao chegar ao local. Foi aberto inquérito. A polícia decidiu apreender as fitas que o radialista colocaria em seu programa de ontem. O conteúdo será analisado para ver se há comprovação de compra de votos.”

 

“Sites fazem panfletagem virtual e criam internauta marqueteiro”, copyright Folha Online (www.folha.com.br), 4/10/02

“Pela primeira vez em uma campanha presidencial, a internet fez a diferença como instrumento de propaganda. Os principais candidatos apostaram na rede como uma vitrine para espalhar material de campanha pelo país, cutucar adversários e medir a satisfação do eleitor com as campanhas.

Com mais espaço e agilidade que outros veículos, a rede foi transformada pelos marqueteiros políticos em um laboratório para novas experiências e em mais um campo de batalha das campanhas.

?Nesta eleição, a internet começou a fazer a diferença. Muita coisa gira em torno do site. Ele funciona como uma ferramenta de integração entre as diferentes partes da campanha?, disse o coordenador de internet da campanha de José Serra (PSDB), Jean Boechat.

Segundo a equipe responsável pelo site do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a internet pode não ajudar na conquista de votos da mesma forma como ocorre com o rádio ou a televisão, mas ela ajuda o eleitor a se decidir, ao colocar o máximo de informações possíveis à sua disposição.

Um levantamento nos sites mostra que os internautas tiveram especial interesse pelos programas de governo, aqueles calhamaços de papel aos quais pouca gente tinha acesso e que quase ninguém conseguia arranjar tempo para ler. Na internet, eles foram os campeões de audiência.

?[O site] É um dos únicos instrumentos para você ter acesso ao programa de governo?, diz o editor do site de Ciro Gomes (PPS), Régis Souto.

No caso do PT, além do alto índice de leitura dos internautas, foram registrados 80 mil downloads, de pessoas que baixaram em seus computadores a íntegra dos planos de governo.

Apenas no site de Serra, batizado de ?Campanha On Line?, o programa aparece em segundo lugar no ranking de audiência, por causa do formato da página, que funciona como uma espécie de agência de notícias. Nesse caso, as reportagens publicadas e reproduzidas na página do tucano concentraram a maior parte da audiência.

Juntos, os quatro principais candidatos produziram e reproduziram aproximadamente 8.000 matérias, durante os últimos três meses de campanha.

Foi utilizando reportagens próprias e textos de outros veículos que os portais dos candidatos José Serra e Ciro Gomes (PPS), por exemplo, travaram boa parte da batalha pelo segundo lugar nas pesquisas.

Panfletagem virtual

Foi pela internet também que parte da militância conseguiu ter acesso à estratégia e ao material de campanha de cada presidenciável. ?Em alguns lugares [mais distantes], o material de campanha só chega através do site?, disse o coordenador do site tucano.

As seções com material de campanha ficaram em segundo lugar entre as mais acessadas. Nesses endereços é possível baixar no computador imagens de santinhos, panfletos e outros documentos, que podem ser impressos em casa ou em uma gráfica.

?Para a nossa campanha, que tinha poucos recursos, a internet facilitou o envio de material?, disse o publicitário Carlos Rayel, da campanha de Anthony Garotinho (PSB).

No site do PT, também foi destaque a Lojinha virtual, que vende bonés, brincos, camiseta, estrelas e outros produtos ligados à campanha, e os cartões eletrônicos. ?Trouxemos para o site alguns conceitos que já são vitoriosos na internet comercial. Essa foi uma forma bacana de espalhar material pelo país e fazer uma panfletagem virtual?, afirmou um coordenador do site de Lula.

Internauta marqueteiro

Outra surpresa para os partidos foi o grande número de emails com sugestões e críticas sobre a campanha de cada candidato. O PT estima que 40% das 4.000 mensagens diárias recebidas pelo partido tinham esse tipo de conteúdo.

?Temos muito retorno das pessoas, e é gente do país inteiro, de lugares que você nem imagina?, disse o coordenador do site tucano, Jean Boechat. Segundo ele, a campanha já recebeu mensagens de 2.069 municípios de todas as regiões do Brasil.

Os marqueteiros oficiais também ficaram de olho nos sites. Para o publicitário de Garotinho, foi importante fazer um acompanhamento on line das reações dos eleitores. ?Com a interatividade, você fica sabendo mais rápido qual a opinião do eleitor. E é sempre um retorno qualificado?, disse Rayel.

Segundo o tucano Boechat, algumas idéias surgidas na internet puderam ser testadas e depois levadas para outros tipos de veículos. ?Ainda estamos descobrindo o que o eleitor quer e quais as possibilidades que a rede tem. Essa eleição está sendo o pontapé inicial para a internet?, disse Boechat.”

“Entre tapas e beijos”, copyright Folha de S. Paulo, 4/10/02

“O PT encerrou ontem sua campanha na TV ocupando o horário de Serra com imagens de dois ilustres tucanos: Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas.

Nos 8min de direito de resposta concedidos pelo TSE aos petistas, FHC -que foi praticamente ignorado em toda a propaganda tucana- afirmou, em uma entrevista, que ter diploma não é fundamental para governar, ao contrário do que sugeriu a propaganda de Serra. E Covas apareceu apoiando campanhas eleitorais do PT, inclusive junto a Lula.

?As relações de Covas comigo e com o PT sempre foram respeitosas?, disse José Dirceu, presidente do partido, acusado pela propaganda de Serra de ter incitado uma agressão ao então governador paulista, morto em 2001.

Assim que terminou o direito de resposta, no entanto, FHC e Covas mudaram de lado. ?Se Covas estivesse aqui, estaria pedindo votos para Serra?, disse no horário tucano Lila Covas, viúva do governador -usado como cabo eleitoral de ao menos cinco candidatos nesta campanha.

FHC também participou do horário tucano à noite. ?Meu candidato, o senador José Serra, é o melhor, o mais preparado?, disse.

Novela das oito

Com uma média de audiência semelhante à dos últimos capítulos de uma novela das oito – 52 pontos no Ibope, ou 2,45 milhões de domicílios na Grande São Paulo-, o horário eleitoral ao longo de 45 dias transcorreu, como diz a música sertaneja, entre ?tapas e beijos?. De um lado, música, artistas, abraços e promessas. De outro, ataques, muitos.

A campanha de Serra, com o maior tempo de TV, 10min23s, foi a campeã na artilharia. Entre um sorriso de Gugu Liberato e uma música de Chitãozinho & Xororó, começou atacando Ciro Gomes. Mostrou frases polêmicas e comparou-o a Collor: ?Mudança ou problema??, perguntava.

Ciro, que antes parecia ter lugar ?garantido? no segundo turno, tentava responder aos ataques, com Patrícia Pillar, pedidos de desculpa e mais ataques. Comparou as promessas de Serra às de FHC, a quem acusou de não cumpri-las, chamou Serra de ?o senhor da guerra? e o responsável pelo suicídio de mata-mosquitos. Mesmo assim, despencou nas pesquisas. E o alvo da artilharia tucana mudou então para Lula.

O que começou com a ?inocente? pergunta ?quem é mais preparado??, explorando a falta de diploma de Lula, terminou com acusações de que o candidato do PT ?esconde o que pensa ou não sabe o que diz?. A tática, mostraram as pesquisas, não deu certo.

Há duas semanas, os ataques cessaram completamente. No meio da trégua, Garotinho, até então ignorado por todos, foi atingido por um tiro de raspão vindo dos tucanos -foi acusado de mentir sobre propostas para o salário mínimo e de ser responsável pela crise da segurança no Rio. Mas continuou prometendo salário e aposentadoria ?dignos? em seus 2min13s.

O líder Lula, imune ao tiroteio dos outros durante boa parte da campanha, limitou-se a mostrar suas propostas, ao som do jingle ?Agora é Lula? e no clima ?paz e amor?. Só começou a se defender e atacar Serra dez dias depois de começar a ser seu alvo. Disse que o tucano desperdiçou sua chance de criar empregos. E que diploma, Collor também tinha.

Emoção

A inflexão emotiva voltou a predominar na reta final. Lula ressuscitou a campanha de 89, nos braços do povo, descrito como ?líder verdadeiramente popular?.

Pediu ?permissão? para falar aos eleitores indecisos, a quem chamou de ?meus amigos e amigas quase Lula?.

Como aconteceu na última terça-feira, a campanha petista se encerrou ontem com mulheres grávidas andando por um campo, ao som do ?Bolero?, de Ravel, enquanto Chico Buarque dizia que ?você pode escolher que tipo de país quer para seu filho?.

Sem ataques, Serra também terminou sua participação na TV com um tom emotivo. O jingle que durante a campanha foi usado para confrontá-lo com Lula foi tocado mais lentamente, sem menção ao petista. O candidato citou até seu neto, ?que vai nascer em janeiro?. Um resumo das propostas de Serra foi apresentado, e o tucano repetiu que seu governo seria diferente do de FHC ?no emprego e na segurança?.

O tom só mudou no horário tucano do rádio, em que Lula não foi poupado. O analista político fictício Beto 45 afirmou que ?chama a atenção a ausência de propostas concretas do PT. O discurso é feito exatamente para agradar às pessoas?, e ainda questionou as alianças feitas pelo petista.

Ciro e Garotinho, atrás nas pesquisas, também tentaram emocionar o eleitor na TV. O pepessista apareceu rodeado pela família. E Garotinho terminou desejando que ?Deus abençoe o Brasil?. (Colaborou NOELI MENEZES SOARES, da Redação)”

 

“No rádio, Serra faz ataques a Lula”, copyright Folha de S. Paulo, 4/10/02

“Seguindo a estratégia de reservar os ataques mais pesados para o rádio, o último programa eleitoral gratuito do presidenciável José Serra (PSDB) antes do dia 6 acusou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de fugir do debate de propostas.

Para justificar a necessidade de segundo turno, o analista político fictício do programa de rádio, Beto 45, afirmou que ?chama a atenção a ausência de propostas concretas do PT. Todo o discurso é feito exatamente para agradar às pessoas. Porque, se, por um lado, ele [Lula] conhece as dificuldades das pessoas e se aproxima delas, ele não diz o que vai fazer e muito menos como vai fazer?.

Beto 45 questionou ainda as alianças políticas do petista: ?O Lula diz que representa a mudança, mas qual mudança? Porque é no mínimo estranho que, apoiado por [Orestes] Quércia, [Paulo] Maluf, Inocêncio Oliveira, [José] Sarney, José de Alencar [vice do petista] e outros, ele tenha alguma grande mudança a propor?.”

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