Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES >   TV GLOBO PROCESSADA

Fernando Dantas

Por lgarcia em 26/06/2002 na edição 178

REDE GLOBO S/A

"Globo cria nova holding para abrir o capital", copyright O Estado de S. Paulo, 20/06/02

"As Organizações Globo estão criando uma nova holding, a Globo S/A, que vai reunir todos os ativos controlados pela família Marinho em mídia, entretenimento e comunicações. A nova holding se tornou possível com a aprovação da emenda constitucional ao artigo 222 da Constituição, e está sendo formada com o objetivo de, no futuro, abrir o seu capital, de forma pulverizada. A Globo S.A., caso existisse em 2001, teria tido faturamento de cerca de US$ 2,5 bilhões, 20 mil funcionários e uma dívida de US$ 1,5 bilhão.

A emenda ao artigo 222 é mais conhecida por permitir a participação de capital estrangeiro em empresas de mídia até o limite de 30%. Outro aspecto da emenda, decisivo para a criação da Globo S/A, é o fato de que ela permite que empresas com ativos de mídia – como emissoras de televisão, rádio, jornais e revistas – tenham pessoas jurídicas como detentoras do seu capital.

Anteriormente, o capital de empresas de mídia tinha que estar nas mãos exclusivamente de pessoas físicas. Isto impedia, por exemplo, que a Globopar, a atual holding das organizações Globo, detivesse capital das emissoras de TV do grupo. Agora, a nova Globo S/A poderá deter diretamente o controle das emissoras e de todos outros ativos de mídia, entretenimento e comunicações controlados pela família Marinho.

A formação da Globo S/A, segundo Roberto Irineu Marinho, que será o presidente do Conselho de Administração da holding, ?é um passo adiante no processo de profissionalização da gestão das organizações Globo, que começou em em 1998?.

Roberto Irineu disse que o projeto é o de pulverizar, no futuro, parte do capital da Globo S/A. Isto poderia ser feito quando concluída a montagem da nova holding, o que pode ocorrer até o fim deste ano. O momento exato de abrir o capital, e quanto dele oferecer aos investidores , porém, são decisões ainda não tomadas, e que dependerão das condições de mercado.

Não se pensa em vender um bloco para algum grupo do setor de mídia e comunicação. Roberto Irineu observou que há poucos ?players? neste mercado no mundo, e que ?o casamento corporativo mais limita do que soma?. Mas a Globo não descarta parcerias em negócios específicos, abaixo da Globo S/A.

A criação da Globo S/A foi precedida por um rearranjo das participações da família Marinho no setor de televisão. O Unibanco recebeu um mandato para negociar participações, basicamente minoritárias, da família em dezesseis emissoras no País, e já adiantou o equivalente a US$ 135 milhões, que foi usado para capitalizar a Globopar. Ronnie Moreira, diretor financeiro da Globo S/A, avalia que a venda efetiva destas participações possa render de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões. A família Marinho reteve as emissoras do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife, que estão reunidas em uma só empresa.

O Conselho de Administração da Globo S/A será bastante ativo, com reuniões quinzenais, e dele participarão os irmãos de Roberto Irineu e os principais executivos das Organizações Globo, incluindo Philippe Reichstul, o presidente da Globo S/A. A família Marinho terá direito a veto nas decisões do Conselho. A primeira reunião está prevista para hoje.

Apesar de afastada da gestão do dia-a-dia das organizações Globo, a família continua ativa na gestão estratégica, definindo visão, valores e prioridades, aprovando planos, orçamentos, investimentos, alianças, entradas e saídas de negócios, nomeando e destituindo altos executivos. Para Roberto Irineu, o setor de comunicação e mídia do Brasil é um dos melhores do mundo."


***

"Cota dos Marinhos deve ser de 35% a 38%", copyright O Estado de S. Paulo, 20/06/02

"A participação da família Marinho na Net Serviços e Comunicação (Net Com, novo nome da Globocabo) deve ficar em 35% a 38%, de acordo com Ronnie Moreira, diretor financeiro do grupo, e Roberto Irineu Marinho, que lidera os acionistas da família. Eles se referem à participação depois que for completado o processo de recapitalização. Como o processo de recapitalização da empresa de TV a cabo deu entrada ontem na Comissão de Valores Mobiliários, Moreira disse que não poderia comentar sobre o valor da ação, que vem sofrendo fortes perdas. Roberto Irineu comentou, no entanto, que as ações da Net Com subiram muito e depois caíram muito, e ?eu não entendi nem por que subiram tanto nem por que caíram?. Roberto Irineu observou que o investimento na Net Com não é o equivalente a colocar dinheiro num Titanic, que afunda levando consigo o que foi investido. Ele disse que o investimento representa milhares de quilômetros de cabos instalados, cobrindo 6,5 milhões de residências e com 1,5 milhão de assinantes."

 

"Caixa dos jornais reforça finanças da nova empresa", copyright O Estado de S. Paulo, 20/06/02

"A incorporação da Infoglobo, dona dos jornais O Globo/Extra e Diário de São Paulo, contribuirá para aliviar as finanças da ?holding? da família Marinho. Os jornais não fazem parte da Globopar atual e O Globo/Extra são grandes geradores de caixa e muito patrimônio. Esse dinheiro, aliado à capitalização da empresa, dará fôlego à Globopar que está virtualmente impedida de acessar o mercado financeiro internacional. Conforme a nota explicativa número 11 das demonstrações consolidadas da Globopar, a holding assumiu o compromisso de limitar o total da dívida da companhia em 5,5 vezes o lucro bruto/Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização). Esse limite dïvida/Ebtida foi ultrapassado em dezembro de 2001, o que a impede de aumentar o endividamento. Como a Globo Cabo, principal empresa da holding Globopar, continua gerando prejuízos (a empresa perdeu R$ 83 milhões no primeiro trimestre, após contabilizar prejuízos de R$ 700 milhões em 2001), uma das poucas opções dos seus controladores é agregar mais ativos bons e buscar novos sócios, o que está sendo feito com a criação da Globo S.A.

A atual Globopar controla os investimentos da família Marinho na mídia eletrônica, especialmente no ramo de televisão a cabo, tanto no ?transporte? (Globo Cabo/Net) quanto na ?programação? (Globosat/Telecine). Inclui também investimentos na área de revistas (Editora Globo), gráfica (Globo Cochrane) e música (Sigla), empreendimentos que também estão provocando prejuízos. A TV Globo não é controlada pela Globopar, já que havia restrições legais a que pessoas jurídicas fossem donas de empresas de comunicação, mas é fiadora dos empréstimos da ?holding?.

Até porque os encargos financeiros estão ?sufocando? a empresa. Em 2001, para receitas líquidas de vendas de R$ 2,36 bilhões, a Globopar contabilizou o pagamento de despesas financeiras de R$ 1,54 bilhão, o que equivale a 65% da receita com vendas. Não se sabe como serão os números finais resultantes da incorporação do Globo, pois a empresa não divulga balanços, já que é uma empresa fechada."

 

TV GLOBO PROCESSADA

"Marinho acusado de fraude", copyright Tribuna da Imprensa, 18/06/02

"A TV Globo tem até dia 08/07 para apresentar provas junto à 41? Vara Cível do Rio de Janeiro de que não houve fraude nas procurações que possibilitaram Roberto Marinho a assumir o controle da Rádio Televisão Paulista S/A, hoje TV Globo de São Paulo. O empresário está sendo processado pelos espólios de Manoel Vicente da Costa e Hernani Junqueira Ortiz Monteiro. Ao todo, 650 sócios detinham 48% de ações ordinárias e preferenciais até 1965, ano em que Roberto Marinho tornou-se dono de todo o capital da emissora, transformando-a em empresa limitada. As informações são do jornal Tribuna da Imprensa.

Representados pelos advogados Paulo Boechat e Luiz Nogueira, os espólios apresentaram procurações que foram submetidas ao exame pericial grafotécnico do Instituto Del Picchia, em São Paulo. Os peritos estranharam o fato de que os documentos apresentados, com datas de 1953 e 1960, continham números de CIC do advogado Luiz Eduardo Borgeth, a quem as procurações estavam nomeadas. No entanto, o controle através do CIC só passou a valer a partir de 1970. Para piorar, os peritos constataram que os documentos foram datilografados em máquina de escrever que não existia nas décadas de 50 e 60. Já incorporado aos autos do processo, o laudo do perito constata que houve fraude e que as datas são falsas.

O deputado estadual Afanasio Jazadji (PFL-SP) disse que vai divulgar nesta terça-feira (18/06), na Assembléia Legislativa de São Paulo, a relação completa dos 650 acionistas da antiga Rádio Televisão Paulista S/A. A lista será publicada no Diário Oficial. Nela constam nomes como José Ermírio de Moraes, Cincinato Braga, Oscar Americano Caldas Filho, Samuel Klabin, Oswaldo Scatena, Vicente Amato Sobrinho, entre outros."

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