Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNAL DE NOTÍCIAS

Fernando Martins

Por lgarcia em 14/05/2003 na edição 224

JORNAL DE NOTÍCIAS

"Critérios jornalísticos colidem com os partidários", copyright Jornal de Notícias, 11/5/03

"O debate que a informação sobre a invasão do Iraque provocou nos ?media? permitiu-me conhecer uma formulação divertida do velhíssimo debate sobre jornalismo subjectivo e objectivo. Dizia um colega (reproduzo de memória) que se Deus quisesse que fossemos objectivos, tinha-nos feito objectos; porém, não, fez-nos humanos, e como tal sujeitos, portanto subjectivos.

Por isso o jornalismo não pode deixar de ser subjectivo, ainda que obedecendo a critérios profissionais que, maioritariamente, recolhem amplo consenso social. E a provar a escassa divergência nos critérios jornalísticos estará, por exemplo, a frequente coincidência dos temas escolhidos pelos vários jornais para manchete, e os alinhamentos dos noticiários das televisões e das rádios.

Esta proximidade de critérios não impede, no entanto, que elementos de alguns grupos específicos,como os adeptos dos clubes de futebol, os praticantes das diversas religiões, os militantes dos partidos ou os elementos das minorias contestem, com frequência, as opções dos ?media?.O convite endereçado ao eng? Edgar Correia para integrar o núcleo de colunistas do JN, por exemplo, vem sendo, ao longo das últimas semanas, tema recorrente de leitores que querem ver nessa opção uma manifestação de hostilidade para com o Partido Comunista Português. Como é o caso de Cristiano Ribeiro, que enderçou ao Provedor, não na sua qualidade de elemento da Direcção da DORP do PCP, mas como simples leitor do JN, um reparo que admite poder ser considerado excessivo, mas justificado por que ?no plano da ética, não há lugar a meias tintas?.

Para Cristiano Ribeiro, a presença de Edgar Correia na ?Opinião? do JN é, apenas, um episódio da falta de precisão, de rigor e de correcção do jornal no que respeita ao partido. E ilustra a sua opinião com dez títulos, todos eles alusivos ao confronto entre a Direcção do PCP e os chamados ?renovadores?.

Aquele elemento da cúpula do Partido Comunista, aponta a ?utilização do jornal como porta-voz de uma corrente minoritária e auto-excluída que o instrumentaliza? e, segundo diz, em nome da liberdade e do pluralismo.

Sempre criticando a opção Edgar Correia, que, diz, ?tem como sentido global a mesma atitude acusatória para a Direcção do PCP, a mesma trincheira usada por João Amaral nos últimos momentos da vida?, Cristiano Ribeiro , entendendo embora que a opinião e a informação estão em planos diferentes, adverte: ?Mas não se pode esquecer quão complementares podem ser as mensagens desses dois planos, quando existe uma orientação sectária e decriminatória?

A Direcção JN, através de José Leite Pereira, director adjunto, repudia a acusação de ?orientação sectária e discriminatória?. Tem, pela Direcção do PCP e pelos seus actuais ou ex-militantes a mesma consideração que vota às direcções e aos militantes de todos os outros partidos ? prevalecendo, na selecção dos assuntos e no tratamento das notícias, critérios estritamente jornalísticos.

Sobre a colaboração do eng? Edgar Correia, já oportunamente esclareceu os leitores, nesta mesma página.

Quanto ao Provedor, recorda os tempos em que o JN era pejorativamente chamado o ?Pravda do Porto? sem que, nessa altura, a nível da informação, pudessem apontar-se-lhe desvios de equidistância, e sem que, no plano da opinião, pudessem considerá-lo sectário.

Se o jornal difunde as posições de ?uma corrente minoritária e auto-excluída?, não faz mais do que cumprir a função que dele exigem os seus leitores, da mesma forma que os outros ?media? correspondem a igual compromisso com aqueles que neles confiam.

Aliás, ?notícia? e ?novidade? são conceitos que se confundem ? e os renovadores são, pelo insólito, no interior de um partido sempre coeso e fechado sobre si (na unanimidade como na dissenção), a notícia. Não esquecendo o impulso protector das minorias, quaisquer que elas sejam e o que quer que as motive…

Não se queixa Cristiano Ribeiro de omissões graves e repetidas do JN em relação ao PCP. O Provedor também não as ?sentia?. Quanto à seriação dos títulos, ela mais não mostra, num ou noutro caso, do que a procura do equilíbrio entre o rigor e o forte apelo ao interesse dos leitores ? o que nem sempre é conseguido.

Valores sem valor que valor têm?

É também recorrente nesta página a incorrecção das cotações da Bolsa, que geram talvez o maior número de protestos, logo seguidos dos erros nas Palavras Cruzadas e nas Farmácias de Serviço. É como se quem tem a seu cargo a introdução quotidiana dos dados nas respectivas páginas menorizasse a importância da informação que insere, a ponto de permitir-se descuidos.

O Provedor vem repetindo que toda a informação num jornal é importante — afirmação que os protestos dos leitores, a cada falha (e infelizmente são bastantes), ratificam.

Se as Palavras Cruzadas são um passatempo (que tanta gente não dispensa), as cotações da Bolsa jogam com dinheiro, com oportunidades de negócio que os pequenos investidores (são esses os mais dependentes da informação do jornal) podem perder.

Quanto às Farmácias de Serviço, é fácil de imaginar o contratempo (só isso?) de quem confia no seu jornal, e, num caso de urgência, tem de percorrer, debalde, grandes distâncias com uma perda de tempo que pode ser fatal!

Pois, sendo fácil detectar o erro e não sendo, ao que parece, difícil identificar a sua causa, como se depreende do depoimento do editor da Secretaria da Redacção, a verdade é que demora a solução do problema.

Diz Lúcio Brandão:

?As cotações da Bolsa são recebedidas em formato digital através de um programa específico criado pela Direcção Técnica, sendo os dados fornecidos da responsabilidade da Bolsa de Valores. Celebrou-se, para isso, com aquela entidade, um contrato de fornecimento de dados.

?Os ficheiros são diariamente recebidos num computador instalado na Secretaria da Redacção, cuja única intervenção é ligar o ?modem? e aceder à informação, exportando os ficheiros de seguida para a Edição Gráfica .

?Os erros verificados só são possíveis, do meu ponto de vista, por manifesta falta de cuidado de quem importa os referidos ficheiros e os transfere para a edição do dia em questão.?

Erros de quem importa e transfere os ficheiros, provavelmente. Mas não detectados por quem tem como função fiscalizar e rever as páginas!…

A Direcção promete uma análise cuidada do problema, com vista à desejada solução."

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