Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > BAIXARIAS E REMÉDIOS

Fernando Mitre

Por lgarcia em 07/02/2001 na edição 107

QUALIDADE NA TV

BAIXARIAS E REMÉDIOS

"TV: o melhor remédio", copyright Jornal da Tarde, 5/01/01

"Nos últimos seis anos, entraram no mercado consumidor nada menos do que 33,9 milhões de novos aparelhos de televisão. São proezas da moeda estável e, evidentemente, esse contingente pertence às classes menos favorecidas.

Pela primeira vez em nossa história, venderam-se mais televisores do que fogões e geladeiras. (Portanto, não é raro encontrar uma casa com televisão e sem geladeira.) Entre as conseqüências dessa ampliação de mercado, saudável em todos os sentidos, houve uma espécie de reação pragmática de algumas programações:

popularizaram as atrações, alguns programas passaram a exagerar nos apelos e surgiram, com força renovada, em certos canais, as lamentáveis baixarias.

A fofoca, a mera curiosidade, os bumbuns (alguns lindos, é verdade) e as vulgaridades lançadas a torto e a direito passaram a ganhar um espaço privilegiado. Nunca se viu tão claramente aquela fronteira, pensada por Paul Johnson, que separa o ‘interesse público’ do mero ‘interesse do público’ – melhor dizendo: do interesse de ‘certo’ público.

E a audiência compensa? Do ponto de vista aritmético, o resultado é claro.

Ontem, por exemplo, um programa na TV Gazeta ficou por um longo tempo exibindo uma espécie de baile funk abrilhantado por uma música que repetia ‘solta a sua lalá que o lulu vai pegar’. Depois de muitas repetições do estribilho, a audiência passava de 6 pontos. Beleza.

No caso desse programa da Gazeta, não se pode falar propriamente de baixaria, mas apenas de vulgaridade. Em vários programas de alguns canais, o sensacionalismo e a baixaria costumam correr soltos em certos horários. Num deles, recentemente, numa entrevista em horário nobre, uma garota de 19 anos explicava, numa banheira, como era duro agüentar uma hora diária de sexo explícito. ‘ Uma hora… dentro não é mole’, dizia a entrevistada, singelamente.

O que se pode esperar – até baseando-se na experiência de outros países – é que virá, mais cedo ou mais tarde, uma reação legítima e natural por parte do próprio público, pressionando inevitavelmente por mais qualidade (mais interesse público) na televisão brasileira. Esse é o melhor caminho, o melhor remédio."

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