Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > ACM

Fernando Rodrigues

Por lgarcia em 31/01/2001 na edição 106

ACM

"Desafeto de ACM lança biografia", copyright Folha de S. Paulo, 20/01/01

"Escrito há mais de um ano, chegou ontem às livrarias ‘Memórias das Trevas – Uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães’, livro de autoria do jornalista baiano João Carlos Teixeira Gomes.

A publicação está ocorrendo só agora porque, segundo Joca (como o autor é conhecido), mais de uma dezena de editoras recusaram seus originais.

‘Foi motivo de profunda tristeza e decepção ter meu livro recusado com tanta veemência. Pude perceber como o Brasil ainda hoje, tantos anos depois da ditadura militar, se encontra paralisado, acovardado e intimidado pelo medo.’

No caso, o ‘medo’ seria o da reação de ACM, senador pela Bahia, principal líder do PFL e personagem central do extenso livro, de 800 páginas (sendo 32 de fotos). A publicação é da Geração Editorial, de Luiz Fernando Emediato -editor de outras obras polêmicas, como os relatos de Cláudio Humberto Rosa e Silva (sobre o governo Collor).

‘Para evitar o que aconteceu com outros livros que editei, que foram alvo de confisco judicial antes da distribuição, segui uma estratégia diferente da usual com o livro do Joca. Primeiro, garanti que a tiragem inicial de 10 mil exemplares já estivesse nas livrarias. Só agora estou fazendo campanha e dando informações para a imprensa’, diz Emediato.

Joca tem 64 anos e pertence à Academia de Letras da Bahia. ‘Memórias da Trevas’ é o relato da vida do autor nos últimos cerca de 30 anos.

O fato mais importante da vida de Joca foi quando, no início dos anos 70, foi processado com base na Lei de Segurança Nacional (LSN) a pedido de ACM, então governador nomeado da Bahia.

O crime de Joca, segundo seu relato, foi trabalhar no ‘Jornal da Bahia’ (hoje extinto) e ter publicado uma reportagem com o seguinte título: ‘Governador favorece firma da qual ele próprio é acionista’.

A reportagem tratava da renegociação da dívida da empresa Magnesita, que ganhara 50% de abatimento em seus débitos. ACM negava haver irregularidades.

Joca foi processado com base na LSN e foi absolvido. Nunca deixou de ser um desafeto de ACM -e vice-versa.

O autor relata no livro o que viu e ouviu sobre ACM. Fala até como teria sido a adolescência do hoje senador.

A Geração Editorial informou ontem, no final da tarde, que a primeira edição esgotou-se com os pedidos iniciais das livrarias. Se não houver impedimento judicial, mais exemplares devem ser impressos na semana que vem. (‘Memórias das Trevas – Uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães’ Autor: João Carlos Teixeira Gomes Editora: Geração Editorial Quanto: R$ 40)"

"Guerra de guerrilhas" in Painel, copyright Folha de S. Paulo, 24/01/01

"De Luiz Fernando Emediato, sobre ACM dizer que o livro ‘Memórias das Trevas’ foi financiado pelo DNER e pela Sudam: ‘Sou editor. Não construo estradas nem tenho projetos na Amazônia. Quem entende disso é ACM, que não explicou direito sua relação com a OAS’."

"ACM diz que não vai processar jornalista", copyright Agência Estado (www.agestado.com.br), 22/01/01

"O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que não irá processar o jornalista João Carlos Teixeira Gomes, autor do livro Memória das Trevas: uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães. Segundo o senador, não há no livro nenhuma acusação contra sua moral. ‘Nem mesmo as desferidas pelo corrupto na tribuna do Senado, que foram baseadas em recortes (de notícias) desse jornalista’, disse ACM referindo-se ao presidente do PMDB e líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA), que o acusou de ladrão e corrupto em debate no início do ano passado.

‘Garanto que os corruptos que pagaram o livro com dinheiro da Sudam e do DNER não se submeteriam a um exame como este’, afirmou o senador, acusando os dirigentes do PMDB de terem financiado a edição do livro com dinheiro público. Insistindo que todas as insinuações feitas no livro sobre suposta corrupção favorecimento de grupos empresariais e relação com a morte de jornalistas e de um genro já foram esclarecidas, o presidente do Senado comentou que ficou decepcionado com o conteúdo da publicação e não gostou apenas da capa – uma foto dele, em preto e branco, de óculos escuros. ‘Esperava algo mais forte. Só não gostei da capa porque eu sou mais bonito’, ironizou.

ACM disse que sabia da edição do livro há dois meses e não fez nada para tentar impedi-la. Comparou essa atitude à de seus adversários do PMDB, que, segundo o presidente do Senado, estariam tentando impedir uma investigação sobre a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), que está sendo feita por uma CPI da Assembléia Legislativa da Bahia. A CPI está investigando a gestão do atual presidente da empresa, Afrísio Vieira Lima, pai do líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).

Segundo ACM, a Advocacia Geral da União ingressou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal alegando que uma CPI estadual não pode investigar um órgão federal. O senador diz, no entanto, que o Estado da Bahia é acionista da Codeba e a Assembléia estadual tem o direito de fiscalizar a ‘roubalheira’ na empresa."

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