Sábado, 17 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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Fim da lua-de-mel

Por lgarcia em 06/02/2002 na edição 158

AL-JAZIRA & CNN

A al-Jazira, a pequena emissora do Catar que ficou famosa internacionalmente após os ataques de 11 de setembro, ameaça de processo a CNN e todas as TVs que divulgaram, segundo ela "ilegalmente", entrevista de Osama bin Laden na qual o terrorista diz que matar civis inocentes é "permitido pela lei islâmica". O canal árabe vai rever seu acordo de exclusividade com a CNN, conta Ward Pincus [Associated Press, 1?/2/02]. Esse acordo, para troca de material informativo, foi assinado logo que os Estados Unidos atacaram o Afeganistão.

A Jazira é a única TV com acesso a bin Laden, e fez várias entrevistas com ele. A emissora inicialmente negou a existência desta entrevista específica, feita em outubro, duas semanas antes da queda do regime talibã, mas no mês passado disse que não a divulgava porque nela não havia informação relevante, nem qualidade técnica. Segundo a CNN, o governo americano tinha cópia da entrevista, citada em novembro pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, num discurso ao Parlamento.

Na quinta-feira, dia 31, a CNN mostrou pequenos trechos da entrevista, de 60 minutos, que teria obtido "de fonte não-governamental". No vídeo, o correspondente Taysir Alouni, da Jazira, pressiona bin Laden sobre sua responsabilidade nos ataques, mas obtém respostas ambíguas. "A América fez muitas acusações contra nós e outros muçulmanos mundo afora. A acusação de que praticamos atos terroristas é sem razão", diz ele. "Se incitar o povo a matar quem mata nossos filhos é terrorismo, então deixe a história ser testemunha de que somos terroristas."

"A liberdade e os direitos humanos estão condenados nos EUA. O governo americano vai levar seu povo e o Ocidente a um inferno insuportável, a uma vida sufocante", diz, adiante. Sobre as cartas com antraz que mataram cinco pessoas nos EUA: "Essas doenças são uma punição de Deus e uma resposta às orações de mães oprimidas no Líbano, no Iraque, na Palestina e em toda parte."

Acredita-se que a Jazira tenha segurado a fita pressionada pelas acusações do governo dos EUA de que estaria fazendo "propaganda inflamatória" em sua cobertura dos bombardeios no Afeganistão. A Jazira é um canal de notícias 24 horas, com 35 milhões de assinantes no mundo árabe ? inclusive 150 mil nos EUA.

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