Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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PRIMEIRAS EDIçõES > RADIODIFUSÃO / EUA

Flávio Lobo

Por lgarcia em 16/04/2003 na edição 220

TV COMUNITÁRIA

O canal de TV do Marinho”, copyright Carta Capital, 8/4/03

“A favela do Morro de São Carlos, situada no Estácio, zona norte do Rio de Janeiro, é uma das mais tradicionais da cidade. Foi ali que, na década de 1920, Ismael Silva, Nilton Bastos, Brancura e outros bambas inventaram uma nova forma de samba. Provando seu pioneirismo, a comunidade do Estácio fundou, em 1926, a primeira escola de samba, a Deixa Falar.

Recentemente, São Carlos esteve no noticiário por motivos menos poéticos. Na última semana de março, a polícia fez uma operação de busca na região para prender o autor do tiro que matou uma adolescente no metrô da cidade – um crime de repercussão nacional.

Nenhuma novidade aí, já que, quando os moradores das favelas vêem suas comunidades no noticiário da tevê, freqüentemente a pauta se relaciona a crime e violência. Mas, nesse ponto, muitos habitantes de São Carlos levam uma vantagem. Eles têm a opção do canal 19 de uma operadora de TV a cabo que vende seus serviços a centenas de residências no morro. Desde novembro de 2000, o canal transmite a programação da TV Santos Rodrigues, dirigida à comunidade do morro e produzida por um grupo de moradores.

À frente do canal 19 está Édson Marinho, 39 anos, nascido e criado em São Carlos. ?Escolhemos o nome Santos Rodrigues por ter sido o primeiro nome da comunidade, antes de se chamar São Carlos?, explica Marinho, como é conhecido por todos no morro. Atualmente, Santos Rodrigues é o nome de um dos morros do complexo de São Carlos, um aglomerado de favelas onde, de acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, vivem mais de 16 mil pessoas.

Ele é o Marinho da TV. Nova versão de uma velha fórmula. Mas, se a TV de Édson é muito diferente da dos outros Marinho, ele assegura que o sobrenome tem a mesma origem. ?Meu avô era tio do Roberto Marinho?, garante. (Questionada a respeito, a assessoria da família Marinho proprietária da Globo não negou nem confirmou a informação, alegando que, para dar uma resposta segura, teria de ser feita uma pesquisa na árvore genealógica.)

Édson diz que não tem contato com os Marinho abastados e que a Globo, para ele, não é exemplo a ser seguido. Critica as ?imoralidades? da programação da emissora – ?para que mostrar homem com homem e mulher com mulher nas novelas?? – e dá a entender que também não leva fé na administração da empresa – ?um dia a fonte seca?.

Ele conta que há pouco mais de um ano fez seu primeiro pedido aos parentes poderosos. Foi até o Projac, o complexo de estúdios da TV Globo, munido de uma lista de equipamentos. ?Pedi uma série de itens obsoletos para eles, mas que para nós seriam muito úteis?, explica Marinho. O pedido foi recebido e protocolado. Até agora não houve resposta.

Durante a noite, pilotando as fitas de vídeo em seu estúdio e central de transmissão, Marinho às vezes dá uma de radialista: pega o microfone, conversa com os espectadores e apresenta as atrações do canal 19.

A Santos Rodrigues entra no ar às 8 horas, com desenhos animados, e termina de madrugada num clima bem diferente. ?A partir da 1 da manhã, o bambu ronca?, confessa Marinho, em linguagem semicifrada.

A programação inclui informativos com notícias da comunidade, um programa evangélico, Explosão de Fé; o Glamour Show, de videoclipes; Encontros Fala Você, de entrevistas, cobertura de festas e eventos culturais, e ?campanhas de conscientização? (sobre cuidados com o lixo e a preservação das encostas do morro, por exemplo).

Entre os programas produzidos por Marinho e sua equipe, o canal 19 exibe filmes. Além de ligarem para o telefone da tevê, alguns espectadores recorrem ao celular de Marinho para pedir a exibição de um filme ou a repetição de algum programa. Espectadora do canal 19, Jaqueline Gomes, que trabalha na Pizzaria da Amizade, no centro comercial da favela, conta que já ligou para fazer pedidos, todos atendidos.

?Nós decidimos incluir a TV Santos Rodrigues entre os canais que oferecemos por que ela presta serviços à comunidade?, diz Anderson Alves, sócio-gerente da SAT 2000, que cobra R$ 25 mensais de cada assinante por um pacote de 25 canais.

Segundo Alves, no complexo de São Carlos – que, além do São Carlos e do Santos Rodrigues, inclui os morros Azevedo Lima, Catumbi e Mineira -, aproximadamente 600 residências têm acesso à programação do canal 19. Mas, como lembra Marinho, como vários aparelhos de televisão ficam em lugares públicos, boa parte da população local pode ser incluída na categoria de espectadores ocasionais.

Questionado sobre sustentação financeira da TV comunitária – cujo equipamento se resume a uma filmadora, dois aparelhos de videocassete e uma pequena mesa de som -, Marinho diz que ele próprio e os outros participantes bancam os gastos necessários, como os de edição das fitas, feita na produtora de um amigo.

Joel (direção), Jorge (reportagem), Jorginho (câmera), Ecinho (operação de vídeo e áudio), Emília e Roberta (apresentadoras), João Carlos, seu Gilberto e Camello (apoio) completam a equipe da Santos Rodrigues.

?Meu ganha-pão está aqui?, afirma Marinho, mostrando um pequeno conjunto de imóveis ao lado da casa que abriga a sede da tevê e onde também funciona a ONG Condec. Ele construiu as casas durante os cinco anos em que serviu como soldado do Exército, de 1982 a 1987. Marinho também já trabalhou como servente de obra, camelô, segurança de condomínio e músico, tocando percussão em um conjunto de samba.

Hoje, além do trabalho na tevê, Édson é vice-presidente da Condec, que mantém um banco de empregos e outros programas sociais na comunidade de São Carlos, e diretor da escola de samba mirim Nova Geração do Estácio, que reúne, segundo Marinho, 1.800 crianças e adolescentes.

A fama de Marinho está ultrapassando os limites da sua comunidade. Recentemente, ele e sua TV comunitária viraram pauta de uma reportagem publicada no Viva Favela, um site de notícias e serviços dirigido aos moradores das favelas cariocas.

Entusiasmado com seu trabalho em favor da comunidade, o presidente da TV Santos Rodrigues já planeja seu próximo passo: a criação de uma fundação. ?Vai ser a Fundação Édson Marinho?, promete Marinho, o do morro.”

“Novo canal comunitário da cidade entra no ar”, copyright Jornal da Cidade, Jundiaí (SP), 9/4/03

“Às 8 horas da noite de ontem, dia 8 de abril, foi apresentada para a comunidade o canal 8 de Jundiaí. A inauguração da TV Japi, o novo canal comunitário da cidade, aconteceu na sede da Associação dos Engenheiros de Jundiaí e reuniu jornalistas, radialistas, políticos, sindicalistas, personalidades e pessoas da comunidade jundiaiense. O sinal de transmissão já foi colocado no ar no canal 8 da Net.

A TV Japi, que já traz no nome uma menção a um dos maiores patrimônios de Jundiaí, a Serra do Japi, propõe-se a atender os interesses da comunidade jundiaiense. A programação vai ao ar a partir do dia 1? de maio, provavelmente a partir das 18 horas. Durante a cerimônia de ontem o entusiasmo dos coordenadores da TV e da comunidade era visível.”

De acordo com o jornalista Audálio Dantas, presidente do Conselho Gestor da TV Japi, a televisão comunitária é uma vitória para a população de Jundiaí. ?Esta é uma luta antiga, que vem desde a minha época de deputado. Sempre defendi que a comunicação deve ser o mais democrática possível. A sociedade precisa de meios para ter acesso aos veículos de comunicação?, salientou Dantas, que trabalha há mais de 40 anos na área e é considerado um dos ícones do jornalismo brasileiro.

A proposta da TV Japi é enfocar programas jornalísticos e culturais, que dêem destaque para as questões da cidade. Na pauta do canal está a veiculação de documentários, de programas sobre a cultura brasileira e local, além de debates sobre assuntos regionais.

Associações

Como um porta-voz da comunidade, o Conselho Gestor da TV Japi teve o cuidado de integrar diferentes associações. Ao todo, mais de 40 entidades representam diversas esferas da sociedade na direção da TV. Comunidades religiosas, associações de classes, sindicalistas, entidades beneficentes e pessoas do ramo da indústria compõem o conselho que está traçando o perfil da nova emissora.

?Este é um trabalho que já dura seis anos. Nós percebemos que a comunidade de Jundiaí ainda não tinha um espaço, e a TV Japi vem justamente atuar nesse sentido. Estamos levantando a bandeira e indo atrás do que queremos para a cidade?, afirmou César Tayar, coordenador geral das associações das entidades que compõem o Conselho Gestor.

Entre os convidados da cerimônia de inauguração da TV estava Fábio Perez, jornalista que durante 25 anos foi editor da Rede Globo de Televisão. ?A criação da TV comunitária motiva as pessoas. Para Jundiaí, é uma importante conquista. Agora a comunidade terá seu espaço?, afirmou, animado.

Como a TV não tem fins lucrativos, os recursos que entrarem deverão ser investidos na própria emissora, cuja sede fica localizada na Vila Hortolândia. Para os envolvidos no projeto, a idéia é fazer da TV Japi, com o correr dos anos, mais um patrimônio para a cidade. Desde já, no entanto, não há dúvidas de que o canal será uma voz importante para toda comunidade.”

 

PORTUGAL

“Falta Tempo e Dinheiro para o Jornalismo de Investigação”, copyright Público (www.publico.pt), 9/4/03

“Mesmo sendo uma das mais bem sucedidas e famosas jornalistas de investigação do país, Felícia Cabrita diz não estar ?nada optimista quanto ao futuro da investigação? no jornalismo português.

Num debate sobre o tema ontem realizado na Universidade Católica, em Lisboa, a colaboradora da SIC e do ?Expresso? lembrou os muitos obstáculos que, dentro e fora da redacção, se apresentam a quem investiga. É um trabalho mal pago, para o qual as direcções dos ?media?, ávidas de notícias rápidas, não criam muitas oportunidades; a rotação quase permanente dos postos de trabalho não permite a aquisição de técnicas e experiência; o tempo, os meios e os orçamentos para a investigação escasseiam e é sempre preciso contar com a oposição dos próprios colegas e a pressão da concorrência.

Contas feitas, Felícia Cabrita não se imagina a fazer outra coisa. Contraditório? ?É um bichinho?, confessou. Joaquim Vieira, director do Observatório de Imprensa, sublinhou também o lado ?romântico?, de ?dedicação à causa social? que impele os repórteres a perseguir uma história até ao limite. Como o fez Sofia Branco, do PÚBLICO.PT, que durante dois meses e meio vasculhou os meandros da excisão em Portugal para uma reportagem que lhe valeu o prémio Mulher Reportagem Maria Lamas do ano passado. Foram dias esquizofrénicos, entre a velocidade do jornalismo ?on-line? e o tempo necessário à pesquisa, que a jornalista foi roubar aos seus tempos livres e a todos os pedaços mortos dos seus turnos de trabalho. ?É preciso uma paciência infinita para fazer investigação?, desabafou.

Felícia Cabrita acrescenta-lhe a persistência e a falta de coração – é que um repórter não se despe dos seus valores, simpatias e convicções, mas não pode deixar-se abalar por pressões políticas ou emocionais. Até porque ?quando se começa uma investigação, nunca se sabe como vai acabar?.

Por vezes, inicialmente o redactor não tem noção da dimensão que o caso vai adquirir. Foi assim com o caso emblemático do jornalismo de investigação, citado por Joaquim Vieira, o Watergate, que levou à demissão do presidente norte-americano Richard Nixon. Foi também o que sucedeu com Felícia Cabrita, que despoletou o caso Casa Pia começando com a história de uma criança molestada por um funcionário da instituição, e com Sofia Branco, que teve a intuição de investigar a mutilação genital feminina depois de ouvir uma ideia vaga numa conferência sobre o assunto.

Mas Vieira recordou igualmente que muitos jornalistas ?sonham ter o seu próprio Watergate?, correndo o risco de sobredimensionar uma matéria ou de noticiar sem confirmar. E isso pode tornar-se perigoso, dado que uma investigação jornalística pode ?denegrir permanentemente a imagem de uma pessoa ou instituição?. (E.V.)”

***

“Quase Mil Trabalhadores Saíram da RTP, RDP e Lusa”, copyright Público (www.publico.pt), 11/4/03

“Quase um milhar de trabalhadores abandonou as empresas de comunicação social tuteladas pelo Estado desde o Verão passado, número que corresponde a cerca de 30 por cento dos antigos efectivos da RTP, RDP e Agência Lusa.

Só na agência noticiosa, cerca de 40 trabalhadores aderiram no último mês ao processo de rescisão voluntária lançado pela nova administração. Em Dezembro, ainda com a anterior gestão, 20 outros funcionários tinham abandonado a agência, que agora tem 260 pessoas no quadro. Entre os 60 trabalhadores que rescindiram, cerca de metade são jornalistas.

O processo de rescisões na Lusa seguiu-se ao da RTP e RDP, cujas administrações são também presididas por Almerindo Marques. Desde o início da reestruturação nas três empresas, encetada após a posse do actual Governo, 945 funcionários rescindiram, a maioria dos quais (675) na RTP – segundo um balanço feito ontem pela Agência Lusa.

A redução de pessoal é um dos assumidos objectivos da nova administração da agência, que delegou funções no administrador executivo Luís Delgado no passado dia 28 de Fevereiro. Mas a ?hemorragia?, que deixou descapitalizadas algumas áreas do redacção – caso do estratégico sector da lusofonia, que perdeu alguns dos quadros com maior experiência – está a deixar preocupados os trabalhadores que permanecem. O Conselho de Redacção, que hoje se reúne com a directora, Deolinda Almeida, deverá, por isso, defender o reforço dos quadros.

As saídas são, de acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO nos últimos dias, motivadas por duas ordens de razões. Uma parte dos trabalhadores considerou atractivas as condições de rescisão por se encontrar em idades próximas da reforma (1,5 salários por ano de casa, com um mínimo de seis meses de salário e um máximo de 150 mil euros). Outros saíram por não acreditarem na reestruturação da agência iniciada pela nova direcção ou por se sentirem marginalizados.

?A agência neste momento está descapitalizada em termos humanos?, dizia há dias um trabalhador que permanece na Lusa. Esse sentimento é reforçado pelo facto de estarem a sair jornalistas com dezenas de anos de experiência, alguns dos quais ainda oriundos da Anop e da NP, as agências que, em 1987, estiveram na génese da Lusa. O administrador executivo Luís Delgado remeteu os esclarecimentos sobre o processo para hoje.

RTP e RDP com menos 675

O caso da Lusa segue-se ao da RTP e da RDP. Na televisão pública, nos últimos meses do ano passado, 675 profissionais abandonaram a empresa, número que inclui rescisões amigáveis, contratos não renovados e alienação de empresas participadas. Almerindo Marques considerou que a primeira fase de reestruturação da RTP ?correspondeu às expectativas? e representou ?uma importante ajuda à fase de reequilíbrio da empresa?.

?É certo que vamos pagar indemnizações a estas pessoas, mas estas rescisões representam uma importante redução de custos correntes?, sublinhou então, quantificando que o cumprimento dessas obrigações sociais custaria 33 milhões de euros à empresa, ?que terão de ser suportados pelo Estado?.

Segundo fonte da RTP, ?o número de jornalistas que rescindiu é reduzido, ao contrário de técnicos e pessoal administrativo, os que mais aderiram ao processo?. A RTP tem agora cerca de 1300 funcionários, um número superior ao admitido inicialmente pela sua administração.

Também a Radiodifusão Portuguesa (RDP) emagreceu os quadros, com 210 pessoas a acertarem a rescisão dos seus contratos de trabalho. ?Até ao momento saíram 210 pessoas, o que já é muito bom, embora o ideal seja cerca de 300. É um objectivo apenas, não será um cavalo de batalha?, disse o administrador da RDP Luís Marques. Actualmente, a estação pública de rádio conta com 750 pessoas nos seus quadros. (J.M.R.)”

 

RADIODIFUSÃO / EUA

“NAB reforça defesa da regulamentação sobre propriedade cruzada”, copyright Tela Viva (www.televiva.com.br), 8/4/03

“A cerimônia de abertura da NAB 2003 foi um ato de defesa da atual regulamentação norte-americana sobre os limites de propriedade de meios de comunicação e enaltecimento dos broadcasters locais. O presidente da associação nacional dos radiodifusores dos EUA (NAB), Eddie Fritts, enfatizou o papel das emissoras locais em questões sociais e de segurança, e disse que estas emissoras contribuiram em 2002 com US$ 9 bilhões para as comunidades que servem (em veiculação de programas, anúncios e outros serviços).

Mas limites

Mas a defesa mais dura dos limites de propriedade de mídia e cross-ownership (propriedade cruzada) veio mesmo de Barry Diller, ex-CEO da Paramount, Fox, Vivendi Universal e atual presidente da USA Interactive, um dos mais importantes veteranos da mídia norte-americana.

Falando no painel de abertura da NAB nesta segunda, 7, Diller afirmou que a idéia de que a consolidação seja a única saída para a crise da mídia é falsa, e que deveria haver mais regulamentação, e não menos, sobre os limites de propriedade. ?O Telecom Act de 96 (lei que desregulamentou as comunicações nos EUA) teve o efeito oposto ao que queria a FCC. As quatro grandes redes se recompuseram e hoje formam um oligopólio. Hoje controlam o mesmo número de domicílios que tinham antes da lei?, disse Diller. Ele afirmou que a concentração da mídia é preocupante porque prejudica a diversidade de opiniões, a programação (conteúdo) local e a competição. Diller foi bastante aplaudido pelos radiodifusores presentes. Vale lembrar que as grandes redes deixaram a NAB há dois anos por não concordar com a postura da associação.”

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