Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Folha de S. Paulo

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

COBERTURA DA GUERRA

"TVs censuram declarações da rede Al Qaeda", copyright Folha de S. Paulo, 15/10/01

"As redes de TV americanas ABC, CBS, NBC, Fox e CNN fizeram cortes no último comunicado da Al Qaeda, no sábado, aceitando a solicitação feita pelo governo dos Estados Unidos.

Da mais recente mensagem, foi transmitido um breve extrato de dez segundos ou uma imagem fixa de Sulaiman Abu Ghaith, porta-voz da rede terrorista de Osama bin Laden, com legendas que indicavam que se tratava de novas ameaças.

Na semana passada, a Casa Branca pediu que as TVs controlassem a divulgação de comunicados dos terroristas, em razão do temor de que contivessem mensagens cifradas para mais ataques.

A reação aos atentados virou um dos grandes inimigos da liberdade de informação nas Américas, disse a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Segundo Rafael Morillo, da SIP, há autocensura nos meios dos EUA devido à ?confusão do sentimento patriótico com a obrigação jornalística?."

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"Jornalista foi acusada de espionagem", copyright Folha de S. Paulo, 14/10/01

"A jornalista britânica Yvonne Ridley, 43, chegou de volta ao Reino Unido na última quarta, depois de ter ficado detida por dez dias no Afeganistão por ter entrado no país sem visto e por suspeita de ser espiã.

Ridley, repórter do tablóide ?The Sunday Express?, foi liberada na última segunda pelo Taleban e levada por autoridades paquistanesas de Cabul, capital do Afeganistão, para Peshawar, no Paquistão.

Ela foi detida próximo à cidade afegã de Jalalabad, no dia 28 de setembro, depois de ter entrado no país sem permissão do Taleban. Na ocasião, ela estava acompanhada de dois guias locais, cujo destino ainda é desconhecido.

Segundo informações do Taleban, no momento da prisão, a jornalista vestia uma burga, tradicional roupa feminina afegã que cobre o corpo todo.

Na semana anterior à liberação de Ridley, o Taleban havia dito que a jornalista cometera um ?sério crime?. A milícia extremista afirmou ter suspeitado inicialmente de que se tratasse de uma espiã a serviço das forças norte-americanas. Depois, segundo o Taleban, a britânica teria pedido desculpas por ter entrado no Afeganistão sem permissão.

Líderes fundamentalistas afegãos haviam determinado que todos os estrangeiros deixassem o país e que não mais autorizariam vistos para jornalistas."

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"Medo via satélite", Editorial, copyright Folha de S. Paulo, 12/10/01

"Único veículo a gerar imagens e informações do centro do poder taleban no Afeganistão, a rede de TV Al Jazeera, do Qatar, marca uma importante peculiaridade deste conflito na Ásia. Atendendo ao ?outro lado?, proporciona ao Taleban e à organização terrorista Al Qaeda poderosa arma psicológica.

A primeira estocada nos corações sobressaltados do Ocidente rico veio no mesmo dia em que se iniciaram os ataques aéreos em território afegão. Irrompeu na voz e no semblante de Osama bin Laden advertindo o Ocidente de que não teria paz enquanto o Oriente Médio não fosse pacificado. Transmitidas pela Al Jazeera, as imagens foram reproduzidas por TVs norte-americanas para todo o planeta.

A seguir foi a vez de um porta-voz da Al Qaeda ameaçar diretamente com a possibilidade de novos atentados suicidas como o ocorrido em 11 de setembro: ?A América abriu uma porta que nunca mais se fechará. Milhares de muçulmanos estão preparados para morrer.?

Uma das armas dos grupos terroristas sempre foi disseminar a sensação de insegurança na população. Há algum tempo, a força exemplar dos atentados era tudo o que estava à mão dessas organizações. Elas agora se aproveitam do fácil acesso à comunicação de massa seja contra-atacando com ameaças pela TV seja planejando atos terroristas para que se tornem shows de mídia.

No ?front? psicológico da batalha contra o terrorismo, não há supremacia comparável com a que os norte-americanos exercem no plano militar. Talvez esse fato tenha ensejado reações não exatamente ortodoxas por parte de autoridades ocidentais envolvidas no conflito.

Foi irônico o episódio em que Colin Powell, o secretário de Estado dos EUA -país que frequentemente se proclama o ?líder do mundo livre?- , fez pressão para que a Al Jazeera desse menos espaço ao que dizem Taleban e Al Qaeda. O principal acionista da TV árabe, que é chefe da diplomacia do governo do Qatar (uma monarquia hereditária), teria dito que, em nome da liberdade de imprensa, nada poderia fazer.

As ações de Washington não pararam por aí. Na quarta-feira, Condoleeza Rice, assessora do presidente George W. Bush, pediu às maiores redes de TV americanas que ?pensassem duas vezes? antes de pôr no ar mensagens pré-gravadas de organizações terroristas. De pronto, esses grupos de mídia concordaram em não mais transmitir ao vivo tais mensagens. Elas serão submetidas de antemão a um crivo editorial em que, de acordo com um executivo da CNN, as preocupações do governo podem ser levadas em conta.

À mídia impressa a Casa Branca fez sugestão parecida, para que não se publicassem íntegras dos pronunciamentos terroristas. O temor alegado pelas autoridades foi o de que essas mensagens possam conter códigos cifrados de ação para terroristas de fora do Afeganistão.

Talvez esse seja o ponto máximo a que um governo americano possa chegar na tentativa de influir nas decisões editoriais dos meios de comunicação. Mas as reações já começaram. Em dois editoriais, o ?The New York Times? condenou a tentativa de pressão sobre a TV do Qatar e rebateu o argumento de que publicar íntegras poderia contribuir para a ação dos terroristas: ?Mais importante: o povo americano deveria ter acesso ilimitado a informações sobre o líder terrorista e as suas opiniões?.

Assim, através da pressão sobre os grupos de mídia é difícil que as autoridades ocidentais avancem na batalha que ocorre na opinião pública. Deveriam é reconhecer que precisam empenhar-se nesse embate pelos meios que lhe são próprios: concedendo entrevistas, rebatendo argumentos, tentando convencer o público de que sua ofensiva contra o terror é legítima.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, parece ser, entre os líderes do Ocidente rico, o que confere maior importância ao papel da mídia nesse conflito. Em périplo por diversos veículos pelo mundo afora, dispôs-se a ser inquirido pela Al Jazeera. Ouviu do repórter perguntas duras como a que estranhou o fato de Blair estigmatizar o Iraque por suas armas de destruição de massa e, ao mesmo tempo, esquecer-se de Israel.

Foi-se o tempo em que as potências justificavam todas as suas ações alegando ter a razão a seu lado. Sob esse lema muito sangue foi derramado. Sem dúvida, há que falar, convencer, expor-se ao crivo da opinião alheia."

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"Correntes de e-mail pedem paz; entidades defendem o pacifismo", copyright Folha de S. Paulo, 10/10/01

"Quem defende a paz mundial encontra opiniões consoantes on-line: além de ler correntes pacifistas de e-mail, é possível visitar os sites de organizações que desaprovam conflitos armados e tentam promover o entendimento entre os povos. Uma delas é a Nuclear Age Peace Foundation (www.wagingpeace.org), que propõe a eliminação das armas de destruição em massa como uma forma de controlar o terrorismo.

Seguidora da mesma opinião, a War Resisters League (www.warresisters.org ) afirma que ?a política militarista dos EUA resultou em milhões de mortes? e lembra que a ascensão de Osama bin Laden foi favorecida pela ação norte-americana no Afeganistão.

Uma fonte de artigos sobre pacifismo é o site Anti-War (http://anti-war.dod.net), que reúne opiniões como a do linguista Noam Chomsky, cuja entrevista a uma rádio iugoslava está transcrita na página. Para ler notícias atualizadas, visite o endereço www.antiwar.com, que traz reportagens referentes a ações militares dos EUA no Oriente.

Bem desenhado, o site Peace.Protest.Net (http://pax.protest.net) traz um guia de manifestações pela paz e links para organizações de todo o mundo.

Vários grupos fizeram manifestações para protestar contra ataques ao Afeganistão. Para se inteirar de algumas, acesse a página do International Action Center (www.iacenter.org), que traz uma coleção de vídeos.

Outra organização que mostra protestos on-line é a International Answer (www.internationalanswer.org), cujo objetivo é evitar guerras e conter tensões raciais que possam surgir após atentados terroristas. Também há boas fotos em www.igc.org/igc/gateway/pnindex.html.

Conheça a atuação de voluntários pacifistas acessando os sites da Peace Brigades International (www.peacebrigades.org) e da Volunteers for Peace (www.vfp.org), que orientam quem deseja participar de campanhas.

Depois de visitar os sites de ativistas, vale a pena consultar as páginas de institutos de pesquisa que estudam a segurança mundial, como o Stockholm International Peace Research Institute (www.sipri.se), cujo site ajuda a entender os obstáculos para o desarmamento global.

Para relaxar, visite a página Kids Drawings (www.kids-drawings.com), que exibe desenhos de temática pacifista feitos por crianças de vários países."

    
    
                     
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