Domingo, 22 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

PRIMEIRAS EDIçõES > RACISMO

Folha de S. Paulo

Por lgarcia em 05/12/2001 na edição 150

INTERNET

"Folha Online é o melhor site de informação", copyright Folha de S. Paulo, 29/11/01

"A Folha Online foi escolhida como melhor site de informação da internet brasileira pela revista ?Info?, da Editora Abril.
A entrega do Prêmio Info 2001 para os vencedores das 63 categorias aconteceu na noite de ontem, no Salão Abril.
Segundo a diretora de redação da ?Info?, Sandra Carvalho, apenas os assinantes da publicação, cerca de 150 mil pessoas, puderam escolher os melhores do ano. Os jornalistas e técnicos da revista fazem uma triagem e escolhem três concorrentes em cada categoria. Depois, os leitores votam nos melhores.
O prêmio da publicação está dividido em cinco áreas: internet, comunicações, software, hardware e destaques. Apenas no item internet são 19 vencedores, entre eles portal, loja on-line, e-mail, browser, webmail, busca e site de informação.

Melhor portal
O UOL (Universo Online) foi eleito o melhor portal pela quinta vez consecutiva e também conquistou neste ano o prêmio de melhor provedor doméstico. O site do ano ficou com o Audiogalaxy, um dos sucessores do Napster na troca de músicas em MP3 na rede. A Microsoft ganhou como empresa mais inovadora, e a Intel levou o prêmio de empresa mais admirada.

Tempo real
A Folha Online, site noticioso do Grupo Folha, é o primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa da internet. Para acessá-lo, digite www.folha.com.br."

PAULO MALUF

"Maluf na TV é alvo de investigação", copyright Folha de S. Paulo, 29/11/01

"O ex-prefeito Paulo Maluf e seu partido (PPB) serão investigados pela Procuradoria Geral Eleitoral e pela 5? Zona Eleitoral de São Paulo por suposta prática de crime eleitoral.
Maluf é acusado de ter usado o programa partidário gratuito, exibido no dia 19 de novembro, para fazer ?propaganda e defesa pessoal?, além de atacar promotores de São Paulo, que investigam aplicações financeiras em nome da família Maluf no exterior.
De acordo com a Lei Orgânica dos Partidos (Lei n? 9096 de 19/ 09/1995), o horário gratuito deve ser utilizado para ?difundir os programas partidários, transmitir mensagens aos filiados sobre a execução do programa partidário (…) ou divulgar a posição partidária em relação a temas político-comunitários?.
O Ministério Público paulista, que entrou com uma representação contra Maluf, entendeu que o horário reservado foi usado para ?externar manifestações ofensivas? a promotores.
No programa, Maluf acusou a promotoria de agir politicamente para agradar ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), que é o responsável pelo pagamento dos salários do órgão.
A pedido da procuradora regional eleitoral de São Paulo, Alice Kanaan, a promotora Vardivia Balarim, da 5? Zona Eleitoral de São Paulo, vai apurar se Maluf cometeu crime eleitoral ao se referir ao promotores ?que atuam em processos que tem o ex-prefeito e sua família como partes?, escreveu no ofício.
A procuradora entendeu que não compete a seu órgão conduzir a investigação, já que Maluf, como ex-prefeito, não goza de foro privilegiado, como deputados ou prefeitos.
O possível desvirtuamento da propaganda partidária será analisado pelo procurador-geral eleitoral, Geraldo Brindeiro. O ofício, formulado por Alice, deve chegar hoje às mãos de Brindeiro.
Na carta, a procuradora regional afirmou que, no dia 19 de novembro, Maluf ?realizou propaganda pessoal e defesa pessoal?. Alice citou o primeiro parágrafo, do artigo 45, da Lei Orgânica dos Partidos, que reza: ?Fica vedada (…) a divulgação de propaganda de candidatos a cargos eletivos e a defesa de interesses pessoais ou de outros partidos.?
Advogados de Maluf afirmaram que, antes de se manifestar, irão esperar a notificação oficial, já que não existe nenhum processo formalizado contra o ex-prefeito ou contra o partido."

RACISMO

Publicidade e racismo, copyright O Globo, 29/11/01

"Um grande conglomerado bancário fez publicar em jornais de circulação nacional uma peça publicitária que daria ensejo a um tratado de semiótica. E outro de política.

A capa do caderno de quatro páginas é literalmente tomada pela foto do rosto e da cabeça de um homem negro (o foco dispõe a cabeça levemente inclinada para a direita e para baixo, de sorte que o observador tem a impressão de estar situado num plano inferior), adulto, com olhar sereno e altivo, cujos óculos e gravata conferem uma expressão de sobriedade, denotando tratar-se de um executivo. O homem tem nome e sobrenome.

Por seu turno, as duas páginas internas são praticamente tomadas por uma foto que ocupa quatro quintos do espaço ? atraindo o primeiro olhar do observador ? do mesmo homem, trajando camiseta, sorridente, com os braços erguidos, exibindo feixes de caranguejo. Em segundo plano, no quinto restante, estão expostas dez fotos relacionadas com o homem: duas maiores, situadas nas extremidades, que apresentam, no canto esquerdo, o homem jogando tamboréu na praia e, no direito, operando um laptop, tendo ao fundo estantes de livros. Entre ambas, fotos menores registram situações e pessoas diversas: o homem comprando caranguejo; uma senhora que presumivelmente seria sua mãe; família e amigos assistindo sua performance no tamboréu; o homem cozinhando; servindo a sua família reunida à mesa de refeições; trajando roupa apropriada para esportes; falando ao telefone.

Já agora são descritos alguns atributos daquele homem: ?Ele faz uma caranguejada como ninguém, joga tamboréu, fala francês, sai de madrugada para buscar a filha na festa.?

Por fim, a última capa retoma em primeiríssimo plano a figura do executivo, sentado, fitando a tela de um laptop sobre uma mesa de trabalho, ao lado do qual encontram-se livros e papéis, tendo ainda, ao fundo, mais estantes de livros. Sua expressão agora denota contentamento, meditação, regozijo.

Há uma abundância de significados na peça. O virtual, a construção mental, a faculdade, aquilo que tem potencial para existir, simbolizado na primeira capa, é confrontado com o real, aquilo que existe, uma descrição inequívoca de aspectos do mundo: a grande foto interna, o negro feliz com seu feixe de caranguejo.

Mas o virtual, da capa, é também o real, da foto interna. O catador de caranguejo é o executivo. Um negro, que tem família, pensa e tem acesso ao conhecimento (são tantos os livros!), cujo domínio de outro idioma assume contornos de algo formidável (mesmo porque não se trata de um modesto inglês), pratica esportes por lazer (e não por profissão), tem acesso à tecnologia, vai à feira (pelo que não seria um machista), cozinha e compartilha o cuidado dos filhos (aqui pretende-se seduzir a mulher, com ênfase na negra, ela, a vocacionada para a cozinha e, não raro, chefe solitária de família). Mais que homem bem-sucedido, ele é moderno, sintonizado com os novos tempos, pondo-se lado a lado com sua esposa na realização dos afazeres domésticos e familiares.

O aparente antagonismo entre real e virtual desnuda-se: o real sobrepõe-se ao virtual. É real. Existe sim o negro de sucesso, pensante, zeloso de sua família e de valores, e o fato de ser bem-sucedido é que justifica sua associação a um produto de elite: serviços bancários via internet.

Interessante esta mutação na representação do negro no imaginário social, operada fundamentalmente pela ação do Movimento Negro, até porque é lugar comum a publicidade empregar mulheres negras, geralmente obesas e uniformizadas, servindo guloseimas feitas com leite condensado aos brancos. Nestas peças, a representação do negro projeta-o como incapaz de consumir mesmo aqueles produtos mais comezinhos e baratos, em razão do que restar-lhe-ia cozinhar e servir os brancos.

O estereótipo do negro brasileiro, o catador de caranguejo, é desconstruído, como deve ser desconstruído o estereótipo da não-funcionalidade dos serviços bancários oferecidos via internet. O conceito prévio, o preconceito, que se tem do negro brasileiro é tão errático quanto o preconceito que se tem dos serviços bancários acessíveis pela internet.

A peça quer atrair todos, negros, brancos e mulheres: aciona o sentimento de dignidade racial dos primeiros; propõe aos brancos nova ética nas relações raciais (sem julgamento de valor da ética vigente, o que é, aliás, moralmente confortável), materializa para as mulheres um novo perfil de marido (presumindo-se, o que é discutível, que a maioria das mulheres sonha com um marido ideal).

Imagens e textos incidem vigorosamente sobre consciência, credos, valores, questionando-os e transformando-os na perspectiva da valorização da diversidade humana. Eis um bom exemplo da incomensurável contribuição que a publicidade e a propaganda podem aportar para a superação da problemática racial no Brasil."

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