Sábado, 20 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Folha de S.Paulo

Por lgarcia em 03/04/2002 na edição 166

DIPLOMA EM XEQUE

"STF decidirá se jornalista tem de ter diploma", copyright Folha de S.Paulo, 27/3/02

"O STF (Supremo Tribunal Federal) vai decidir pela primeira vez se é válida ou não a exigência do diploma do curso de jornalismo para a obtenção do registro profissional que permite o exercício dessa atividade. Os 11 ministros do STF vão julgar um processo que atinge a moradora de Brasília Mariza Baston de Toledo. Ela teve o registro negado pela Delegacia Regional do Trabalho e pelo ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. Bacharel em direito, ela afirma que trabalha como consultora de moda de revistas e jornais e que precisa do registro para estabelecer vínculo empregatício regular com as empresas. Mariza tenta obter o registro desde 1999. Ela entrou com mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça, mas não conseguiu a dispensa. Ela recorreu então ao STF. (Da sucursal de Brasília)"

 

PROFISSÃO PERIGO

"37 jornalistas foram assassinados em 2001", copyright Estado de S.Paulo, 27/3/02

"WASHINGTON ? O ano de 2001 foi um dos piores para a imprensa no mundo, com um balanço de 37 jornalistas mortos durante o exercício da profissão, além de 118 prisões, segundo comunicado anual divulgado pelo Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York. ?Os atentados de 11 de setembro e a guerra contra o terrorismo precipitaram uma crise na liberdade de imprensa de amplitude mundial?, afirma a direção do CPJ.

O documento da organização constata 500 casos de repressão contra jornalistas em 140 países, incluindo assassinatos, agressões, detenções, censura e pressão judicial.

No ano passado foram assassinados 37 jornalistas, ante 24 em 2000. A maioria dos casos ocorreu durante a Guerra no Afeganistão, onde oito repórteres ?perderam a vida?, afirmou a diretora-geral do CPJ, Ann Cooper, durante uma conferência em Washington.

No entanto, ?a maioria dos jornalistas não morreu cobrindo os conflitos, mas como represália pela coberturas de temas delicados, como a corrupção estatal e a criminalidade em países como Bangladesh, China, Tailândia e Iugoslávia?, informou.

Outra tendência alarmante é o aumento em quase 50% do número de jornalistas presos, (de 81 em 2000 para 118 no ano passado). O CPJ condena ainda o governo Bush pelas tentativas de censura aos meios de imprensa americano em nome da ?segurança nacional?. (AFP)"

***

"Processo por assassinato de repórter começa dia 5", copyright O Estado de S.Paulo, 30/3/02

"KARACHI, Paquistão ? O julgamento dos quatro principais suspeitos de seqüestrar e assassinar o repórter do Wall Street Journal Daniel Pearl começará no dia 5 na cidade paquistanesa de Karachi, anunciou ontem o juiz Shabbir Ahmed. O militante islâmico de origem britânica, o xeque Ahmed Omar Saeed, e seus supostos cúmplices, xeque Adil, Salman Saquib e Fahad Naseem, foram acusados formalmente na semana passada pelo seqüestro e assassinato de Pearl. Até agora, não foi encontrado o corpo do jornalista, que apareceu em um vídeo sendo decapitado. (Reuters)"

 

CASO MAURA FRAGA

"Processo de Maura Fraga é encerrado pelo TJ", copyright Comunique-se, 28/3/02

"?Após seis meses de perseguição, 31 dias de prisão domiciliar e ameaças?, Maura Fraga teve processo encerrado na última quarta-feira (27/3), na 1? Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. A jornalista estava sendo processada por calúnia e difamação desde o início de 2000 pelo deputado federal Max Mauro (PTB). Maura escreveu em sua coluna no jornal A Gazeta que o político, quando era governador do estado (1987), emprestou R$ 19 milhões ao empresário Toninho Martins, hoje preso por exportar 600 kg de cocaína pelo porto de Vitória. ?Agora vou tocar a minha vida?, comemora Maura.

Segundo ela, o apoio de instituições como a Fenaj e a ABI foi fundamental para que o processo tivesse desfecho favorável. ?Recebi até o apoio formal do Sindicato Nacional dos Petroleiros?, conta. Composta pelos desembargadores Sérgio Bizzoto, Pedro Feu Rosa e Sérgio Gama, a 1? Câmara julgou o mérito do habeas corpus que deixou Maura em liberdade, após um mês de prisão domiciliar, de novembro a dezembro de 2001. 

Além da Fenaj e da ABI, instituições como o Sindicato dos Jornalistas do Panamá, Sindicato dos Trabalhadores na Imprensa da República Dominicana (SNTP), Associação dos Jornalistas do Peru e a Federação Internacional dos Jornalistas formalizaram apoio à jornalista brasileira nos últimos meses. 
 
Maura diz que os sites na internet tiveram atuação muito maior do que os veículos impressos. ?O pessoal da internet se mobilizou mais. Não há tanto comprometimento como nos jornais?, diz.

Com a ajuda da filha Talita, Maura criou no final do ano passado o site Silêncio Nunca mais, que conta toda a sua história. Esse é o primeiro passo para a criação de um movimento que irá receber denúncias de perseguição contra os jornalistas.

Maura era obrigada a comparecer à Justiça todos os meses para saber se haveria alguma mudança na decisão da juíza Lúcia de Barros, da 2? Vara Criminal, que determinou dois anos de suspensão processual. A jornalista contou com a ajuda do advogado Homero Mafr. Ele assumiu sua causa gratuitamente. Quando saiu da Gazeta no final de 2000, o processo corria desde o início do ano, apesar de Maura só ter recebido a primeira notificação da Justiça em maio de 2001.

A jornalista, de 53 anos, ganhadora de um Prêmio Esso, diz a Comunique-se que pretende voltar a trabalhar em redação. ?Gosto de redação mais do que de assessoria?. Escrever um livro sobre o crime organizado também é uma de suas novas metas. ?Já que tive tanto material a ponto de ter sido processada, tenho condições de escrever um livro sobre isso?."

 

CRÍTICA DA IMPRENSA

"A imprensa e a política", copyright CartaMaior, 25/3/2002

Os jornais se expressam politicamente, na prática, no dia-a-dia do noticiário e dos editoriais. É muito saudável; para a democracia, quanto mais claras as idéias, melhor. Mas seria melhor se a imprensa defendesse suas posições com fatos e argumentos, e menos com insinuações e especulações vagas ? que freqüentemente se verificam improváveis ou totalmente descabidas.

Exemplo disso é o primeiro artigo da página de opinião da Folha de S. Paulo de hoje, assinado por Vinicius Torres Freire, igualando politicamente o PT ao PSDB serrista. Estariam ambos fazendo política à maneira tradicional, de maneira eleitoreira, em detrimento de princípios. A Folha vem insistindo na existência um suposto arreglo entre as candidaturas Serra e Lula, sem dar uma justificativa aceitável para essa suposição, o que não é justo com os leitores.

Sem medo de dizer o que pensa

Pior ainda é o esforço do artigo para demonstrar, sem argumentos, que a possível aliança com o PL descaracteriza o PT. Os leitores têm o direito de saber de onde o jornal tira essa conclusão, especialmente por que a questão está ainda em debate dentro do partido. Que, aliás, acaba de contradizer a Folha, decidindo, depois de longo debate e votação no Diretório Nacional, que interessa ao PT continuar a conversar e a negociar uma aliança com o PL. A Folha publica a notícia da decisão, mas não há palavra disso no artigo de Freire. Por quê? Por que a Folha não apresenta e discute os argumentos que o PT apresenta em defesa da aliança, como o fato de o PL, nos últimos dois anos, ter votado sistematicamente contra o governo federal e ter feito centenas de alianças com o PT nas eleições municipais? Claro, o jornal tem direito de opinar, mas o leitor também tem direito de conhecer os fatos e argumentos que sustentam as opiniões, não só os do outro lado como os do próprio jornal.

A invasão do MST e o Planalto

Os quatro grandes jornais deram na capa, e grande espaço interno, a invasão da fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso por grupos de sem-terra e destacam a intervenção da Polícia Federal, que na prática impediu a solução negociada para o incidente. Não fica claro se a decisão de evitar a negociação estava tomada desde o início, e as promessas aos ocupantes foram mero engodo, ou se o governo foi surpreendido com a possibilidade e abortou-a para dar uma demonstração de força contra o MST. As duas hipóteses ficam implícitas no noticiário, provavelmente por falta de informação mais confiável.

Polícia truculenta ou eficaz?

A Folha e o Estado deram atenção oposta à ação da polícia, a primeira destacando em título interno ?a crítica de juristas?, o segundo, que ?ação não foi ilegal?, segundo a Ordem dos Advogados do Brasil. Nem O Globo nem o Jornal do Brasil dão ênfase à questão ? que é relevante, a julgar pelos depoimentos à Folha. Marco Aurélio de Mello, presidente do Supremo Tribunal federal, avalia que a polícia agiu de maneira ?inconcebível?, respondendo com ?violência à violência?.

A imprensa e a política anteontem

Não pode passar sem registro o editorial do Estado no sábado, que provavelmente reúne numa só peça todos os vícios do mau comportamento jornalístico. Para citar só o mais grave, o Estado conseguiu ignorar todos os sinais de irregularidades associados nas últimas semanas à candidatura José Serra ? divulgados e debatidos exaustivamente na imprensa, inclusive nas páginas do próprio Estado. Em vez disso, atribui o atual ?clima de suspeita? a duas propostas inspiradas justamente por essa situação: a do senador José Sarney, que propõe convidar observadores internacionais para garantir a lisura das eleições, e a de Lula, candidato do PT, propondo que a própria sociedade se organize com esse objetivo. O Estado pode até não concordar com as propostas, mas dizer que elas criam o que querem evitar já é demais. O Estado vai ter que dar nó na língua para explicar esse tipo de lógica aos seus leitores."

 

MUSEU DA IMPRENSA

"A imprensa também tem o seu museu. Em Niterói", copyright O Estado de S.Paulo, 31/3/02

"RIO ? Quando a Remington lançou o seu modelo de máquina de escrever número um, nos Estados Unidos, em 1873, o Brasil já conhecia a tecnologia.

Ela fora inventada pelo padre brasileiro Francisco José de Azevedo, em 1861.

O manual dizia que o equipamento lembrava um piano: ?Ella tem dezasseis teclas, cada uma das quaes, em vez de produzir um som como no piano, imprime sobre a tira de papel uma letra do alphabeto? (sic), explicava o texto. A história da primeira máquina de escrever é contada no livro A Máquina de Escrever, Invenção Brasileira, editado pelo Serviço Estadual de Assistência aos Inventores de São Paulo. O livro é parte do acervo do Museu da Imprensa Brasileira, o primeiro no País, que será inaugurado dia 2 de abril, em Niterói, no Grande Rio.

O museu vem sendo gestado desde 1989, pelo Centro de Pesquisa e Preservação da Memória da Imprensa Brasileira, formado por jornalistas.

Ao longo dos anos, o grupo amealhou doações de maquinário antigo, móveis das redações do passado, exemplares de jornais (o arquivo tem 3 mil diários de todo o país). Mas não havia um local para guardar o acervo. O ex-prefeito de Niterói Waldenir Bragança doou em caráter temporário um terreno no fim da década de 90 e a Associação Brasileira de Jornais do Interior (Abrajori) construiu uma sede provisória. Mas, na primeira gestão do jornalista Jorge Roberto Silveira à frente da prefeitura, o terreno foi retomado e abrigou uma seção da Companhia de Limpeza Urbana. ?Imprensa é um lixo, mesmo?, ironiza o jornalista Jourdan Amora, presidente do Centro de Pesquisa.

Pertence a Jourdan grande parte do acervo do museu. Ex- repórter dos jornais Última Hora, Diário Carioca e Jornal do Brasil, Jourdan é dono desde 1965 do diário A Tribuna, com circulação em Niterói. As antigas máquinas de secagem dos filmes fotográficos, de fotolito, os tipos de madeira e de chumbo, que formavam as linhas de jornal, de sistemas ultrapassados de impressão estarão expostos no museu, que ocupa um salão de 600 metros quadrados na sede da Imprensa Oficial do Estado.

Entre as idéias da museóloga Ângela Peixoto, que está organizando o acervo, está a montagem de uma redação ?das antigas?. Escrivaninhas em madeira preta, no lugar da fórmica branca atual, as máquinas de escrever, que perderam a vez para o computador, voltarão ao seus lugares, ao lado da mesa da secretária, uma máquina endereçadora, que imprimia com chumbo o nome e endereço dos assinantes. Também será lembrado o telex, máquina de transmissão de textos, precursora do fax, e o telefone preto.

Uma das máquinas mais belas que ocupam o salão é um linotipo modelo 5, número 66030. O equipamento foi produzido em Nova York, na Mengenthaler, fábrica do inventor da máquina, que compunha e fundia em chumbo os caracteres, até formarem uma linha completa. Os processos de impressão serão explicados em painéis espalhados pelo museu. Haverá ainda uma sala de vídeo para apresentar fitas sobre a história do jornalismo na televisão e no rádio.

O museu terá também uma exposição itinerante. Os organizadores esperam da Companhia Suzano de Papel uma réplica da máquina usada por Gutemberg para imprimir a primeira Bíblia ? fato considerado como o início da imprensa. O Museu da Imprensa Brasileira também recebe doações. O telefone para contato é 0xx21 2620-1122, ramal 163."

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