Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > MEMÓRIA / CARLITO MAIA

Folha de S. Paulo

Por lgarcia em 26/06/2002 na edição 178

MEMÓRIA / CARLITO MAIA

"Morre o publicitário Carlito Maia, aos 78", copyright Folha de S. Paulo, 23/06/02

"O publicitário Carlito Maia, fundador do PT e criador de vários slogans e peças publicitárias para campanhas do partido, morreu ontem, por volta das 17h, no hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Tinha 78 anos.

Admirado por suas frases, Maia foi um dos principais incentivadores da jovem guarda, nos anos 60, e dirigiu o departamento de comunicação da TV Globo, onde trabalhava desde a década de 70.

Maia estava internado desde o último dia 1?. Segundo um de seus cinco filhos, Maurício, ele sofria de doença crônica degenerativa.

O publicitário criou os slogans ?oPTei?, em meados dos anos 80, e ?Lula-Lá? e ?Sem Medo de Ser Feliz?, da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 1989, consideradas até hoje as mais marcantes da história do PT. Ultimamente, por causa da doença, estava afastado da Globo.

O corpo de Maia será velado até as 16h de hoje no hospital Sírio Libanês. Depois, segue para o Crematório de Vila Alpina, na zona leste. A cerimônia de cremação deverá ocorrer por volta das 17h.

Maia nasceu em Lavras (MG) e mudou-se para São Paulo aos 12 anos. Em 1954, entrou em um curso de publicidade e, em 1963, fundou sua própria agência, que foi responsável pela construção, nos anos 60, da imagem da TV Record, então líder de audiência.

No regime militar, habituou-se a mandar rosas vermelhas, com mensagens de apoio, a personalidades que se manifestavam publicamente pela abertura política. Desde então, rosas e bilhetes tornaram-se suas marcas.

Recentemente, virou nome de um troféu da revista ?Imprensa? destinado a personalidades que se destacam na luta pela cidadania."

 

"Morre o publicitário Carlito Maia, aos 78 anos, em São Paulo", copyright Último Segundo, 22/06/02

"O publicitário mineiro Carlito Maia, de 78 anos, morreu na tarde deste sábado no Hospital Sírio-Libanês, localizado na região central de São Paulo.

De acordo com informações do hospital, Maia morreu às 14h de uma doença crônica degenerativa. O publicitário será velado nesta noite no próprio Sírio-Libanês e, no domingo, seu corpo será cremado na Vila Alpina. A cerimônia de cremação está marcada para as 17h.

Carlito Maia era um dos publicitários mais queridos do circuito e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1962 criou a agência de publicidade Magaldi & Maia, em sociedade com Carlos Magaldi, considerada uma das primeiras agências criativas do País. Anos depois ele se desfez de sua parte na agência e entrou para as Organizações Globo, ocupando o cargo de Diretor de Comunicação. Nos último anos, mesmo doente e sem poder trabalhar, Maia continuou sendo funcionário contratado da Empresa.

Carlito era também conhecido por suas frases, escritas em pequenos pedaços de papel que carregava no bolso da calça. Muitas delas ficaram famosas como: ?Brasil? Fraude explica?, ?oPTei?, ?Somos subdesenvolvidos em tudo, menos na pretensão?, ?Lula Lá?, ?Sem medo de ser feliz?, ?Evite acidentes, faça tudo de propósito? e o termo ?Jovem Guarda? – para descrever o movimento musical que contou com a participação de Roberto Carlos, Tim Maia e Erasmo Carlos.

Em 99, Carlito virou prêmio de Cidadania. Organizado pela ?Revista Imprensa?, o troféu Carlito Maia de Cidadania se tornou um dos raros casos de uma pessoa ainda viva que vira homenagem. A idéia dos organizadores do prêmio era de estar homenageando pessoas que tiveram alguma ação de cidadania importante em diversas áreas da sociedade (Esportes, Política, Saúde, Artes…).

Uma das marcas registradas do publicitário era mandar flores com um bilhete aos amigos em datas importantes. Nos últimos anos, mesmo doente, não perdeu o gesto. Assinalava as letras em um tabuleiro que eram imediatamente transfomadas em bilhetinhos por Tereza, sua companheira. Quem recebia, brincava que as flores saiam do orçamento da família Marinho.

O publicitário era uma pessoa frequente nas reuniões do PT que aconteciam na casa do senador Eduardo Suplicy, quando este ainda disputava sua primeira candidatura para a Câmara dos Vereadores de São Paulo. A idéia de usar um jipe branco durante a campanha, com o slogan ?Pintou Limpeza?, foi uma de suas inúmeras contribuições criativas na trajetória política do senador.

Em um texto sobre o PT, Carlito descreve o partido com amor. ?Ser petista é ter uma paixão definitiva. É padecer no paraíso toda a vida e mais nove meses. Se saio do PT, que outro partido poderia ser o meu? Há tantos! Você chuta uma lata na rua e saem dez de baixo?, diz um trecho do texto. "

 

"Uma vez PT, sempre PT", copyright Último Segundo, 22/06/02

"Ser petista é ter uma paixão definitiva. É padecer no paraíso toda a vida e mais nove meses. Se saio do PT, que outro partido poderia ser o meu? Há tantos! Você chuta uma lata na rua e saem dez de baixo. ?Partidos? com donos (deviam enquadrar essa gente por formação de quadrilhas). Cegos seguindo a seus cães. Pior ainda: cães indo atrás de seus cegos. Há mais outros partidos… sem comentários. Nada representam nem significam para mim.

?O PT I e único?1, não: nele só há voluntários, gente firme e decidida, apaixonada, que sabe das coisas. Que nada quer dos outros, mas que exige o que é seu. Quer dizer, então que o PT chegou à perfeição? É ?menas? verdade, pessoal. Ele é composto por seres humanos, com todos os defeitos e virtudes: xiitas e xaatos, xiiques e xuucros, xaaropes e xeeretas. Mas todos vão tirar as cismas numa boa, democraticamente – no I Congresso do Partido dos Trabalhadores. Acertar os ponteiros, corrigir rumos. O PT dá trabalho, se dá! Mas, nele, ninguém é melhor do que ninguém. Nos outros ?partidos? há ?líderes?, e é sabido: líderes dão as costas aos liderados: eles na frente, o rebanho atrás. Não, no PT só temos companheiros, irmãos de fé. Lutando lado-a-lado, ombro-a-ombro, com muita alegria. Sem medo de ser feliz. E o nosso companheiro n? 1, Lula, inspirador e fundador do partido (que não é do Lula, ele é que é do PT), já avisou: no Congresso – é proibido proibir. Que cada um, pois, bote a boca no trombone, dizendo o que sente e pensa do Partido (aliás, a primeira novidade na política tupiniquim, desde 1500 mais ou menos). Ocorre que ele nasceu de um jeito e estava crescendo de outro. Tem nada, não: é de pequenino que se torce o destino. O que faremos no Congresso. Porque o PT há-de-ser, sempre, o reflexo da vontade do conjunto dos seus militantes, brava gente. E dos simpatizantes, como eu. PT, utopia ao alcance do meu voto – eu te amo!

O petista é assim: em cada cabeça uma sentença. Não há, nem poderia haver num partido de gente consciente, lúcida, um pensamento monolítico, hegemônico, ?crê ou morre?. Existem, sim, tendências, pretendências, desistendências no interior do Partido, abrigadas sob o generoso guarda-chuva vermelho-e-branco. Democracia é isso aí, bichos: ?a arte da opção entre o desagradável e o desastroso?. Desagradável é (um pouco) o democratismo – excesso de reuniões, discussões cansativas e repetitivas, um pé no saco. Desastroso (demais) é o fascismo, imposição de idéias de cima para baixo. Pois eu prefiro perder com as bases a vencer sem elas. Não admito a ditadura de um sobre todos, nem a de todos sobre um. Vivo livre e solitário, como uma árvore, porém, solidário, como uma floresta. E para mim não há nada mais socialista – nem mais livre – do que uma boa democracia.

Para que a democracia plena seja alcançada, contudo, deve-se respeitar a opinião de cada um sobre o que irá afetar a vida de todos. ?Nenhuma corrente é mais forte do que o seu elo mais fraco?. Tudo o que precisamos é uns dos outros.Venha ser um dos seus. Teje livre!

*Carlito Maia – petista até morrer. (texto escrito para o boletim Linha Direta, produzido pelo Diretório Nacional do PT)"

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