Sábado, 23 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1025
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Folha de S. Paulo

Por lgarcia em 14/08/2002 na edição 185

ELEIÇÕES 2002

“Coutinho e Salles filmarão as eleições 2002”, copyright Folha de S. Paulo, 8/8/02

“Eduardo Coutinho (?Cabra Marcado para Morrer?) e João Moreira Salles (?Notícias de uma Guerra Particular?) farão um documentário sobre as eleições presidenciais brasileiras deste ano.

Os documentaristas se reuniram em São Paulo, anteontem, com o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que concordou em participar do filme.

O documentário será rodado apenas no segundo turno das eleições. A Folha apurou que Coutinho e Salles estudam dois enfoques para o projeto. Uma das opções é abordar ambos os candidatos que disputarão o segundo turno. Nesse caso, cada um dos cineastas se concentraria em uma campanha.

A segunda alternativa considerada é que Salles acompanhe a campanha de Lula, enquanto Coutinho esquadrinha a vida de operários no ABC paulista, contemporâneos da atuação sindical do candidato metalúrgico.

Fotos e vídeos jornalísticos das greves dos anos 80 no ABC ajudariam a definir os ?personagens? de Coutinho. O cineasta investigaria a trajetória de trabalhadores que permaneceram anônimos.

Prevalecendo o primeiro formato, o filme terá seu acento no universo da disputa política com o aparato profissional das campanhas presidenciais e será um registro documental específico das eleições de 2002.

O segundo modelo tende a narrar uma trajetória do país em dois focos -a história particular de operários na região industrial paulista e o percurso público de um operário que desenvolveu carreira na política.

Coutinho e Salles devem definir na próxima semana qual será a linha a ser seguida.

Se decidirem filmar as duas campanhas, os documentaristas procurarão equalizar seus estilos. Se optarem por se dividir entre o registro da campanha de Lula e a investigação da história dos trabalhadores no ABC, estarão à vontade para praticar cada um a sua principal característica -a capacidade de observação de Salles e o poder de mergulho em histórias pessoais de Coutinho.

Parceria

O documentário sobre as eleições presidenciais de 2002 será o primeiro em que Salles e Coutinho dividirão a direção. Os dois trabalham juntos, no entanto, desde 1999, quando a Videofilmes, produtora cinematográfica de Salles, passou a produzir os filmes de Coutinho.

O cineasta, que é considerado o maior documentarista brasileiro, realizou, com a produção de Salles, os longas ?Babilônia 2000? e o inédito ?Edifício Master?, concorrente no 30? Festival de Cinema de Gramado (de 12 a 17 de agosto).”

“Tortura”, in Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 9/8/02

“?Não tenho o hábito de polemizar com colegas de profissão. Trabalhando contra o tempo e respondendo aos fatos praticamente no momento em que eles ocorrem, exercemos uma profissão extremamente sujeita a erros -e esse perigo deve ser maior ainda no caso de uma coluna bem-humorada e descontraída como a de José Simão. Mas não posso deixar passar em branco a sua afirmação, no artigo publicado em 7/8 (Ilustrada, pág. E7), de que ?Ana Paula Padrão e Franklin Martins inauguram o Doi-Codi tucano. É que, nas entrevistas com os presidenciáveis, no ?Jornal da Globo?, eles pegam o candidato da oposição, penduram no pau-de-arara e ficam dando choques elétricos nas partes moles?. Quem viu todas as entrevistas do ?JG? sabe que tratamos todos os candidatos, tanto os da oposição quanto o do governo, com a mesma firmeza e o mesmo respeito. Não se viu nenhum privilégio para o candidato do PSDB. Mas não é esse o motivo desta carta. Simão tem o direito de achar que poupamos o tucano e que jogamos duro com Ciro. Não concordo com a sua opinião, mas respeito-a. O que não aceito é a tentativa de equiparar a entrevista a uma sessão de tortura. Essa afirmação é duplamente perigosa. Primeiro, porque refresca uma prática hedionda, dando a impressão de que sessões de torturas não passam de uma sucessão de perguntas incômodas. Segundo, porque desqualificam o bom jornalismo. Jornalistas que abrem mão de fazer perguntas incômodas renunciam a uma parte essencial da profissão. E acabam condenados a levantar a bola para alguém. Pessoalmente, senti-me insultado com a piada de Simão. Na luta contra a ditadura, perdi dezenas de companheiros e amigos -torturados e mortos em casas do terror como o Doi-Codi. Considero a tortura uma prática abjeta e o torturador alguém que desceu ao degrau mais baixo da condição humana. Nem por brincadeira admito essa comparação. Muito menos com um rarará depois.? Franklin Martins, jornalista (Brasília, DF)”

***

“Acordo e PSB”, copyright Folha de S. Paulo, 11/8/02

“?Surpreendeu-me o conteúdo da chamada ?FHC negociou apoio com oposição?, publicada na Primeira Página em 8/8, sob a responsabilidade de Kennedy Alencar, da Sucursal de Brasília. No final da chamada, afirma-se: ?Pedro Malan (Fazenda) falou com Tito Ryff, assessor de Anthony Garotinho (PSB), que rejeitou o acordo?. Na verdade, depois de várias tentativas frustradas de contato ao longo do dia, conversamos pelo telefone, eu e o ministro Pedro Malan, às 22h30 do dia 7, horário em que, muito provavelmente, a edição da Folha para o dia seguinte já estava fechada. O ministro Malan detalhou-me o conteúdo do acordo e solicitou-me que o comunicasse ao candidato Anthony Garotinho. Afirmou também que era muito importante para o país que os candidatos tivessem uma atitude construtiva em relação ao acordo, instrumento indispensável, segundo o ministro, para assegurar a governabilidade do próximo governo. Respondi ao ministro que, como economista, entendia a necessidade e a importância do acordo para o país e que diria isso a Anthony Garotinho. Em nenhum momento afirmei, em caráter pessoal, ou como assessor de Garotinho, que era contra o acordo. E o ministro Malan, tenho certeza, poderá testemunhar a respeito. Devo acrescentar que Kennedy Alencar não teve o cuidado de procurar-me para que a Folha obtivesse confirmação da versão inverídica difundida por uma fonte do Planalto Central que, infelizmente, ainda não consegui identificar. O ministro Malan, com quem falei após ler a reportagem de Kennedy Alencar, nega que a versão mentirosa tenha sido produzida por sua assessoria. Ao ler a reportagem da Folha do dia 8/8, não pude deixar de indagar-me: 1) Como foi possível para Kennedy Alencar ter conhecimento de uma conversa telefônica horas antes que ela efetivamente tivesse ocorrido? Seria uma nova forma de jornalismo, em que a notícia antecede o fato? O que pensa o ombudsman da Folha a esse respeito? Qual a motivação política do Planalto ao ?plantar? notícia inverídica na Folha sobre a posição de Anthony Garotinho com relação ao acordo com o FMI??

Tito Ryff, assessor econômico de Anthony Garotinho (Rio de Janeiro, RJ)

Nota da Redação – O trecho final da chamada ?FHC negociou apoio com oposição? (Primeira Página, 8/8), que foi publicada apenas na edição concluída à meia-noite, ficou dúbio ao não explicitar que a recusa ao acordo não havia sido informada por Tito Ryff, mas, sim, por Anthony Garotinho. Por um erro de montagem, essa informação não foi acrescentada à reportagem ?FHC consultou candidatos para fechar acordo com o FMI?, publicada na mesma data no caderno Dinheiro.”

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