Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

PRIMEIRAS EDIçõES > ***

Folha de S. Paulo

Por lgarcia em 09/10/2002 na edição 193

ELEIÇÕES 2002

“?The Economist? destaca ?saga? de Lula”, copyright Folha de S. Paulo, 4/10/02

“O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, é o tema de capa da edição da revista ?The Economist? que chega hoje às bancas. Com a manchete ?O significado de Lula?, a publicação britânica traz editorial e reportagem sobre o petista, tratado como ?o mais provável vencedor? das eleições no Brasil.

Num balanço do governo Fernando Henrique Cardoso, a reportagem afirma que o país melhorou em diversas áreas, mas faz ressalvas à atual gestão e diz que, se vencer, ?o trabalho de Lula será o de continuar e melhorar o pacote de reformas não finalizado do senhor Cardoso?.

Segundo a ?The Economist?, um governo bem sucedido de esquerda no Brasil pode se tornar um modelo para a América do Sul. ?Mas, se Lula ganhar, ele fará bem em reconhecer que o sucesso virá tanto da continuidade de políticas quanto das mudanças?, diz a publicação.

Em editorial, a revista afirma que uma vitória de Lula seria um ?triunfo para a democracia brasileira?. Numa região governada durante muito tempo por generais e pela elite, ? a história de vida de Lula é uma saga de mobilidade social digna de uma novela de TV brasileira?, diz.

Segundo a revista, o sucesso de um eventual governo Lula dependerá da forma como ele conduzirá a economia. O próximo governo irá receber uma herança difícil, com a desvalorização do real e a alta dos juros ameaçando tornar a dívida pública inadministrável. ?Sua [de Lula] conversão para a realidade econômica é recente demais para estar acima de suspeita e, mesmo sendo verdadeira, sua falta de experiência pode levá-lo a cometer erros?, diz.

A revista destaca ainda que Lula até recentemente elogiava a Cuba de Fidel Castro. ?Mas, para ter sucesso, ele terá que estabelecer relações de trabalho com os Estados Unidos.?”

***

“Nota da ANJ protesta contra sigilo de fitas”, copyright Folha de S. Paulo, 4/10/02

“A ANJ divulgou ontem nota de protesto sobre a decisão judicial obtida pelo governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), proibindo a divulgação de fitas que apontariam esquema de grilagem. Leia abaixo a íntegra.

A ANJ (Associação Nacional de Jornais) manifesta publicamente a sua indignação a respeito dos fatos que envolvem a imprensa e o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, lamentando que S. Exa., esteja fazendo uso do Poder Judiciário para, na verdade, tentar subtrair do conhecimento da coletividade fatos relevantes que, em pleno período eleitoral, possam influir na escolha legítima de cada eleitor, desse modo, agredindo o constitucional direito do cidadão de ser corretamente informado.

Considerando que o Código de Ética da ANJ, respaldado na Constituição Federal e legislação específica, estatui, no artigo 3?, o compromisso dos seus associados de ?apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público, não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses?, a ANJ, com base nesses princípios, deseja ver restabelecido e respeitado o pleno direito de informação jornalística, assegurando aos leitores o direito de conhecer as diferentes versões dos fatos e as diversas tendências de opinião da sociedade. Esperamos que se restaure plenamente o direito de livre publicação e que os Poderes constituídos referendem, na forma da lei, a relevante missão da Imprensa.

Francisco Mesquita Neto, presidente da ANJ”

 

“Palavras ao vento”, copyright Folha de S. Paulo, 5/10/02

“?Atenção, classe média de todos os níveis, empregados e desempregados, o artigo do sr. Otavio Frias Filho (?Palavras ao vento?, Opinião, pág. A2, 3/10) é uma reflexão sensata e plausível. É o ovo de Colombo, o óbvio ululante. Portanto lembrem-se da ?história do bode?. Ainda há tempo.? José Adailton Ribeiro (São Paulo, SP)

?Se havia alguma dúvida quanto ao antipetismo da Folha nestas eleições, o artigo ?Palavras ao vento?, de Otavio Frias Filho, a dirimiu: rancor, acusações levianas, exercício de futurologia buscando reavivar o histórico temor de uma ?guinada à esquerda?. Compare-se o tratamento ora dispensado a Lula àquele dado a FHC nas duas campanhas presidenciais. O texto é um alerta, sim. Não sobre o eventual governo petista, e sim sobre o provável comportamento da mídia.? Maurício de Medeiros Caleiro (Rio de Janeiro, RJ)”

 

“Candidatos mantiveram bom nível, afirma Bonner”, copyright O Estado de S. Paulo, 5/10/02

“O mediador do último debate entre os presidenciáveis no primeiro turno, o jornalista William Bonner, atribuiu ontem o alto nível do debate ao comportamento dos quatro principais candidatos e não às intervenções que fez durante o programa, exigindo o máximo de clareza dos participantes sobre os temas em discussão.

?Se não fossem os candidatos, mediador nenhum conseguiria controlar o nível do debate?, afirmou Bonner. Ele contou que, antes de entrar no ar, conversou com todos os candidatos e pediu que evitassem acusações e se concentrassem no debate de idéias.

?O elogio que fiz no final foi extremamente sincero?, completou o jornalista. Como a regra, inédita em debates realizados até hoje, previa que o apresentador fizesse perguntas para os candidatos sobre temas já comentados, os participantes tiveram de expor suas idéias com clareza.

De acordo com Bonner, o modelo do debate foi imaginado justamente para garantir que os temas fossem bem explorados e questões nebulosas fossem esclarecidas. Isso ocorreu quando o candidato José Serra (PSDB) perguntou ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, por que a tarifa do ônibus na cidade de São Paulo era uma das mais caras em vigor.

Lula respondeu e, depois de encerrado o assunto, Bonner perguntou aos dois candidatos qual seria a política para as tarifas públicas, caso sejam eleitos. Serra e Lula tiveram de explicar, novamente, como pretendem tratar o tema.

Em um intervalo, longe das câmeras, um candidato, cujo nome não foi revelado, considerou injusta decisão anterior de não lhe conceder um novo direito de resposta. Após nova explicação, o presidenciável aceitou a justificativa.

Perguntado se o modelo deveria ser mantido em eventual segundo turno, Bonner respondeu: ?Minha opinião pessoal é de que deveria?. Se houver segundo turno, o próximo debate deve trazer inovações.”

 

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