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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Folha de S. Paulo

Por lgarcia em 30/10/2002 na edição 196

LULA PRESIDENTE / ELEIÇÕES 2002

“Petista critica cobertura feita pela Folha”, copyright Correio Braziliense, 28/10/02

“O candidato do PT ao governo de São Paulo, José Genoino, criticou ontem a cobertura das eleições feita pela imprensa, principalmente a da Folha, e disse considerar antidemocrática a diferença do tratamento dado pelo jornal a ele e ao seu adversário, Geraldo Alckmin.

Genoino se disse inconformado pelo fato de a Folha ter dedicado, na edição de ontem, apenas uma página à sua candidatura, sem cores, enquanto a de Alckmin recebera duas páginas coloridas.

?Esse tipo de coisa me entristeceu porque é acintosa [a diferença de tratamento?. Mas isso não é ruim para mim. É ruim para quem faz esse tipo de matéria. Cai a credibilidade?, afirmou.

?Na verdade, alguns veículos estão fazendo campanha indiretamente para o candidato oficial [Alckmin], sem dar o mesmo espaço, o mesmo tratamento?, disse.

O petista chegou a parar seu carro em uma banca de jornal quando seguia para São Bernardo do Campo e comprou um exemplar de ?O Estado de S.Paulo?. Embora também tenha criticado o jornal, disse que estava mais isento do que a Folha.

Ele também citou a Folha quando um vendedor lhe ofereceu os jornais do dia: ?Eu compro qualquer um. Só não me dê a Folha, que eu não quero nem de presente?. Durante entrevista à noite, ao ser questionado pela Folha se já teria planos de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em 2006, Genoino foi interrompido por um assessor, que disse, provocando gargalhadas nos demais: ?Cuidado com a resposta, pois a Folha pode começar a criticá-lo desde já?.”

“Jornalismo”, copyright Folha de S. Paulo, 24/10/02

“?Gostaria de parabenizar Marilene Felinto pelo artigo ?O factóide da atriz e o caso Gugu? (Cotidiano, pág. C2, 22/10).

Suas colocações foram simplesmente verdadeiras e esclarecedoras sobre a imprensa brasileira nessa última eleição. A grande maioria do povo brasileiro não consegue distinguir entre uma boa reportagem isenta de preconceitos e um jornalismo reacionário.? Gil Gavioli dos Santos (Niterói, RJ)

?Gostaria de manifestar minha tristeza e indignação pela maneira desrespeitosa com que Marilene Felinto se referiu ao ?Jornal da Record? e pela falta de respeito com a atriz Regina Duarte, usando de má-fé, como se não soubesse que o artista deve ser remunerado pelo seu trabalho. Fanáticos seguem o seu líder e não admitem críticas. Destilam o seu ódio e o seu preconceito contra todos que pensam diferente deles. No artigo, foi mostrado claramente o que nos aguarda se o candidato da colunista for eleito. Vamos ter a liberdade só de pensar.?”

“Disputa acirrada nos sites termina empatada”, copyright O Estado de S. Paulo, 26/10/02

“Os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB) terminam a acirrada disputa no campo virtual sem poderem cantar vitória.

Dependendo dos números, tanto o petista quanto o tucano se saíram melhor na internet. Se Lula teve mais páginas visitadas, Serra foi visitado por mais pessoas. Independente do placar, os sites de campanha, um palanque de propaganda explícita 24 horas por dia, tornaram-se uma vedete à parte nestas eleições.

Nas páginas de Lula, do dia 24 de julho até quarta-feira, 582.243 pessoas visitaram 9,3 milhões de páginas do site www.lula.org.br. É como se cada eleitor visitasse, em média, 16 páginas diferentes do petista. No lado dos tucanos, um total de 1,4 milhão de pessoas navegou por 6,5 milhões de páginas de www.joseserra.com.br, no ar desde 15 de julho. Trata-se de um internauta menos curioso, já que ele visitou cerca de 4,5 páginas diferentes.

O Ibope e-Ratings estima que há 7,8 milhões de internautas no País. Segundo o diretor de serviços analíticos do instituto, Marcelo Coutinho, o número de páginas visitadas é um conceito superado, já que é possível criar artíficios para inflacionar esse índice. Os tucanos poderiam se considerar vitoriosos, mas não é bem assim. Em setembro, a página petista foi vista por 70 mil pessoas e ficou em 415.? lugar numa lista de 499 sites mais visitados. Nesse ranking, a página de Serra não apareceu. Em agosto, só Ciro Gomes (PPS) figurou nessa listagem.

Modernidade – A internet tornou-se parte quase indispensável nas campanhas deste ano. Dos 70 deputados federais eleitos por São Paulo, 43 têm sites para discutir idéias, escutar a população e apresentar propostas. Mesmo encerrada a disputa para eles, muitos vão manter as páginas no ar para não perder o contato com o eleitor.

O deputado federal reeleito João Herrmann (PPS) vai gastar R$ 5 mil por mês com a manutenção de seu site. ?Não há como conceber um político que não esteja em rede.? Seu colega parlamentar, Celso Russomanno (PPB), divulga seus projetos no site construído por ele próprio com a ajuda de um amigo.

Nos 11 meses em que está no ar, diz ter recebido cerca de 200 mil visitas.

?Tenho muitos acessos, mas não sei medir o retorno político. Acho que recebi alguns votos em função da página.?

A deputada Luiza Erundina (PSB) usou o e-mail para distribuir material de campanha. Mas o mesmo informativo bimestral com suas ações foi enviado, por precaução, pelos Correios. Arnaldo Faria de Sá (PTB), que se declara ?analfabeto digital?, nada contra a corrente virtual. ?Acho a internet importante, mas trabalho com um público de periferia e por isso não me preocupo?, diz.”

***

“No ringue da Globo, um duelo elegante”, copyright O Estado de S. Paulo, 26/10/02

“No último debate da campanha presidencial, realizado ontem à noite pela Rede Globo, tudo foi programado para ter um tom bem comportado, com uma estrutura na qual os candidatos evitariam o confronto direto. Mas durante todo o tempo José Serra (PSDB) tentou provocar o concorrente petista, Luiz Inácio Lula da Silva.

Os dois candidatos estavam vestidos de maneira semelhante, com terno escuro e gravata vermelha. Lula parecia estar mais à vontade. Circulou com desenvoltura no cenário que lembrava o do programa eleitoral do seu partido.

Serra também esteve tranqüilo, mas era indisfarçável o constrangimento com o formato do programa, que evitava o confronto direto que desejava. No fim, o apresentador e mediador William Bonner elogiou o nível do debate e os candidatos se cumprimentaram amigavelmente.

Um dos exemplos do inconformismo de Serra com o programa foi a insistência em arrastar o rival para o debate sobre salário mínimo – o que acabou ocorrendo, no segundo bloco. Quando Lula evitou valores determinados, preferindo afirmar que possui um plano de elevação gradual do salário em quatro anos, Serra disse que as propostas de Lula estão se tornando cada vez mais vagas.

O tucano prometeu aumentar o salário para R$ 300 nos próximos quatro anos.

No mesmo bloco, Lula disse que o seu adversário deveria explicar aos eleitores que a proposta de Orçamento apresentada pela administração atual ao Congresso permitirá reajustar o mínimo para R$ 211 em 2003. Esse foi um dos momentos em que Lula conseguiu reverter os papéis.

Normalmente acusado de prometer mais do que pode, ele chegou a dizer a respeito de Serra: ?É estranha a facilidade que meu adversário tem para vender facilidades.?

Indecisos – Eles responderam a perguntas de leitores indecisos, sorteados pela produção do programa. O clima esquentou no final, quando Lula conseguiu um direito de resposta.

Na hora em que discutiam o sistema de progressão continuada nas escolas.

Serra disse que as críticas do adversário petista eram de natureza eleitoral e que não se pode ?jogar fora a criança com a água do banho?.

Após Lula insistir no direito de resposta, o apresentador acabou cedendo.

?Eu não falei que sou contra a progressão continuada, apenas disse que é preciso acompanhar a qualidade de ensino das crianças?, disse.

Entre as críticas que fez ao atual governo, Lula dirigiu algumas ao Ministério da Saúde, de onde Serra sempre retira exemplos de que pode ser um bom administrador. Um caso específico foi em relação à saúde da mulher.

Segundo o petista, mulheres encaminhadas no SUS para exames de mamografia para detectar câncer de mama chegam a esperar sete meses na fila. ?Mas a doença não espera.?

Serra saiu em defesa do seu trabalho. Disse que nunca se instalou tanto mamógrafo no Brasil e nunca se cuidou da saúde da mulher quanto no governo atual. Mas admitiu que ainda falta muito para fazer.

Houve um momento do debate em que o candidato tucano reconheceu que Lula foi vítima de uma mentira, em 1989, quando concorreu à Presidência com Fernando Collor.

Diante da pergunta de um eleitor sobre a possibilidade de o candidato vencedor confiscar o dinheiro da poupança numa crise econômica, Lula respondeu que já houve ?um irresponsável que bloqueou e confiscou a poupança?, mas que ele jamais faria algo assim.

Serra acrescentou que Collor bloqueou a poupança depois de ter dito que Lula faria isso: ?Apesar de estar aqui debatendo e de ele ser meu adversário, tenho que reconhecer isso.?

Vidraça – Foi a única troca de gentileza no palco azul da Globo. Serra bateu de maneira insistente na tecla de que o PT não tem noção da complexidade dos problemas da Nação. Repetidamente iniciou respostas afirmando que o assunto em questão era mais complicado do que parecia. Insistiu no bordão de que ?o importante é fazer e não apenas criticar.? E atacou o quanto pôde a administração petista do Estado do Rio Grande do Sul. procurando colocar o partido do adversário na condição de vidraça.

Quando respondia a uma pergunta sobre formas de combate à criminalidade, o tucano disse: ?O PT tem uma experiência concreta com isso no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, onde vê que é mais difícil governar do que comentar.?

Um dos vários duelos que os candidatos travaram em torno de números foi sobre planos sociais. Segundo Lula, os programas sociais do governo hoje custam R$ 3,7 bilhões, o que ele considera pouco. ?Neste governo confunde-se plano social com esmola.? Serra retrucou que Lula deixou fora da conta programas mais abrangentes, como a aposentadoria rural e o seguro-desemprego. ?No conjunto, são R$ 28 bilhões?, disse o tucano. Ao que Lula retrucou: ?A aposentadoria rural é um direito, aprovado na Constituição, não um favor.?

Bonner também fez perguntas. Um delas foi sobre como conciliar as reclamações dos donos das empresas de planos de saúde, que dizem estar tendo prejuízos, e os clientes desses planos, que criticam o valor elevado das mensalidades. Serra respondeu que ninguém está interessado na quebra desses planos, que reúnem 35 milhões de brasileiros. Mas eles precisam ser controlados. ?Neste governo foi instituído, pela primeira vez, um sistema de controle dos planos, para evitar abusos.?

Para Lula todos os planos são caros demais. ?Os donos dos planos não têm razão de reclamar?, afirmou. Ele também defendeu melhorias no SUS. ?O sistema precisa funcionar com total qualidade, para atender toda a população.?”

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